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06/07/2020 | domtotal.com

Reino Unido investirá R$ 10,5 bilhões em plano de resgate do setor cultural

Grandes nomes da música britânica pediram em carta que governo agisse com urgência

Festival de Artes Cênicas Contemporâneas de Glastonbury de 2013
Festival de Artes Cênicas Contemporâneas de Glastonbury de 2013 (Arquivos/AFP)

O governo de Boris Johnson investirá R$ 10,5 bilhões para "resgatar" teatros, galerias de arte, salas de concerto e cinemas independentes, um salva-vidas que o setor cultural britânico, muito afetado pela pandemia de coronavírus, acolheu com alívio.

É "o maior investimento de uma única vez realizado na cultura britânica", afirmou o executivo em comunicado.

A medida vem após a multiplicação nas últimas semanas de pedidos cada vez mais desesperados de ajuda do setor criativo muito dinâmico do país.

O setor alertou para o risco de perder milhares de empregos e o desaparecimento de instituições emblemáticas como o Globe, uma réplica do teatro ao ar livre de William Shakeaspeare em Londres, que retoma o repertório do dramaturgo inglês.

Na quinta-feira passada (2), cerca de 1,5 mil grandes nomes da música britânica, de Ed Sheeran e Annie Lennox ao grupo Rolling Stones, passando por Paul McCartney e Depeche Mode, escreveram uma carta aberta ao ministro da Cultura, Oliver Dowden, para pedir uma ação.

A maior parte do "pacote de resgate" de 1,57 bilhão de libras (R$ 10,49 bilhões) irá para instituições culturais na Inglaterra na forma de doações (880 milhões de libras, ou R$ 5,8 bilhões) e empréstimos (279 milhões de libras, cerca de R$ 1,86 bilhões), anunciou o governo.

Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte receberão 97 milhões de libras (R$ 648 milhões), 59 milhões de libras (R$ 394 milhões) e 33 milhões de libras (R$ 220) respectivamente, acrescentou.

"Eu disse que não abandonaríamos o setor cultural e esse investimento massivo mostra nosso compromisso", disse Dowden, afirmando entender os "sérios desafios" que os 700 mil funcionários do setor enfrentam atualmente.

Perda de talentos

Johnson impôs em 23 de março o confinamento para conter o coronavírus, que matou mais de 44 mil pessoas no Reino Unido, tornando-o o país mais severamente punido da Europa.

Seu governo tem determinado a suspensão gradual das restrições e no fim de semana passado os cinemas e museus reabriram, mas os teatros permanecem fechados sem data de reabertura à vista.

O futuro dos shows e festivais de música ao vivo também é incerto devido a medidas físicas de distanciamento.

Em entrevista à Sky News nesta segunda-feira, Dowden disse esperar que os shows ao vivo possam ser realizados neste verão, ou pelo menos projetos "piloto" para encontrar "maneiras inovadoras" de fazê-lo.

Enquanto isso, essa ajuda "é muito bem-vinda no momento em que tantos teatros, orquestras, locais de entretenimento e outras organizações artísticas enfrentam um futuro sombrio", disse o compositor Andrew Lloyd Webber, considerando "absolutamente essencial que a saúde do setor cultural do Reino Unido seja restaurada o mais rápido possível".

Simon Rattle, diretor da Orquestra Sinfônica de Londres, disse que espera que o dinheiro seja distribuído "o mais rápido possível", porque "muitas instituições e artistas individuais estão olhando para o abismo".

E o diretor executivo da organização musical Venue Music Trust, Mark Davyd, saudou essa "intervenção sem precedentes" para a indústria da música ao vivo.

No entanto, alguns teatros regionais já foram forçados a anunciar grandes demissões, e a oposição acusou o governo de demorar demais para agir.

"Esta é uma injeção de dinheiro muito necessária, mas para muitos é muito pouco e muito tarde", disse Jo Stevens, porta-voz da cultura do Partido Trabalhista. "Se perdermos alguns desses empregos, podemos perder um pouco desse talento para sempre", alertou.


AFP



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