Ciência e Tecnologia

25/06/2020 | domtotal.com

Google anuncia que pagará grupos de mídias por notícias cobradas dos usuários

Alemanha, Austrália e Brasil são os primeiros países que o Google deve monetizar conteúdo

Google diz que lançará
Google diz que lançará "programa para pagar editores por conteúdos de alta qualidade" (AFP/Arquivos)

Atualizada às 15h10

Google anunciou que está disposto a pagar empresas de notícias em três países, incluindo o Brasil, para ajudar um setor que atravessa dificuldades pela pressão de governos e grupos de mídia no mundo todo. Embora os detalhes do plano não sejam conhecidos, a medida pode representar uma mudança significativa da gigante da Internet que seguiria o caminho iniciado pelo Facebook e pela Apple, com a criação de novos produtos em associação com veículos de comunicação.

Google disse que pagará parceiros de mídia em três países e cobrirá os custos de sites de notícias pagos para dar aos usuários acesso gratuito. O programa começará "com publicações locais e nacionais na Alemanha, Austrália e Brasil" e deve expandir-se para mais países, anunciou a companhia.

Brad Bender, vice-presidente de gerenciamento de produtos de notícias do Google, afirmou que "uma indústria de notícias vibrante é importante, talvez agora mais do que nunca, pois as pessoas buscam informações com as quais possam contar em meio a uma pandemia global e crescente preocupação com a injustiça racial em todo o mundo" .

O Google pretende pagar por "conteúdo de alta qualidade para que uma nova experiência de notícias seja lançada ainda este ano", a fim de permitir que grupos de comunicação "monetizem seu conteúdo por meio de uma experiência aprimorada de narrativa", explicou Bender.

Indústria com problemas

O movimento ecoa os problemas das organizações de notícias que lutam contra a diminuição do número de leitores da imprensa escrita e enfrentam o desafio do novo ecossistema digital, onde a receita de publicidade está focada em plataformas de tecnologia como Google e Facebook.

Google foi acusado de desviar a receita on-line e seu anúncio ocorre após enfrentar batalhas legais na França e na Austrália por sua relutância em pagar à mídia tradicional o que publica na web. A empresa da Califórnia respondeu às críticas dizendo que ajuda a impulsionar tráfego e receita para sites de notícias on-line e estimulou a iniciativa Google Notícias a colaborar com jornalistas.

O plano do Google de pagar para publicar notícias precede a iniciativa do Facebook de criar uma "guia de notícias" em associação com grupos de mídia para promover o jornalismo e conter notícias falsas. A Apple lançou seu aplicativo de notícias em 2015, que visa promover a assinatura de veículos de comunicação, e em 2019 adicionou um serviço pago chamado Apple News +, que compartilha receita com editores de jornais e revistas.

Plano vago

O anúncio do Google não esclareceu que impacto a iniciativa teria ou quanto dinheiro será investido no plano. David Chavern, presidente da News Media Alliance, que representa o setor de notícias dos EUA, disse que o anúncio é "vago e confuso" e pode ter como objetivo ajudar o Google a negociar suas batalhas legais com a mídia. "É um passo na direção certa, mas é bem pequeno", avaliou.

A medida "pode se traduzir em aumento de receita para um pequeno número de grandes editoras em grandes mercados e muito pouco para pequenas editoras e editoras em pequenos mercados", disse Rasmus Kleis Nielsen, chefe do Instituto Reuters na Universidade de Oxford para o estudo do jornalismo, no Twitter.

Nikos Smyrnaois, professor de mídia da Universidade de Toulouse, na França, disse que o anúncio do Google marca um "ponto de inflexão", mas pode não ajudar um setor em crise. "Isso se encaixa em uma estratégia de dividir e conquistar", disse Smyrnaois. "O objetivo do Google não é remunerar todos os outros", acrescentou.

Dan Gillmor, professor da Universidade Estadual do Arizona, disse no Twitter: "Parece que o Google escolherá os vencedores. É isso que vocês realmente queriam, jornalistas?

Várias publicações na Europa e no mundo, incluindo a AFP, pediram à União Europeia que tome medidas para obrigar as empresas de internet a pagá-las pela publicação do material que produzem.

Em abril, o órgão francês que monitora a concorrência nos mercados disse que a Google deveria começar a pagar a mídia por mostrar seu conteúdo e ordenou que iniciasse as negociações depois de se recusar a se adaptar às novas regras europeias sobre propriedade intelectual digital.

No início deste mês, o Google rejeitou um pedido australiano para compensar a mídia local com centenas de milhões de dólares por ano impostos em um acordo de compartilhamento de receita.


AFP



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