Ciência e Tecnologia

30/06/2020 | domtotal.com

'Feed de Notícias' do Facebook dará prioridade a posts com fontes transparentes

Medida é anunciada após plataforma sofrer boicote de multinacionais em campanha antirracista

A plataforma ataca desta forma a propagação de notícias e vídeos que não buscam informar mas sim enganar ou prender os usuários, para fins políticos ou financeiros
A plataforma ataca desta forma a propagação de notícias e vídeos que não buscam informar mas sim enganar ou prender os usuários, para fins políticos ou financeiros (Arquivos/AFP)

O Facebook dará prioridade aos artigos respaldados, com base em informações de primeira mão e escritos por jornalistas identificados, anunciou nesta terça-feira (30) o gigante das redes sociais, que tenta combater a desinformação e o conteúdo enganoso.

"Hoje estamos atualizando a maneira como as notícias se hierarquizam no 'Feed de Notícias' para favorecer que apareçam reportagens autênticas e artigos publicados de forma transparente", disse o Facebook em comunicado.

Quando diferentes postagens sobre as mesmas notícias forem publicadas, o algoritmo identificará a que "cita a fonte da informação com maior frequência" e a colocará no topo.

A plataforma ataca desta forma a propagação de notícias e vídeos que não buscam informar mas sim enganar ou prender os usuários, para fins políticos ou financeiros.

Geralmente apresentados de forma sensacionalista para gerar "visualizações", "clicks" e material a ser compartilhado, esses conteúdos podem ter sido criados por 'fazendas de conteúdo' e basear-se em relatórios da mídia que investiu recursos para encontrar a informação.

No entanto, o Facebook esclareceu que a escolha do usuário continuará tendo prioridade, pois "a maior parte da informação vem de fontes que as pessoas seguem ou que seus amigos seguem, e isso não mudará".

A rede social não espera que essa medida tenha um forte impacto nos jornais. "A informação de primeira mão e as postagens bem fundamentadas podem ter um aumento em sua distribuição (...), mas é importante lembrar que o 'News Feed' usa uma ampla variedade de sinais para priorizar o conteúdo".

'Boicote'

A medida foi anunciada após o Facebook ser criticado por grupos que se definem como antirracistas e que consideram que a rede social não faz o suficiente para combater o discurso de ódio.

A Associação Nacional para o Progresso das Pessoas de Cor (NAACP) e a Liga Antidifamação judia lançaram neste sentido uma campanha chamada "Pare o ódio que dá lucro" (#StopHateForProfit, em inglês), em um contexto de mobilização política e polêmicas, tanto pela morte do afro-americano George Floyd quanto pela campanha eleitoral. 

A campanha propõe boicotar anúncios no Facebook em julho e conta com o apoio de várias organizações antirracistas. Seu objetivo é conseguir uma melhor regulação dos grupos que incitam o ódio, o racismo e a violência nas redes sociais.

A multinacional anglo-holandesa de alimentos e cosméticos Unilever anunciou na semana passada que iria suspender sua publicidade nos Estados Unidos pelas plataformas Facebook, Twitter e Instagram até o final do ano, pelo menos, devido a um "período eleitoral polarizado".

Segundo a empresa, "as marcas têm a obrigação de construir um ecossistema digital confiável e seguro. É por isso que nossas marcas não anunciarão no Facebook, no Instagram e no Twitter". 

Um porta-voz da Unilever explicou que "muito mais pode ser feito, especialmente em face da divisão e do discurso de ódio presente neste período eleitoral muito polarizado nos Estados Unidos". "Continuar com nossa publicidade nessas plataformas neste momento não contribuiria com nada para as pessoas ou a sociedade", afirmou.

'Não há lugar para o racismo nas redes sociais'

A Coca-Cola, que investe enormes quantias de dinheiro em anúncios, informou na sexta-feira (26) que vai suspender por pelo menos 30 dias sua publicidade nas redes sociais como parte de uma campanha contra o racismo nestas plataformas.

"Não há lugar para o racismo no mundo e não há lugar para o racismo nas redes sociais", disse James Quincey, diretor-executivo da gigante mundial em um breve comunicado. Quincey exigiu às redes sociais mostrar uma maior "transparência e responsabilidade", depois que outras marcas decidiram retirar seus anúncios delas para obrigá-las a suprimir conteúdos que incidem o ódio.

A Coca-Cola aproveitará este período para "fazer um balanço sobre (suas) estratégias publicitárias e ver se precisa revisá-las", explicou o diretor-executivo. A gigante americana de refrigerantes informou ao canal CNBC que esse "descanso" não significa adesão ao movimento lançado na semana passada por associações de defesa de afro-americanos e da sociedade civil.

A empresa de telecomunicações americana Verizon anunciou também na semana passada que "pausaria" a publicidade no Facebook.

O movimento teve adesão nesta terça (30) de nomes como Adidas, Volkswagen, Honda, VF (fabricante dos tênis da marca Vans), HP e a Pfizer. Na segunda (29), nomes como Ford e Microsoft também revelaram que não pretendem gastar com anúncios os serviços da rede social. 

Segundo uma pesquisa da Federação Mundial de Anunciantes, um terço dos 58 principais anunciantes do mundo pretendem aderir ao boicote – no total, eles investem US$ 100 bilhões (R$ 5,457 bilhões) em marketing. Até agora, mais de 240 organizações já teriam aderido ao movimento. 

Um representante da Volkswagen disse que a companhia vai reavaliar a adequação das plataformas do Facebook como um canal de comunicação da empresa. 

Na visão de analistas, o efeito de eco dos anúncios poderá afetar a empresa num futuro próximo. "Dada a quantidade de ruído após o posicionamento da empresa, haverá impacto significativo no negócio do Facebook", disse Bradley Gastwirth, da corretora Wedbush Securities, em nota a investidores. "O Facebook precisa cuidar desse assunto rapidamente antes que ele entre numa espiral fora de controle." 

Para Mark Shmulik, da consultoria Bernstein Securities, o ambiente atual, especialmente após as manifestações antirracismo nos EUA, tem um comportamento diferente: "marcas que não se engajam no boicote podem soar cúmplices a essas posturas", afirmou ele em nota.


AFP/Agência Estado/Dom Total



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