Brasil

08/07/2020 | domtotal.com

Sindicatos usam app para fazer 'protesto virtual' em frente ao Ministério da Economia

Manifestantes pediram pela ampliação do auxílio emergencial de R$ 600 até o fim do ano

Respeitando as recomendações da OMS e o decreto do governo do Distrito Federal que impede a concentração de grupos numerosos de pessoas em Brasília, apenas líderes da CUT, Força Sindical, CSB, UGT, CTB e NCST estiveram presentes na manifestação presencial
Respeitando as recomendações da OMS e o decreto do governo do Distrito Federal que impede a concentração de grupos numerosos de pessoas em Brasília, apenas líderes da CUT, Força Sindical, CSB, UGT, CTB e NCST estiveram presentes na manifestação presencial (José Cruz/ABr)

Em tempos de pandemia de Covid-19, as centrais sindicais encontraram uma nova forma de manifestação e promoveram nesta quarta-feira (8) uma aglomeração virtual na Esplanada dos Ministérios. Dessa vez, sem bandeiras, fogos de artifício e barracas, o protesto ocorreu com faixas digitais erguidas por avatares – bonequinhos que simularam a presença dos sindicalistas em um mapa em frente ao Ministério da Economia.

As centrais brasileiras buscaram inspiração nos sindicatos franceses que, como era de se esperar, não deixaram de protestar mesmo durante o pico de transmissão do novo coronavírus na Europa. A plataforma utilizada para emular manifestações a distância foi criada na França e leva o nome Manif.app – o termo informal usado como sinônimo para marchas, protestos e passeatas.

Respeitando as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e o decreto do governo do Distrito Federal que impede a concentração de grupos numerosos de pessoas em Brasília, apenas líderes da CUT, Força Sindical, CSB, UGT, CTB e NCST estiveram presencialmente na frente do ministério. Já no ambiente virtual, mais de 400 militantes marcaram presença e deixaram suas mensagens.

No protesto presencial, a pauta foi clara: a ampliação do auxílio emergencial de R$ 600 até o fim do ano, a criação de um programa permanente de renda básica e uma agenda para a retomada segura do trabalho. Um documento com essas propostas já havia sido entregue ao presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ) no mês passado.

Já na manifestação digital, os avatares de duas dimensões ampliaram o leque de demandas. As mensagens contrárias ao presidente Jair Bolsonaro, ao ministro Paulo Guedes dominaram as faixas levantadas pelos militantes em forma de pixels.

Dessa vez, porém, uma manifestação sindical precisou lidar com o contraditório e com provocações em meio a suas próprias fileiras. Como não há controle sobre os comentários feitos na plataforma, alguns apoiadores do governo se infiltraram no protesto e também levantaram faixas digitais com mensagens de apoio a Bolsonaro e Guedes.

O confronto foi inevitável, mas se limitou a xingamentos mútuos, e nenhum bonequinho se feriu. Não houve danos ao mapa virtual nem a necessidade de forças de segurança digitais dispersarem agressores de ambos os lados. Enquanto isso, um torcedor anônimo aproveitou para gritar "vamos, Flamengo".

Quarentena

Quem não esteve presente – nem virtualmente – foi o próprio ministro Paulo Guedes, que se mantém em quarentena na residência presidencial da Granja do Torto.

Todos os compromissos do ministro na agenda desta quarta e dos próximos dias ocorrerão por meio de videoconferências, já que ele teve contato direto com Bolsonaro – diagnosticado na terça (7) com Covid-19, conforme o próprio presidente informou.

Nada impede, porém, que o próximo protesto digital se teletransporte para o local de isolamento do ministro.


Agência Estado



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