Cultura

11/07/2020 | domtotal.com

Cinemas da Índia batalham com plataformas de streaming durante isolamento social

No país que mais produz filmes no mundo, os cinemas estão fechados há quatro meses e ainda não tem nada para reabertura

Guarda de segurança na entrada de um cinema fechado devido à pandemia de Covid-19 em Bombaim, Índia
Guarda de segurança na entrada de um cinema fechado devido à pandemia de Covid-19 em Bombaim, Índia (AFP)

Com os cinemas fechados desde março e sem perspectivas de reabertura iminente, a pandemia de coronavírus intensificou a batalha na Índia entre salas escuras e plataformas de vídeo no país de Bollywood.

Subitamente privados de estreias para seus filmes, produtores de Bollywood recorreram a Amazon Prime, Netflix ou Disney+ Hotstar para lançar suas produções, provocando a indignação das redes de cinema tradicionais.

Em junho, a Amazon Prime disponibilizou o filme Gulabo Sitabo online, com a estrela de Bollywood Amitabh Bachchan, sem passar pela tela de cinema. É uma iniciativa seguida por outros filmes hindus, mas também pelas principais indústrias cinematográficas regionais em Tamil, Telugu e Malayalam.

A segunda maior rede multiplex da Índia, INOX Leisure Limited, alertou os produtores que se arriscam a possíveis "medidas de retaliação". "As estrelas de cinema não são feitas na tela pequena, sim na tela grande", disse Siddharth Jain, diretor executivo da INOX.

Nesta batalha de muito dinheiro, os cinemas já não escondem a preocupação, disse Jain. "Nenhum modelo de negócios no mundo pode competir com dinheiro de graça, e Netflix é apenas dinheiro de graça", afirmou.

A Índia é o maior produtor de filmes do mundo, com quase 1,8 mil estreias em 2018 em diversos idiomas, e algumas estrelas são alvo de um culto quase religioso.

O cinema é imensamente popular e acessível na Índia. Por aproximadamente um dólar, um ingresso possibilita três horas de entretenimento em uma sala com ar acondicionado.

Cinema no sangue

Alguns cinemas, mais exclusivos e mais caros, oferecem até assentos confortáveis, cobertores contra o frio do ar condicionado e uma ampla variedade de pratos servidos diretamente ao espectador em seu assento.

Mas com um gigantesco mercado entre as pessoas com menos de 30 anos, muitos dos quais são consumidores ávidos de conteúdo móvel, o país de 1,3 bilhão de habitantes é um mercado atraente para os gigantes da transmissão online, que investiram bastante nos últimos anos.

Agora propriedade do grupo Disney, Hotstar – líder do mercado local –, afirma que registrou 300 milhões de usuários mensais em 2018. A plataforma oferece alguns conteúdos gratuitos e outros para assinantes.

O diretor de conteúdo da Amazon Prime na Índia, Vijay Subramaniam, afirma que as plataformas de transmissão não estão tentando eliminar os cinemas. "Os cinemas desempenham um papel importante na distribuição de filmes e não estamos tentando mudar isso", disse.

Os cinemas indianos estão se preparando para a reabertura, mas esperam cumprir com as normas de saúde que reduzirão ainda mais sua faturação, mas estão longe de ter dito sua última palavra.


AFP



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