Coronavírus

03/07/2020 | domtotal.com

Conselho Municipal de Saúde recomenda 'lockdown' em BH: 'Situação muito grave'

Capital mineira registra esgotamento das vagas de leitos de UTI em alguns hospitais

Capital mineira está com 87% dos leitos de unidade de terapia intensiva (UTI) para pacientes com Covid-19 ocupados
Capital mineira está com 87% dos leitos de unidade de terapia intensiva (UTI) para pacientes com Covid-19 ocupados (Amira Hissa/PBH)

Com 168 mortes e 7.144 casos de Covid-19, Belo Horizonte deve decretar lockdown imediatamente. A recomendação é do Conselho Municipal de Saúde e foi enviada à Prefeitura de BH nesta sexta-feira (3). Em comunicado à imprensa, o conselho ressalta que se tratae da "alternativa mais adequada para reduzir a taxa de ocupação tanto nos leitos de CTI quanto de enfermaria, e evitar, assim, a morte por desassistência de usuários e usuários do SUS na capital mineira".

Leia também:

A taxa de ocupação dos leitos de UTI e de enfermaria para pacientes com Covid-19 caminha para 100%. Por isso, o conselho recomenda a medida drástica. O órgão também reivindica a abertura de leitos da rede a pública, aquisição de leitos da rede privada e a abertura do hospital de campanha, erguido no Expominas, mas que ainda continua fechado pelo governo estadual de Minas.  

“Esse conselho é a favor do fechamento total da cidade, do lockdown, e é isso que nós viemos aqui pedir as autoridades municipais, porque todos os hospitais estão com quase sua lotação esgotada para leitos de CTI, tem hospital que não tem nenhuma vaga mais de CTI para Covid-19 e nem de enfermaria. Isso é uma situação muito grave e nós pedimos a compreensão das pessoas porque qualquer um de nós pode precisar de um leito desses. Nós estamos numa situação de guerra e quem pede a abertura da cidade, a volta de comércio não está percebendo que nós, pedindo isso, nós vamos levando as pessoas para a morte”, disse a presidente do Conselho de Saúde de Belo Horizonte, Carla Anunciatta, em entrevista à TV Globo Minas.

Um dos principais hospitais da cidade, a Santa Casa está com todos os 70 leitos de UTI ocupados.  Já a taxa de ocupação dos leitos clínicos está perto de 87%. A situação é semelhante no Hospital Risoleta Neves, que tem ocupação total no caso de UTI para pacientes com Covid-19. Hospitais particulares também registram ocupação superior a 80%.

Em razão do cenário de agravamento da situação, o comércio não essencial permanece fechado desde a última segunda-feira (29) e ficará da mesma maneira na próxima semana, já que a reunião semanal da PBH para tratar sobre a flexibilização nem vai ocorrer nesta sexta-feira (3). 

Reunião

Nessa quinta-feira (2), representantes do setor se reuniram com o prefeito Alexandre Kalil para discutir a situação.  Eles apresentaram proposta, mas ouviram do chefe do executivo municipal que o momento é crítico.

De acordo com o prefeito, a reabertura do comércio deve ter novas fases quando a epidemia for controlada na capital. “Gostaria de me desculpar por tudo o que está acontecendo. Queria dizer aos comerciantes que não estamos e nunca estivemos em lados opostos. Abrir o comércio neste momento é desesperador. Em Belo Horizonte,  estamos muito próximos do achatamento da curva de contaminação que, no entanto, vem aumentando loucamente em Minas Gerais. Parece que há uma tentativa de dizer que Belo Horizonte ficou parada no combate ao coronavírus. Então, vou mostrar os números. De março até hoje, aumentamos o número de leitos de Belo Horizonte em 400%”, afirmou, destacando que, mesmo com o aumento, a taxa de ocupação está no limite.

Kalil informou que os comerciantes serão chamados para conversar novamente. “Nós vamos sentir o resultado deste fechamento do comércio na próxima semana. Os números estão subindo no restante do estado porque houve flexibilização precoce. Agora é o momento de sentar com os comerciantes e esclarecer que a prefeitura está assumindo um ônus que não é dela. Estamos agindo como se fôssemos o estado. Mas não somos. Somos a cidade de Belo Horizonte. Mas quero dizer o seguinte: vamos tentar controlar a situação e, quando esses números preocupantes abaixarem, nós vamos abrir o comércio”, disse o prefeito.

Participaram da reunião com o prefeito representantes do comércio de óticas, tecidos, vestuários, armarinhos, calçados, livrarias, papelarias, joalherias, supermercados, setores atacadista e varejista, automóveis e acessórios, shoppings, hotéis, restaurantes e bares.

Os empresários propuseram ao comitê de enfrentamento à epidemia que a reabertura do comércio aconteça por quatro dias na semana – de terça a sexta-feira –, no horário das 11h às 19h. A proposta será analisada até a próxima quarta-feira (8), data em que outra reunião foi convocada pelo prefeito Alexandre Kalil com os comerciantes da capital.


Dom Total



Comentários
Newsletter

Você quer receber notícias do domtotal em seu e-mail ou WhatsApp?

* Escolha qual editoria você deseja receber newsletter.

DomTotal é mantido pela EMGE - Escola de Engenharia e Dom Helder - Escola de Direito.

Engenharia Cívil, Ciência da Computação, Direito (Graduação, Mestrado e Doutorado).

Saiba mais!