Cultura

06/07/2020 | domtotal.com

Compositor italiano Ennio Morricone morre aos 91 anos

'Il Maestro' foi autor de trilhas sonoras de filmes aclamados em todo o mundo, chegando a ganhar um Oscar em 2016

Ennio Morricone durante uma entrevista em 3 de julho de 2017 em Roma
Ennio Morricone durante uma entrevista em 3 de julho de 2017 em Roma (AFP/Arquivos)

O célebre compositor italiano Ennio Morricone, autor de trilhas sonoras de filmes aclamados e vencedor de dois Oscars, faleceu em Roma, nesta segunda-feira (6), aos 91 anos.

Morricone estava hospitalizado em uma clínica de Roma após sofrer uma queda, na qual fraturou o fêmur. Ele permaneceu "totalmente lúcido e com uma grande dignidade até o último momento", completa o comunicado. Ennio Morricone faleceu "reconfortado pela fé", afirma em um comunicado o advogado e amigo da família Giorgio Assuma.

O prolífico músico compôs quase 500 trilhas sonoras, incluindo temas inesquecíveis como o assovio de Três homens em conflito (1966), ou o magnífico solo de oboé de A missão (1986). Tem o mérito de ser o autor de melodias que milhões de pessoas, cinéfilas ou não, conhecem ou sabem cantarolar.

Em 2016, venceu o Oscar pela trilha sonora do filme Os oito odiados, de Quentin Tarantino. Em 2007, já havia recebido um Oscar honorário por sua abundante e elogiada carreira musical.

Há apenas alguns dias, Morricone foi anunciado o vencedor, ao lado do também compositor John Williams, com o prêmio Princesa das Astúrias das Artes na Espanha.

"Sempre nos recordaremos, e com um reconhecimento infinito do gênio artístico, do maestro Ennio Morricone. Nos fez sonhar, nos emocionou e fez pensar, escrevendo notas inesquecíveis que ficarão para sempre na história da música e do cinema", escreveu no Twitter o primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte.

"Adeus mestre e obrigado pelas emoções que nos presenteou", escreveu, também no Twitter, ministro italiano da Saúde, Roberto Speranza.

Chico Buarque

Para evitar problemas com o regime militar, Chico Buarque passou 15 meses na Itália, no fim dos anos 1960. Em Roma, ele conheceu Ennio Morricone. Os dois se juntaram para fazer um álbum que, durante décadas, foi cobiçado por colecionadores. Em Per Un Pugno Di Samba - um trocadilho com o título original do filme Por Um Punhado de Dólares (1964), de Sergio Leone, para o qual Morricone fez a trilha - Chico interpretou sucessos da carreira vertidos para o italiano por ele e Sergio Bardotti, que fez a ponte para que Morricone se integrasse ao trabalho.

O álbum foi uma tentativa da gravadora RCA de emplacar Chico no mercado fonográfico italiano, mas a repercussão foi nula e o disco somente teve uma edição brasileira em 2003. As orquestrações grandiosas de Morricone vestiram músicas como Rotativa e Tu Sei Una Di Noi, respectivamente versões em italiano de Roda Viva e Quem te Viu, Quem te Vê. O resultado é curioso e bem diferente das gravações originais.

Três das 12 faixas eram inéditas: Não Fala de Maria, Nicanor e Samba e Amor, cujas versões originais em português foram registradas posteriormente, no álbum Chico Buarque de Hollanda nº4 (1970), que saiu quando o cantor e compositor já estava de volta ao Brasil.

Houve também outra versão de Per um Pugno Di Samba com os vocais gravados em português, Sambas do Brasil. O disco foi reeditado em CD no exterior com outra capa, mas permanece inédito no país.

História

Morricone nasceu em 10 de dezembro de 1928 em Roma e começou a compor aos seis anos. Aos 10, foi matriculado em um curso de trompete da prestigiosa Academia Nacional Santa Cecília de Roma.

Também estudou composição, orquestra e órgão. Em 1961, aos 33 anos, estreou no cinema com a música de O fascista, de Luciano Salce. Morricone ganhou fama em meados dos anos 1960, com as trilhas sonoras de westerns como Por um punhado de dólares e Três homens em conflito.

Sua versatilidade permitiu que trabalhasse na música de filmes premiados e muito diferentes, incluindo O homem das estrelas (1984), A missão (1986) e Cinema Paradiso (1988).

"A música de 'A missão' nasceu de uma obrigação. Tinha que escrever um solo oboé, se passava na América do Sul no século 16, e tinha a obrigação de respeitar o tipo de música do período. Ao mesmo tempo, eu tinha que compor uma música que também representasse os índios da região. Todas as obrigações me prendiam (...) Mas também fizeram com que saísse algo claro", recordou o compositor em uma entrevista em 2017.

Além das duas estatuetas do Oscar, Morricone também foi premiado com Globos de Ouro e Grammy, compôs óperas e canções para artistas pop, em uma prolongada carreira que encerrou de maneira brilhante em 2018 com uma turnê mundial de despedida.

"O fato de eu ter conseguido compor músicas com total liberdade, e tão diversas, foi possível não apenas porque eu tinha técnica, mas também porque era necessário que eu mudasse a cada vez minha maneira de compor. O filme exigia. Acostumei, cada vez era diferente", explicou "Il Maestro".


AFP/Dom Total



Comentários
Newsletter

Você quer receber notícias do domtotal em seu e-mail ou WhatsApp?

* Escolha qual editoria você deseja receber newsletter.

DomTotal é mantido pela EMGE - Escola de Engenharia e Dom Helder - Escola de Direito.

Engenharia Cívil, Ciência da Computação, Direito (Graduação, Mestrado e Doutorado).

Saiba mais!