Meio Ambiente

26/06/2020 | domtotal.com

Pó do Saara favorecerá reprodução de sargaço nas praias mexicanas

Sargaço contamina as praias desde 2018 com seu odor e aspectos desagradáveis

Turista tira selfie com nuvem de pó saariano tendo ao fundo uma praia de Cancún, estado de Quintana Roo, no México, em 25 de junho de 2020
Turista tira selfie com nuvem de pó saariano tendo ao fundo uma praia de Cancún, estado de Quintana Roo, no México, em 25 de junho de 2020 (AFP)

O pó do deserto do Saara, que atingiu Cuba e Miami, também encobriu os céus da paradisíaca península mexicana de Yucatán e, segundo uma especialista, a gigantesca nuvem do continente africano pode favorecer a reprodução do sargaço, uma alga que polui as praias da região.

A massa de ar seco com partículas de areia, originada no deserto mais extenso do planeta, era observada nesta quinta-feira como uma espessa nuvem cinzenta no horizonte do mar azul turquesa de Cancún.

Esta região da costa mexicana é um dos principais destinos turísticos do México, que tenta se recuperar do abalo econômico provocado pela suspensão de atividades não essenciais pela pandemia de COVID-19, prolongada durante 11 semanas.

Diante da chegada da poeira africana, a secretaria de Saúde de Quintana Roo recomendou o uso de máscaras ou lenços úmidos para cobrir nariz e boca, principalmente de pessoas com doenças respiratórias crônicas, idosos, crianças e grávidas.

Fabián Vázquez, do Serviço Meteorológico Nacional, disse à imprensa que diferentemente de outros anos, trata-se de "uma nuvem de pó muito densa e é isso o que chama a atenção. São muitas partículas, tanto de minerais, aerossóis em geral".

Brigitta I. van Tussenbroek, pesquisadora do Instituto de Ciências do Mar da Universidade Nacional Autônoma do México, disse à AFP que o sargaço, que há cinco anos cobre grandes extensões das praias da Península de Yucatán, precisa, ainda, de luz e temperatura, nutrientes para florescer no mar, caso contrário sua taxa de crescimento é muito menor.

"A área na qual passa o pó do Saara corresponde justamente à região onde pensa os que se origine o sargaço, no eixo equatorial sul. Este pó aporta fósforo e ferro, que são elementos muito limitados no mar. Se sabemos que são elementos que são limitados e há uma nuvem que o está aportando, obviamente vai crescer mais", explicou a especialista.

O fenômeno provoca uma massa de ar quente e seca que, embora aumente as temperaturas, neutraliza a formação de ciclones tropicais. Isto causa, ainda, uma sensação de muito calor, uma redução das chuvas.

O sargaço contamina as praias desde 2018 com seu odor e aspectos desagradáveis. Diante do problema, o governo mexicano e empresários organizam periodicamente brigadas de limpeza para eliminá-lo da costa.


AFP



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