Coronavírus

03/07/2020 | domtotal.com

UFMG conduzirá testes com vacina promissora contra o novo coronavírus

Trabalhos em Minas Gerais serão conduzidos pelo Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Fármacos do ICB

Testes nas fases 1 e 2 demonstraram que a vacina tem perfis favoráveis de imunogenicidade e segurança
Testes nas fases 1 e 2 demonstraram que a vacina tem perfis favoráveis de imunogenicidade e segurança (Pixabay)

A CoronaVac, vacina contra o novo coronavírus desenvolvida pela biofarmacêutica chinesa Sinovac Biotech considerada uma das mais promissoras em todo o mundo, será testada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e outros 11 centros brasileiros.

De acordo com a UFMG, a empresa sediada em Pequim fornecerá as doses necessárias para a realização dos testes clínicos, que serão coordenados nacionalmente pelo Instituto Butantan, de São Paulo. O objetivo dos ensaios, que deverão começar ainda neste mês, é avaliar a eficácia e a segurança da vacina. 

Nove mil voluntários brasileiros deverão participar dos testes em seis estados: São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná. Para iniciar os testes da CoronaVac, o Instituto Butantan aguarda o aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep).

Em Minas Gerais, o parceiro do Butantan é o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Fármacos (CPDF) do Instituto de Ciências Biológicas (ICB). O coordenador do CPDF, professor Mauro Martins Teixeira, explica que a vacina vale-se de tecnologia já conhecida "com vírus purificado e inativado (morto)". Segundo ele, "sua eficácia é comprovada para outras doenças, como gripe comum, poliomielite, difteria e tétano, hepatite A e B, além de infecções meningocócicas e pneumocócicas conjugadas".

Por isso, a expectativa é de que sua aprovação possa ocorrer mais facilmente. Os estudos pré-clínicos e clínicos de Fase 1 e 2 demonstraram que a vacina tem perfis favoráveis de imunogenicidade e segurança.

Os testes em animais revelaram que a CoronaVac induziu a produção de anticorpos neutralizantes específicos para Sars-CoV-2 em camundongos, ratos e primatas não humanos. Esses anticorpos neutralizaram 10 estirpes representativas de Sars-CoV-2, "o que sugere a possibilidade de que ela possa neutralizar outras estirpes do novo coronavírus", afirmam autores de um estudo publicado em maio na revista Science.

A Sinovac Biotech também já realizou testes em cerca de 1 mil voluntários chineses nas fases 1 e 2.

Na cidade de São Paulo, os testes serão conduzidos pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, pelo Instituto de Infectologia Emílio Ribas e pelo Hospital Israelita Albert Einstein. Outras instituições paulistas envolvidas são a Universidade Municipal de São Caetano do Sul, o Hospital das Clínicas da Unicamp, em Campinas, a Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto e a Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto.

A vacina também será testada pela Universidade de Brasília (UnB), pelo Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, no Rio de Janeiro, pelo Hospital São Lucas, da PUC do Rio Grande do Sul, e pelo Hospital das Clínicas da Universidade Federal do Paraná.


Dom Total /UFMG



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