Brasil Política

07/07/2020 | domtotal.com

Negacionista da doença, Bolsonaro apresenta sintomas da Covid-19 e começa a tomar hidroxicloroquina

Desde o início da pandemia, Bolsonaro tem minimizado a gravidade da doença e criticado as medidas de isolamento social implementadas em vários estados e municípios

Bolsonaro já está tomando hidroxicloroquina, medicamento que não tem a eficácia comprovada contra a Covid-19
Bolsonaro já está tomando hidroxicloroquina, medicamento que não tem a eficácia comprovada contra a Covid-19 (Marcos Corrêa/PR)

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) anunciou que se submeteu a um teste por suspeita de contágio do novo coronavírus e que os resultados vão sair nesta terça-feira. Ele disse a apoiadores que realizou um exame nos pulmões, mas que está "tudo bem". "Eu vim agora do hospital, fiz uma 'chapa' de pulmão. Tá tudo limpo. Vou fazer exame do covid agora, mas tá tudo bem", afirmou Bolsonaro em frente ao Palácio da Alvorada.

Desde o início da pandemia, Bolsonaro tem minimizado a gravidade da doença e participado de vários eventos públicos sem máscara, além de criticar as medidas de isolamento social implementadas em vários estados e municípios.

De acordo com a CNN Brasil, o presidente relatou ter apresentado febre de 38ºC - um dos sintomas da doença - e já está tomando hidroxicloroquina, medicamento que não tem a eficácia comprovada contra a Covid-19. O exame no pulmão foi realizado no Hospital das Forças Armadas. O resultado é esperado para esta terça-feira 7.

Em um vídeo gravado por um dos seguidores com os quais o presidente costuma falar na porta do Palácio da Alvorada, em Brasília, Bolsonaro apareceu usando uma máscara branca e disse que tinha acabado de voltar do hospital, onde se submeteu a exames.

O mandatário, de 65 anos, já tinha se submetido anteriormente a três exames para o coronavírus. Em maio, foi obrigado pelo Supremo Tribunal Federal a entregar os resultados, que deram negativo.

No sábado, Bolsonaro publicou fotos nas redes sociais nas quais aparece com o rosto descoberto junto a vários ministros e do embaixador de Washington em Brasília, durante almoço de celebração do Dia da Independência dos Estados Unidos.

E nesta segunda-feira vetou outros dois artigos da lei sobre o uso de máscaras em locais públicos para enfrentar a pandemia em Brasil, o segundo país do mundo em número de mortos e de casos confirmados depois dos Estados Unidos.

Segundo a agenda oficial, o presidente despachou durante todo o dia e esteve com seis ministros. Ele teve reuniões com os ministros Paulo Guedes (Economia), Braga Netto (Casa Civil), Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo), Jorge Oliveira (Secretaria-Geral) e Levi Mello (Advocacia-Geral da União).

A última agenda ocorreu às 16h40 com o secretário especial de Cultura, Mário Frias. Às 17h, houve a cerimônia de apresentação do Plano de Contingência para Pessoas com Deficiência e Doenças Raras com a ministra da Família, Mulher e Direitos Humanos, Damares Alves e a primeira-dama, Michelle Bolsonaro, mas o presidente não participou. Ele deixou o Planalto por volta das 17h40 e seguiu para o hospital.

Mesmo admitindo a suspeita, o presidente parou para falar com o grupo que o aguardava voltar à residência oficial após o dia de trabalho. Bolsonaro usava máscara durante a conversa e pediu que as pessoas não chegassem perto dele. "Não pode chegar muito perto não, tá. Recomendação para todo mundo."

A um apoiador que pediu para tirar a máscara para tirar uma fotografia, o presidente primeiro concordou, mas depois disse ao homem que ele não havia autorizado. "Tirou porque quis", afirmou.

De acordo com o último balanço oficial desta segunda-feira, 1,6 milhão de pessoas foram contaminadas e 65.487 morreram por Covid-19 no Brasil.


Dom Total, AE e AFP



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