Religião

26/06/2020 | domtotal.com

Pedro, o primeiro

O apóstolo Pedro tem características que nos ajudam a qualificar nosso discipulado

A devoção popular consagrou pedro como padroeiro dos porteiros porque Jesus prometeu a ele as chaves do Reino dos Céus
A devoção popular consagrou pedro como padroeiro dos porteiros porque Jesus prometeu a ele as chaves do Reino dos Céus (Pixabay)

Daniel Reis*

Dentre os "santos juninos" que festivamente celebramos, tanto na liturgia quanto nas expressões culturais populares, está São Pedro. Na piedade brasileira, ele é tido como multi padroeiro: dos pescadores, pois era sua profissão antes de ser chamado por Jesus (cf. Mc 1,16); dos viúvos(as), pois embora a Sagrada Escritura relate que sua sogra tenha sido curada por Jesus (cf. Mc 1,30-31), nada menciona sobre sua esposa, o que pode supor que era falecida; e dos porteiros, porque Jesus prometeu a ele as chaves do Reino dos Céus (cf. Mt 16,19a).

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Na liturgia, é celebrado a título de solenidade junto a São Paulo. A oração coleta reza que por eles nos foram dadas "as primícias da fé", e o prefácio próprio, além de afirmar que "Pedro, o primeiro a proclamar a fé, fundou a Igreja primitiva sobre a herança de Israel", professa que "por diferentes meios, os dois congregaram a única família de Cristo e, unidos pela coroa do martírio, recebem hoje por toda a terram igual veneração".

Para nós, discípulos e discípulas de Jesus no "hoje" da história, é importante notar na figura de Pedro características que nos ajudam a qualificar esse nosso discipulado, seja para a pastoral, no meio eclesial, seja para a vida, no âmbito social. Uma dessas características digna de destaque é a forma como Pedro, em diversas ocasiões, toma a frente, a iniciativa ou, para usar o neologismo do papa Francisco (cf. Evangelii Gaudium, n. 24), como ele "primeireia" em atitudes e respostas no grupo dos apóstolos de Jesus.

Os evangelhos demonstram, com especial atenção que dão a Pedro, essa sua característica arrojada, solícita e proativa. A começar por quando Jesus o chamou, nas margens do Mar da Galileia (cf. Mc 1,16-18), sendo que "imediatamente, deixando as redes, ele o seguiu".

No episódio da Transfiguração, a sequência do relato bíblico sugere quase uma interrupção de Pedro na conversa entre Jesus, Moisés e Elias (cf. Mt 17,3), quando no versículo seguinte diz que "Pedro, então, tomou a palavra e disse a Jesus: ?Senhor, é bom estarmos aqui. Se queres, farei aqui três tendas: uma para ti, uma para Moisés e uma para Elias'" (Mt 17,4). Tiago e João também estavam ali, mas quem logo se prontificou a ajudar foi Pedro.

No relato em que Jesus ensinava sobre a pureza e a impureza (cf. Mt 15,10-20), "Pedro tomou a palavra e disse: 'Explica-nos essa parábola'" (v.15). Parece que nem mesmo os apóstolos entenderam bem o que Jesus queria dizer, pois ele repreendeu não somente a Pedro, ?" que tomou a iniciativa de pedir a explicação da parábola ?" mas a todos, dizendo: "Também vós ainda não entendeis?" (v.16).

Quando os discípulos estavam com medo, pensando que Jesus andando sobre as águas era um fantasma (cf. Mt 14,22-33), Pedro é quem tira a prova: "Senhor, se és tu, manda que eu vá ao teu encontro sobre as águas" (v.28), sendo o único que, pelo menos, desceu do barco e tentou ir até o Mestre, como é narrado: "Pedro desceu do barco e começou a andar sobre as águas em direção a Jesus" (v.29b).

Este "primeirear" de Pedro é confirmado com o seu primado. Quando da instituição dos Doze (cf. Mt 10,1-4), Pedro é o primeiro, faz questão de frisar o texto bíblico: "Jesus chamou os doze discípulos e deu-lhes autoridade (...) Estes são os nomes dos doze apóstolos: primeiro, Simão, chamado Pedro (...)" (vs.1-2). Também, é quem logo responde à pergunta de Jesus: "Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?" (Mt 16,13b), sendo que acertadamente responde e professa sua fé: "Tu és o Cristo, o filho do Deus vivo" (Mt 16,16b). Chancelando seu primado, em seguida, Jesus lhe impõe o nome de "Pedro" (v.18a), "pedra" sobre a qual ele edificaria sua Igreja (v.18b), e promete dar a ele as "chaves do Reino", para ligar e desligar tudo, na terra e nos céus (v.19).

É bem verdade que em alguns momentos Pedro deu um mau exemplo, como quando, com medo, negou Jesus por três vezes (cf. Jo 18,15-17.25-27). No entanto, mesmo seus erros podem nos ensinar a sermos discípulos(as) melhores. Suas qualidades, como seu espírito de liderança, sua intrepidez, sua diligência e solicitude são valores a serem cultivados, para que a seu exemplo, arrependidos quando errarmos e dispostos a "primeirear" no serviço ao próximo, possamos, como ele, exclamar para o Mestre Jesus: "Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que te amo!" (Jo 21,17c).


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*Daniel Reis é leigo, graduando em Teologia e em Direito, pela PUC Minas. Cursou Especialização em Liturgia, pelo Centro de Liturgia Dom Clemente Isnard e Universidade Salesiana de São Paulo (UNISAL). Assessor da Comissão de Liturgia da Região Episcopal Nossa Senhora da Esperança, da Arquidiocese de Belo Horizonte. Membro e assessor do Secretariado Arquidiocesano de Liturgia (SAL). Membro do Regional Leste II para a Liturgia, da CNBB. Membro da Associação dos Liturgistas do Brasil (ASLI).



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