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13/07/2020 | domtotal.com

Inteligência Artificial nos games: uma área de constante evolução

Curso de Ciência da Computação é um diferencial para quem deseja atuar na área

A grande popularidade da indústria dos games alimenta o interesse profissional na área
A grande popularidade da indústria dos games alimenta o interesse profissional na área (Pixabay)

Guilherme Moreira

Inegavelmente, os videogames se tornaram uma grande potência cultural no século 21 e uma parte importante do cotidiano de muitos jovens. A proximidade com a tecnologia e os jogos eletrônicos pode, inclusive, definir os caminhos que um estudante resolve seguir em sua vida. E quando essa paixão deixa o aspecto casual e passa a interessar também para o âmbito profissional? Nesse caso, existem várias áreas possíveis de atuação, e uma delas é a de Inteligência Artificial (IA) para games.

Antes de abordar a IA para jogos, é necessário pontuar o que diferencia essa vertente das tecnologias comuns. O engenheiro Rodrigo Miranda, especialista em Inteligência Artificial, explica que se tratam de duas coisas bastante distintas: “quando se fala em IA para jogos, se fala de algo diferente do que é encontrado no meio acadêmico. Inclusive, se utiliza um termo próprio, que é o Game IA. A diferença é o objetivo. Uma busca a solução para problemas extremamente difíceis, a outra busca a diversão. Então, para esse processo de produção de IA, não interessa como essa inteligência do jogo foi criada, desde que ela seja divertida, desafiadora e que tome decisões coerentes com o contexto do jogo”.

Porém, mesmo com a distinção feita, a Game IA nunca pode ser tratada de forma singular, pois a sua aplicação é possível em diferentes formas, de diferentes gêneros. Quase todos os jogos precisam de uma certa quantidade de Inteligência Artificial. “Como não falar que Last of Us, ou mesmo The Sims, não são jogos com uma ótima IA?! Na minha opinião, IA e Game IA possuem desafios diferentes com objetivos diferentes, mas que podem contribuir uma com a outra”, aponta Rodrigo.

Mesmo no âmbito da Game IA, é necessário fazer distinções sobre como essa aplicação pode funcionar. Rodrigo Miranda esclarece que existe uma diferença entre usar uma Game IA para criar jogos, e desenvolver algoritmos de IA que possam ser usados em jogos eletrônicos: “se o objetivo é criar jogos, então existem várias áreas de IA que o interessado pode aprender e usar. Não precisa saber sobre todas, mas deveria ter um conhecimento para aplicar a melhor IA em seus games. Entenda que não é só uma questão de pegar uma Inteligência Artificial de prateleira e aplicar no jogo... muitas vezes o desenvolvedor acaba tendo que criar soluções práticas de IA para certos problemas, que podem levar anos para serem concluídos em estudos formais”, explica o especialista.

Por outro lado, quando falamos sobre a aplicação de Game IA em jogos eletrônicos, o panorama é um pouco diferente. E, a partir desse modelo, são vários os caminhos que um desenvolvedor pode seguir a depender de seu jogo. Uma movimentação mais complexa de NPCs (Personagem não jogável) ou uma adaptação de dificuldade a partir da experiência do jogador são possíveis aplicações de IA diretamente nos games. “Os algoritmos determinísticos e padrões de movimento são princípios básicos de IA para jogos. Outros tipos que são comumente implementadas são máquinas de estado, sistemas baseados em regras, algoritmos de busca e algoritmos genéticos”, destaca Rodrigo.

Evolução constante

É fato que a Inteligência Artificial para jogos evoluiu muito, acompanhando todo o boom da indústria dos games. Apesar disso, a perspectiva é que essa evolução continue rápida e constante, com um desenvolvimento cada vez maior de IAs que dialoguem e se adaptem à necessidade de cada jogo e jogador. “A previsão é que, em um futuro próximo, o jogo aprenderá o modo de jogar do jogador e criará estratégias novas durante uma partida. Faltam agora os computadores ganharem uma maior capacidade de processamento de dados, para que os algoritmos com alto custo sejam viáveis em tempo real”, aponta Rodrigo. A capacidade de processamento dos hardwares, seja de videogames ou de computadores que estão em constante aprimoramento, é um dos fatores que influenciam diretamente na atuação da IA. Um exemplo citado pelo engenheiro é a nova placa de vídeo RTX da NVIDIA, que simula o comportamento da luz de refração e reflexão, fazendo uma grande diferença na percepção de realidade dentro do game, como demonstra o vídeo abaixo:

Primeiros passos para a área

Caso o estudante tenha a intenção de trabalhar com Game IA, o primeiro passo é estudar a distinção das possíveis aplicações. Compreender os desafios de cada uma é um exercício interessante para decidir qual a área desejada. “Em ambos os casos, penso que tentar criar um jogo pode ser um bom início para entender as necessidades e dificuldades da área. Também acho que é uma ótima oportunidade para decidir se quer desenvolver jogos ou IA para jogos – coisas que têm interseção, mas ainda sim diferentes”, esclarece Rodrigo. Para o especialista, se o objetivo for criar algoritmos de IA, o estudo formal em Ciência da Computação será o melhor direcionamento. “E claro, buscando um local que esteja com pesquisa para jogos, ou similares”, completa.

O professor e pesquisador Cristiano Lacerda, coordenador de Ciência da Computação da EMGE, acredita que os profissionais desse curso possuem a maior bagagem teórica e técnica necessária para o desenvolvimento de algoritmos de IA. “Atualmente, a grade do curso contempla, além das disciplinas curriculares obrigatórias definidas pelo MEC, um bloco de disciplinas eletivas nos dois últimos períodos do curso que possibilitam aos alunos aprofundarem em temas mais específicos como Inteligência Artificial e Desenvolvimento de Jogos”, explica o profissional sobre a experiência oferecida pela instituição. 

Além disso, ferramentas de pesquisa e aprimoramento são necessárias para o desenvolvimento dessas competências. “Utilizamos diversas plataformas para desenvolvimento de jogos para introdução de conceitos teóricos. Um exemplo é a Minecraft for Education, que desde o primeiro período é utilizada como recurso para auxílio à aprendizagem”, completa Cristiano.

Veja também:

Guilherme Moreira/Necom Dom Helder e EMGE



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