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08/07/2020 | domtotal.com

Em busca da reeleição, Emmanuel Macron mira a direita

Presidente francês tem nomeado políticos conservadores para cargos no governo

O presidente Emmanuel Macron em 30 de junho de 2020
O presidente Emmanuel Macron em 30 de junho de 2020 (POOL/AFP)

Com a confirmação e a ascensão de políticos conservadores em posições estratégicas em seu governo, o presidente francês Emmanuel Macron deixou claro que vai mirar a direita para enfrentar o fim de seu mandato e buscar a reeleição em 2022.

"Macron procura o caminho à direita", afirmou na terça-feira o jornal Le Figaro, destacando a entrada de várias figuras do partido conservador Os Republicanos (LR) no novo governo, começando com o primeiro-ministro Jean Castex.

Após a derrota de seu partido centrista (LREM) nas eleições municipais de 28 de junho, marcadas pelo avanço dos ecologistas e uma baixa aprovação (35%), muitos analistas previram uma virada social e ecológica para os últimos dois anos de mandato de Macron.

No entanto, quase todas as novas faces de seu governo vêm da direita, mais particularmente da ala socialmente conservadora e pró-empresarial personificada pelo ex-presidente Nicolas Sarkozy (2007-2012), com quem Macron se reúne regularmente.

Segundo o jornal Le Figaro, assim que a composição do novo governo foi revelada na segunda-feira, Sarkozy recebeu uma mensagem de um ex-conselheiro, brincando: "Sr. Presidente, estou surpreso que ninguém tenha me avisado que você havia retornado!".

 A estibordo

Além de Jean Castex, procedente do partido Os Republicanos e que trabalhou com o ex-presidente, Gérald Darmanin, fiel seguidor de Sarkozy, recebeu a sensível pasta do Interior.

Também procedente da direita, Roselyne Bachelot, que foi ministra de Jacques Chirac (1995-2007) e Nicolas Sarkozy (2007-2012), agora é a titular da Cultura.

Bruno Le Maire, outro ex-membro do Os Republicanos, continuará a liderar a Economia e as Finanças e, sob seu comando, o título de ministro da "Reativação" foi adicionado para enfrentar a grave crise econômica e social provocada pelo coronavírus.

Emmanuel Macron "claramente deu às figuras-chave da direita as posições de maior prestígio", disse à AFP o cientista político Pascal Perrineau.

Por outro lado, alguns dos colaboradores mais antigos de Emmanuel Macron, procedentes do Partido Socialista, não passaram no teste da reforma, entre eles o ministro do Interior, Christophe Castaner, e a porta-voz do governo, Sibeth Ndiaye, que acumularam uma série de polêmicas.

O presidente também se separou de seus ministros da Justiça, Agricultura e Trabalho, todos da esquerda. As duas únicas figuras fortes da esquerda que sobraram são Jean-Yves Le Drian, nas Relações Exteriores, e Florence Parly, na Defesa.

Os editoriais foram unânimes em relação à virada à direita de Macron. "Indo para estibordo!", afirma Le Figaro, enquanto para o jornal comunista L'Humanité "O ato I de Macron é a continuação tardia do ato II de Sarkozy".

Fugas

"O novo governo confirma uma mudança para a direita, embora o governo do ex-primeiro-ministro Edouard Philippe já tivesse essas características", analisa Gaspard Estrada, cientista político da Universidade de Paris Science Po.

"Ao fazer isso, Macron estima que a esquerda e os ecologistas não serão capazes de constituir uma candidatura única para as eleições presidenciais de 2022 e que, nesse sentido, sua melhor opção é se posicionar na centro-direita", explica Estrada.

Para os socialistas, que recuperaram vigor nas municipais graças às alianças que selaram com os ecologistas, o novo governo Macron "esclarece o cenário político" entre dois campos, um "claramente à direita" e o outro "sócio-ecológico".

A aposta de Macron coloca em risco sua reeleição nas eleições presidenciais programadas para daqui a dois anos, nas quais as pesquisas o colocam lado a lado com a candidata de extrema-direita Marine Le Pen.

No momento, sua tática está gerando nervosismo dentro do partido conservador, que, embora tenha tentado minimizá-la, precisa enfrentar a correnteza de fugas.

"Se sua política for reduzida a um espetáculo cínico, a uma simples estratégia para recuperar números, é bastante triste", afirmou o deputado e vice-presidente do Os Republicanos, Guillaume Peltier.


AFP



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