Brasil

13/07/2020 | domtotal.com

Guedes reforça compromisso do governo federal com questões ambientais

Ministro da Economia disse ainda que 'não faltou dinheiro para atender problemas de saúde na pandemia'

Durante discurso em evento da OCDE, Guedes repetiu o desejo do Brasil em integrar a organização, até mesmo para implementar os melhores padrões de gestão também na área ambiental
Durante discurso em evento da OCDE, Guedes repetiu o desejo do Brasil em integrar a organização, até mesmo para implementar os melhores padrões de gestão também na área ambiental (Wilson Dias/ABr)

Em meio à mudança de postura do governo em relação aos temas ambientais, o ministro da Economia, Paulo Guedes, aproveitou nesta segunda-feira (13) a participação em evento da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) para fazer um discurso enfático de compromisso com a preservação da Amazônia. Após pressões de diversos investidores internacionais, o governo tem tentando mudar a imagem do Brasil em relação à preservação da floresta.

"Sabemos que temos que reduzir os efeitos sobre o meio ambiente. Queremos apoio e compreensão para fazer isso melhor. O Brasil sabe da importância do desenvolvimento sustentável não apenas do ponto de vista fiscal, como do ponto de vista ambiental", discursou o ministro da Economia. "Se há excessos e erros, corrigiremos. Ou melhor dizendo, não aceitaremos o desmatamento ilegal e a exploração ilegal de recursos", completou, em participação na Cúpula Ministerial Virtual da OCDE sobre Inclusão Social para a América Latina e o Caribe.

Além da pressão de investidores internacionais, um grupo formado por ex-ministro da Fazenda e ex-presidentes do Banco Central também divulgou carta para cobrar mudanças na política ambiental do governo de Jair Bolsonaro. O vice-presidente Hamilton Mourão foi escalado para tentar amenizar a pressão e se reuniu com 10 grandes fundos internacionais na semana passada, sem a participação de Guedes.

Na semana passada, a imprensa revelou que o governo travou o repasse de R$ 33 milhões doados pela Noruega e Alemanha para o Ibama, que seriam destinados à Amazônia. Em agosto do ano passado, Bolsonaro chegou a dizer que não precisava do dinheiro de países europeus para preservar a floresta. Nesta segunda-feira, Guedes pediu ajuda de outros países para que o governo consiga lidar com a questão ambiental.

"A Amazônia é maior que a Europa, é difícil monitorar tudo. Em um país com carência de educação e saneamento, como policiar toda a selva Amazônica sem ajuda? Estamos abertos à cooperação e ajuda para saída da crise", completou o ministro.

Guedes retomou ainda o discurso de duas semanas atrás, quando reverberou uma fala de Bolsonaro de que parte das críticas à política ambiental brasileira ocorreriam por má fé de países que competem com o Brasil no mercado global. "Sabemos que preservamos mais as nossas florestas e protegemos nossos povos indígenas melhor que outros países, onde houve guerras de extermínio. O Brasil alimenta o mundo preservando o seu meio ambiente", apontou. "Queremos ajuda, mas não aceitamos falsas narrativas sobre o que aconteceu nas ultimas décadas. Pedimos compreensão à comunidade mundial. Muitos escondem seu protecionismo condenando o Brasil. Há muitos interesses protecionistas criticando o Brasil e não ajudando", argumentou.

Ao encerrar a participação no evento, Guedes repetiu o desejo do Brasil em integrar a OCDE, até mesmo para implementar os melhores padrões de gestão também na área ambiental. "Somos um planeta, somos uma espécie e sentimos a ameaça agora para todos nós. Estaremos juntos de mãos dadas, todos. E a questão ambiental está logo ali na frente. Tivemos uma questão biológica teremos questão ambiental à frente e estaremos juntos. Vamos passar por essa onda da pandemia e precisamos evitar a segunda onda de recessão econômica", concluiu.

Enfrentamento à Covid-19

Paulo Guedes avaliou também nesta segunda-feira (13) que não faltou dinheiro para atender os problemas de Saúde durante o enfrentamento à Covid-19 e listou as medidas econômicas lançadas pelo governo durante a pandemia. 

Guedes deu destaque para ações no crédito para grandes empresas que, segundo ele, sustentariam a atividade de fornecedores de menor parte. Ele citou ainda as linhas disponibilizadas para o capital de giro de micro e pequenas empresas.

"Enquanto o Brasil organiza a volta segura ao trabalho, não poderia faltar crédito para o capital de giro para que as empresas voltem a se integrar nas cadeias produtivas", afirmou o ministro. "Mas ainda é impossível dizer quanto tempo durará pandemia no Brasil, já a decisão sobre confinamento é descentralizada e cabe a prefeitos e governadores", acrescentou.

O ministro considerou ainda que "apenas" cerca de 1 milhão de pessoas com carteira assinada foram demitidas na atual crise, enquanto o programa de redução de jornada e salários preservou mais de 10 milhões de vagas formais. "Nossa política pública suplementa o salário do trabalhador para que ele possa ser mantido", completou.

Guedes também detalhou o pagamento por cinco meses do auxílio emergencial de R$ 600 para desempregados e informais. Ele lembrou que o benefício é pago a 64 milhões de pessoas.

"Descobrimos 38 milhões de brasileiros invisíveis, fora do mercado formal de trabalho. A pandemia deixou exposta a fragilidade e a profunda desigualdade do sistema econômico brasileiro. Apesar do gasto público ter passado de 18% do PIB para 45% do PIB nas últimas quatro décadas, o Brasil gastou mal esses recursos", acrescentou Guedes.

O ministro voltou a prometer o lançamento de um programa de renda permanente após a pandemia, com uma "rampa de ascensão" social que passar por uma formalização maior do trabalho. "Para cada brasileiro empregado, outro perde o emprego devido à carga de tributos na folha de pagamento. Precisamos criar um sistema que abrace, proteja e dignifique o trabalho desses 38 milhões de informais", concluiu.

Na cúpula, o secretário-geral da OCDE, Angel Gurria, considerou ser um "falso dilema" contrapor saúde e economia e ressaltou que o distanciamento social é a única opção até que haja uma vacina. Ele ressaltou a necessidade de programas de proteção para trabalhadores informais e autônomos. "O setor informal enfrenta o duro dilema de escolher entre o vírus e a fome", declarou.


Agência Estado



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