Religião

01/07/2020 | domtotal.com

Papa envia mensagem à imprensa católica

Francisco exorta a estar unidos numa época marcada pela polarização, até mesmo na comunidade católica

Francisco destaca desafios de 'informar e unir' para vencer 'as doenças do racismo, da injustiça e da indiferença'
Francisco destaca desafios de 'informar e unir' para vencer 'as doenças do racismo, da injustiça e da indiferença' (Vatican News/ Andrea Tornielli)

O papa enviou uma mensagem à Associação Católica de Imprensa dos Estados Unidos e Canadá, destacando os desafios de "informar e unir" para vencer "as doenças do racismo, da injustiça e da indiferença".

"É essencial a missão dos meios de comunicação para manter as pessoas unidas, encurtando distâncias, fornecendo as informações necessárias e abrindo as mentes e os corações à verdade", diz Francisco, num texto divulgado esta terça-feira (30) pelo Vaticano.

"As nossas comunidades precisam dos meios de comunicação para informar e unir", acrescenta. O papa lamenta a "polarização" que tomou conta da opinião pública, até na comunidade católica, desejando que os meios de comunicação sejam capazes de "construir pontes, defender a vida e derrubar muros, visíveis e invisíveis, que impedem o diálogo sincero e a verdadeira comunicação".

Francisco espera ainda que os media possam ajudar "as pessoas, sobretudo os jovens, a distinguir o bem do mal, a fazer julgamentos corretos, baseados numa apresentação clara e imparcial dos factos, a compreender a importância do compromisso com a justiça, a concórdia social e o respeito pela casa comum".

A mensagem recorda a importância da "comunhão com o bispo de Roma" [o papa] para a imprensa católica.

Leia a íntegra:

Mensagem de sua santidade papa Francisco à Conferência de Mídia Católica patrocinada pela Associação Católica de Imprensa

Aos membros da Catholic Press Association

Este ano, pela primeira vez em sua história, a Catholic Press Association organiza a Catholic Media Conference de maneira virtual, devido à atual situação de saúde. Acima de tudo, desejo expressar minha proximidade àqueles que foram afetados pelo vírus e àqueles que, mesmo com o risco de suas vidas, trabalharam e continuam trabalhando para ajudar nossos irmãos e irmãs necessitados.

O tema que escolhido para a conferência deste ano – Together while apart (Juntos ainda que separados) – eloquentemente expressa o sentimento de unidade que, paradoxalmente, surgiu da experiência de distanciamento social imposta pela pandemia. Na minha mensagem do ano passado para o Dia Mundial das Comunicações Sociais, refleti sobre como a comunicação nos permite ser, como diz São Paulo, "membros uns dos outros" (cf. Ef4.25), chamados a viver em comunhão dentro de uma rede de relações em constante expansão. Por causa da pandemia, todos percebemos mais plenamente essa verdade. De fato, a experiência dos últimos meses nos mostrou que a missão dos meios de comunicação é essencial para aproximar as pessoas, encurtar distâncias, fornecer as informações necessárias e abrir mentes e corações para a verdade.

Foi precisamente essa descoberta que levou à criação dos primeiros jornais católicos em seus países, além do apoio constante que os pastores da Igreja lhes deram. Vemos isso no caso da Catholic Miscellany de Charleston, fundada em 1822 pelo bispo John England, e que foi seguido por muitos outros jornais e revistas. Hoje, como então, nossas comunidades têm jornais, rádio, televisão e redes sociais para compartilhar, comunicar, informar e unir.

E pluribus unum (De muitos, um), o ideal de unidade em meio à diversidade refletida no lema dos Estados Unidos, também deve inspirar seu serviço ao bem comum. Isso é urgentemente necessário hoje, em uma era marcada por conflitos e polarizações às quais a própria comunidade católica não é imune.

Precisamos de meios de comunicação capazes de construir pontes, defender a vida e derrubar muros, visíveis e invisíveis, que impeçam o diálogo sincero e a verdadeira comunicação entre pessoas e comunidades. Precisamos de meios de comunicação que possam ajudar as pessoas, especialmente os jovens, a distinguir o bem do mal; desenvolver julgamentos sólidos com base em uma apresentação clara e imparcial dos fatos; e entender a importância de trabalhar pela justiça, a concórdia social e o respeito à nossa casa comum. Precisamos de homens e mulheres com valores sólidos que protejam a comunicação de tudo o que possa distorcê-la ou desviá-la para outros fins.

Peço-lhes, portanto, que permaneçam unidos e sejam um sinal de unidade também entre si. Os meios de comunicação podem ser grandes ou pequenos, mas na Igreja essas não são categorias importantes. Na Igreja, todos fomos batizados em um só Espírito e formados membros de um só corpo (cf. 1 Cor 12, 13). Como em qualquer organismo, geralmente os membros menores são os mais necessários. A mesma coisa acontece no corpo de Cristo. Cada um de nós, onde quer que estejamos, é chamado a contribuir, através da profissão da verdade no amor, para o crescimento da Igreja em toda a sua maturidade em Cristo (cf. Ef 4:15).

A comunicação, sabemos, não é apenas uma questão de competência profissional. Um verdadeiro comunicador é completamente dedicado ao bem dos demais em todos os níveis, desde a vida de cada pessoa à vida de toda a família humana. Não podemos nos comunicar verdadeiramente se não nos envolvermos pessoalmente, se não podemos testemunhar pessoalmente a verdade da mensagem que transmitimos. Toda comunicação tem sua fonte última na vida do Deus Uno e Trino, que compartilha conosco as riquezas de sua vida divina e, por sua vez, pede-nos, unidos a serviço de sua Verdade, que comuniquemos esse tesouro aos outros.

Queridos amigos, invoco cordialmente sobre vocês e sobre o trabalho de sua Conferência a efusão dos dons do Espírito Santo de sabedoria, entendimento e conselho. Somente o olhar do Espírito nos permite não fechar os olhos para aqueles que sofrem e buscar o bem verdadeiro para todos. Somente com esse olhar podemos trabalhar efetivamente para superar as doenças do racismo, injustiça e indiferença, que desfiguram a face de nossa família comum. Que, com sua dedicação e seu trabalho diário, vocês possam ajudar outras pessoas a contemplar situações e pessoas com os olhos do Espírito.  Enquanto nosso mundo facilmente fala com adjetivos e advérbios, que os comunicadores cristãos falem com substantivos que reconheçam e promovam a silenciosa reivindicação da verdade e promovam a dignidade humana.

Ontem a Igreja celebrou a solenidade dos apóstolos Pedro e Paulo. Que o espírito de comunhão com o bispo de Roma, que sempre foi uma marca registrada da imprensa católica em seus países, mantenha todos vocês unidos na fé e firmes diante das modas culturais efêmeras que carecem da fragrância da verdade evangélica. Vamos continuar a orar juntos por reconciliação e paz em nosso mundo. Garanto-lhes meu apoio e minhas orações por vocês e suas famílias. E peço-lhes, por favor, que se lembrem de mim em suas orações.

Vaticano, 30 de junho de 2020

Francisco


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Vaticano/ Ecclesia/ Vatican News/ Dom Total

Tradução: Gilmar Pereira



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