Brasil

29/06/2020 | domtotal.com

Nota máxima para o SUS

Revogo as classificações de ruim, regular e bom para ficar com o ótimo do sistema

Regional de Santarém recebendo seu 2º paciente suspeito de Covid-19, por meio de transporte aeromédico, que foi transferido de Oriximiná com quadro grave
Regional de Santarém recebendo seu 2º paciente suspeito de Covid-19, por meio de transporte aeromédico, que foi transferido de Oriximiná com quadro grave (Agencia Para)

Afonso Barroso*

Se tivesse que classificar o atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS) nas categorias péssimo, regular, bom ou ótimo, tomando como base minhas próprias experiências, eu usaria as quatro classificações, mas com ênfase no ótimo. Explico uma por uma a seguir.

O PÉSSIMO: É muito ruim, péssimo mesmo, o SUS em certos casos para os quais simplesmente não há atendimento. Por exemplo, o sistema não dispõe de nefrologistas, ou são tão poucos que é como se não existissem. Parece que se trata de uma especialidade especial demais para atender aos que precisam cuidar dos rins. Por recomendação da quase minha endocrinologista, tive que procurar um especialista, pois ela suspeitava de que meus rins não estavam agindo satisfatoriamente. O posto de saúde onde sou atendido tentou marcar uma consulta, mas passou-se um ano, e nada. Como constatei que não há nefrologista disponível no Sistema, tive de procurar uma clínica particular.

E aqui eu falo da ruindade da clínica, cujo nome prefiro omitir. Paguei uma grana que mal cabia no meu bolso, fiz os exames que a médica pediu, mas de nada adiantou, porque sobreveio a pandemia e a doutora me ignorou solenemente. Não pude levar a ela os exames, e ela não se interessou em saber se os meus rins tinham desistido de cumprir suas obrigações ou se continuavam apenas indolentes. Concluí que essa médica nefrologista e a respectiva clínica estão empenhados mesmo é em se apoderar do nosso dinheirinho, e que se danem você e seus órgãos. Pertencem ao SUD - Sistema Único de Descaso.

O RUIM: Atendimento regular do SUS, resvalando para o ruim, é do Centro de Especialidades Médicas para onde o posto de saúde me mandou. Fui atendido lá por uma endocrinologista que também pouco se interessa em acompanhar o paciente, mesmo sabendo-o diabético e, por isso, merecedor de atenção. E que dizer do cardiologista? Embora seja um doutor competente e que se esforça para ser simpático, pensa que o meu coração é de papel, porque só marca retorno da consulta após meses e meses. Quando marca. Vou dedicar a ele a musiquinha do Sérgio Reis.

O BOM: Atendimento que classifico como bom é o do posto de saúde. No meu caso, que moro no Cidade Nova, em BH, o posto fica no bairro União. Conta com um pessoal atencioso e dedicado às suas tarefas, desde os atendentes de balcão até as enfermeiras. Lá eu tomo minha vacina anual contra a gripe e pego os medicamentos e insumos disponíveis para minha mui querida diabetes.

O ÓTIMO: E vamos ao atendimento ótimo. Este ocorreu não comigo, mas com o meu filho Afonso Carlos e a nora Sabrina. Foram ambos simultaneamente atacados pelo coronavírus. Meu Deus, que sufoco! Tiveram que deixar com um anjo da guarda os dois filhos, de dois e cinco anos. O anjo não é o advogado dos Bolsonaro e anfitrião do Queiroz, mas uma maravilhosa amiga da família, que cuidou dos meninos enquanto os pais tiveram de ser internados. Deus a recompense.

Sabrina e Afonsinho foram atendidos primeiro no hospital da cidade de Afonso Cláudio (ES), onde moram. Como os casos se agravaram, foram transferidos em ambulância para o excelente hospital de Vila Velha. Em uma semana a Sabrina recebeu alta. O Afonsinho, depois de nove dias. Ambos relataram a alta qualidade da assistência que lhes foi dada nos dois hospitais. O de Afonso Cláudio, principalmente pelos médicos e enfermeiras. E o de Vila Velha também pelos recursos disponíveis, os mais modernos para o cuidado com pacientes da Covid-19. Até a alimentação é boa, garantem, o que não é muito comum em hospitais.

Daí que, pelo atendimento à Sabrina e ao Afonsinho, revogo o ruim, o regular e o bom do SUS. Fico com o ótimo, porque foram curados, certamente com a ajuda indispensável de Deus, que atendeu às nossas orações. Foi um tempo de muita angústia para nós, que estamos tão longe. Daqui, permanecemos em vigília, rezando para que Deus continue protegendo-os, como ocorreu nesse episódio em que os assistiu junto com os médicos e enfermeiros dos hospitais de Afonso Cláudio e Vila Velha. Não há sucesso sem Deus.

Por tudo isso, classifico como ótimo o atendimento do Sistema Único de Saúde brasileiro, criado pela Constituição de 1988. Único aqui e no mundo.


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*Afonso Barroso é jornalista, redator publicitário e editor



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