Coronavírus

27/06/2020 | domtotal.com

Brasil assina acordo de US$ 127 mi para produzir vacina contra Covid-19 criada em Oxford

Convênio dá ao Brasil o direito de produzir uma quantidade inicial de 30,4 milhões de doses em dezembro e janeiro, enquanto a vacina ainda estiver em testes

Foto de 26 de março de 2020 mostra pesquisador trabalhando na replicação viral para desenvolver uma vacina contra o novo coronavírus em Belo Horizonte, Minas Gerais
Foto de 26 de março de 2020 mostra pesquisador trabalhando na replicação viral para desenvolver uma vacina contra o novo coronavírus em Belo Horizonte, Minas Gerais (AFP/Arquivos)

O Brasil anunciou neste sábado (27) ter chegado a um acordo para produzir até 100 milhões de doses da vacina contra o novo coronavírus desenvolvida pela Universidade de Oxford, que o país está ajudando a testar.

A vacina, na qual a universidade trabalha em conjunto com o grupo farmacêutico AstraZeneca, está entre as mais promissoras entre as dezenas em que pesquisadores de todo o mundo estão trabalhando.

Segundo o acordo de US$ 127 milhões (R$ 695 milhões), a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) vai adquirir a tecnologia e os insumos para a produção da vacina, que é testada na Grã-Bretanha e na África do Sul, além do Brasil.

O secretário-executivo do Ministério da Saúde, Elcio Franco, disse que o acordo dará ao Brasil uma vantagem caso a vacina se revele eficaz e segura. "A compra de lotes e a transferência de tecnologia nos darão autonomia de produção", disse durante coletiva de imprensa.

"O Brasil busca evitar situações como as ocorridas no início da pandemia, quando a alta demanda não permitiu que tivéssemos acesso a insumos e medicamentos. Estaremos eliminando as margens de lucro exorbitantes aplicadas durante a pandemia", acrescentou.

O acordo dá ao Brasil o direito de produzir uma quantidade inicial de 30,4 milhões de doses em dezembro e janeiro, enquanto a vacina ainda estiver em testes. Os US$ 127 milhões de dólares estipulados no acordo abrangem US$ 30 milhões de direitos à tecnologia da vacina e ao processo de produção, disseram as autoridades.

Se a vacina passar nos testes clínicos, o Brasil terá o direito de produzir 70 milhões de doses adicionais a um custo estimado em US$ 2,30 cada. "Se os ensaios clínicos não se mostrarem seguros, nós aprenderemos, teremos o avanço tecnológico.... Esses insumos poderão ser utilizados na produção de vacinas no nosso país", disse o secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde Arnaldo Correia de Medeiros.

Esta semana, os pesquisadores brasileiros começaram a administrar a vacina, conhecida como ChAdOx1 nCoV-19, a voluntários. O Brasil foi escolhido porque é um dos países onde o vírus está se espalhando mais rapidamente.

O país tem o segundo maior número de casos e mortes do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, com mais de 1,2 milhão de pessoas infectadas e 55.000 falecidas, de acordo com os últimos dados oficiais.

Os especialistas afirmam que a realização de um número relativamente baixo de testes de detecção indica que os números reais da pandemia no país com perto de 212 milhões de habitantes sejam provavelmente muito maiores.

Análise de resultados

A diretora de Ciência e Tecnologia da Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos, Camile Sachetti, afirmou neste sábado, 27, que o governo espera ter resultados preliminares da eficácia da vacina para a covid-19 entre outubro e novembro.

"Os resultados de eficácia da vacina serão avaliados mês a mês e serão incluídos ao Reino Unido para serem avaliados nesse conjunto. Então, a ideia é que esses resultados preliminares sejam apresentados entre outubro e novembro. Todos esses dados serão somados aos dados mundiais", disse durante entrevista coletiva.

Segundo o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Elcio Franco, as 100 milhões de doses previstas no acordo serão produzidas no Brasil através da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Para os primeiros lotes, o País receberá o princípio ativo da vacina (Concentrado Vacinal Viral - IFA), mas com a produção e envasamento do imunizante em território nacional.

Medeiros afirmou que o Brasil chegou ao número de 100 milhões de doses para que a cobertura atinja todos os idosos, pessoas com comorbidades, profissionais da saúde, professores, indígenas, pessoas em privação de liberdade e profissionais de segurança e motoristas de transporte coletivo. De acordo com o secretário, tendo o lote, a distribuição é feita em questão de semanas. "Isso porque temos o SUS, a distribuição é muito rápida", disse.

Ativo

Os técnicos presentes na coletiva afirmaram ainda que, com a parceria, o Brasil também tem a previsão de produzir, em algum momento, o princípio ativo para a vacina. Secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos, Hélio Angotti Neto disse que isso irá depender do avanço das pesquisas e do plano de trabalho pactuado pela Fiocruz.

"Na segunda grande remessa, de 70 milhões de doses, está incluído no preço da importação do ativo. Observamos no mercado que muitas vezes produzir é mais caro que importar, mas temos visão de que poder desenvolver o ativo tem valor estratégico. Tudo isso tem de ser visto conforme a situação evolui, conforme preços, conforme outras opções, pode ser que tenhamos mais opções de vacina, e cenário será avaliado", disse Angotti. Segundo os técnicos, há insumos vindos da China, dos Estados Unidos, da União Europeia e da Índia.


AFP



Comentários
Newsletter

Você quer receber notícias do domtotal em seu e-mail ou WhatsApp?

* Escolha qual editoria você deseja receber newsletter.

DomTotal é mantido pela EMGE - Escola de Engenharia e Dom Helder - Escola de Direito.

Engenharia Cívil, Ciência da Computação, Direito (Graduação, Mestrado e Doutorado).

Saiba mais!