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14/07/2020 | domtotal.com

OPAS quer que países da América Latina tenham vacina para Covid-19 subsidiada

Segundo Etienne, populações indígenas registram taxas de incidência da doença mais de 5 vezes superior à média nacional

Produção de vacina contra a Covid-19
Produção de vacina contra a Covid-19 Foto (Douglas Magno/AFP)
Dr. Carissa Etienne, diretora da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS)
Dr. Carissa Etienne, diretora da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) Foto (AFP)

Diretora da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), Carissa Etienne admitiu nesta terça-feira (14) que a entidade está preocupada com a alta mortalidade na pandemia da Covid-19 nas Américas. Durante entrevista coletiva, ela destacou que a região é o epicentro global do problema.

Etienne lembrou que, até 30 de junho, as Américas haviam registrado 6,8 milhões de casos e 288 mil mortes pela doença. "Isso representa quase a metade de todos os casos e mortes reportados pelo mundo", afirmou. "Na última semana, a região foi responsável por 60% de todos os casos e 64% das mortes de todo o mundo", disse.

A diretora do braço regional da Organização Mundial de Saúde (OMS) lembrou que, nos últimos sete dias, houve recorde de casos citando os níveis atingidos nos EUA. "O número de pessoas morrendo pela Covid também está subindo, particularmente no Brasil, México e Estados Unidos."

Nesse contexto, Etienne lembrou que os mais vulneráveis são os que mais sofrem. Segundo ela, populações indígenas do Brasil na região da Bacia Amazônia registram taxas de incidência da doença mais de 5 vezes superior à média nacional.

Etienne comentou ainda que, nos últimos meses, houve uma "colaboração sem precedentes" entre cientistas e governos para buscar medicamentos e vacinas para a doença.

Segundo ela, há mais de 150 candidatas a vacinas sendo pesquisadas, sendo que 20 delas já passam por testes em pacientes, com a participação de países da região, como EUA, Brasil e Argentina.

Coordenação

Diretor assistente da Opas, Jarbas Barbosa destacou, durante entrevista coletiva da entidade, a importância de haver uma coordenação entre esferas de governo, para lidar com a pandemia da Covid-19. "Isso é muito importante porque estamos enfrentando o maior desafio de saúde em um século", afirmou ele, ao falar sobre Estados que são uma federação.

Barbosa lembrou que "há muita inquietação" por parte das pessoas com muitas dúvidas sobre o quadro, além de mencionar a incerteza na área econômica e "sobre o futuro" em geral. Nesse contexto, ele disse que as autoridades devem dialogar para que todos "sigam as recomendações baseadas em evidências científicas" contra o vírus.

A autoridade da Opas também comentou sobre o quadro da pandemia nas Américas em geral, notando que há divergências entre distintas regiões de um mesmo país. Ele defendeu que as autoridades tenham primeiro um quadro claro sobre como a doença se desenvolve em cada região, para que possam embasar decisões de reabertura. "Deve-se tomar qualquer medida de abertura depois de que se tenha certeza do controle da transmissão", sugeriu.

Sobre o caso do Chile, Barbosa disse que há uma "tendência nos últimos dias de redução no número de casos", mas reforçou a importância de que se olhe para cada região com mais detalhe para se estabelecer uma estratégia adequada.

Imunidade de rebanho

A Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) desencorajou que governos pensem em adotar a imunidade de rebanho na pandemia da covid-19, chegando a níveis de contaminação em que o vírus não teria mais novas pessoas para infectar e assim perderia força. "Não recomendamos a abordagem de tentar chegar à imunidade de rebanho, já que o custo em perda de vidas seria massivo e o custo econômico seria muito alto", alertou o diretor do Departamento de Doenças Transmissíveis da Opas, Marcos Espinal, durante entrevista coletiva da entidade.

Questionado sobre a possibilidade de que regiões do Brasil já estejam com imunidade de rebanho, Espinal disse que não há evidência disso para nenhum país.

Ele exemplificou que, mesmo no caso de Manaus, onde houve grande contaminação, pesquisas mostravam que a prevalência de anticorpos estaria em 14%, ainda distante da marca necessária para essa imunidade, lembrando que na cidade ainda se veem casos da doença e uma taxa de ocupação elevada dos leitos hospitalares.

Espinal destacou também que, segundo algumas pesquisas, a imunidade de rebanho poderia durar por um período breve, já que o nível de imunidade à doença aparentemente cai com o tempo.

Sobre o quadro da pandemia na região, a autoridade da Opas notou que as condições na América Latina são variáveis.

"Estamos enfrentando um problema social, econômico e de saúde pública", reconheceu Espinal, lembrando o papel das desigualdades na região para tornar o quadro mais complexo.

Ele recomendou que os países busquem manter um controle cuidadoso de seus cenários, com medidas de mitigação dos contágios e monitoramento da taxa de utilização de leitos, além de realizar testes.


AFP



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