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14/07/2020 | domtotal.com

Comemoração de 14 de julho na França homenageia militares e médicos

Tradicional desfile em Paris se atentou às medidas de prevenção à Covid-19

O tradicional desfile militar na Place de la Concorde, no centro de Paris, reuniu sob um céu nublado cerca de 2 mil soldados, metade do habitual
O tradicional desfile militar na Place de la Concorde, no centro de Paris, reuniu sob um céu nublado cerca de 2 mil soldados, metade do habitual (Ludovic Marin/POOL/AFP)

A França comemorou o feriado nacional de 14 de julho nesta terça-feira, em uma versão adaptada à pandemia de Covid-19, com um mini-desfile militar inédito em Paris, que homenageou as forças armadas e profissionais de saúde.

Após o desfile, em uma entrevista a um canal de televisão, o presidente Emmanuel Macron, falou sobre as diretrizes econômicas e sociais de seu novo plano de governo para superar a crise causada pela coronavírus.

Macron disse que o programa para reativar a economia francesa contará com "pelo menos 100 bilhões de euros" (cerca de R$ 608,4 bilhões), além dos 460 bilhões (R$ 2,79 trilhões) já previstos em medidas setoriais e de apoio após a pandemia.

"Com este plano de reativação, além do dinheiro já alocado, investimos pelo menos 100 bilhões para a reativação industrial local, cultural e educacional", disse o chefe de Estado francês. "Estou convencido de que podemos construir um país diferente daqui a dez anos", disse ele.

O tradicional desfile militar na Place de la Concorde, no centro de Paris, reuniu sob um céu nublado cerca de 2 mil soldados, metade do habitual. Ao final, profissionais da saúde vestindo jalecos brancos se uniram às fileiras dos militares, sob os aplausos do presidente Macron e de todo o público, enquanto uma imensa bandeira branca, azul e vermelha, flamejava sob o hino nacional La Marseillaise.

Em razão dos riscos à saúde, este ano não houve exibição de blindados ou presença de público em massa no coração de Paris. Mas um desfile aéreo foi mantido, aberto pelo emblemático penacho de fumaça azul-branca-vermelha da Patrulha da França, que embarcou três profissionais da saúde a bordo de seus Alphajets.

A cerimônia também destacou as unidades militares que trabalharam para combater o coronavírus na Operação Resiliência, lançada ao final de março, com uma homenagem especial ao serviço de saúde do Exército, mobilizado mo momento mais grave da pandemia.

Quatro países europeus – Alemanha, Suíça, Áustria, Luxemburgo – foram representados simbolicamente, em um gesto de agradecimento por terem atendido 161 pacientes franceses em seus hospitais.

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, também esteve presente na Place de la Concorde.

Na tribuna, 2,5 mil convidados, incluindo 1,4 mil franceses que viveram a epidemia na linha de frente: médicos, familiares de profissionais que morreram da Covid-19, professores, caixas, agentes funerários, policiais, bombeiros, funcionários de fábricas de máscaras ou de testes.

A edição 2020 da cerimônia de 14 de Julho começou com uma homenagem ao general Charles de Gaulle, cuja memória é celebrada este ano na França por ocasião de um triplo aniversário: o 130º de seu nascimento, o 50º de sua morte, e o 80º do chamado de 18 de junho de 1940, símbolo da resistência

Máscara obrigatória?

O presidente francês e seu novo primeiro-ministro Jean Castex têm em suas mãos a administração da crise de saúde, econômica e social que, segundo o Instituto Nacional de Estatística (Insee), afundará a França em uma recessão de 9% em 2020, nunca vista desde 1948.

Além do plano de defesa em caso de retorno da epidemia, Macron defendeu na entrevista o uso obrigatório de máscaras em lugares fechados a partir de 1 de agosto, já que "há indícios (de que) volte a acelerar".

Enquanto isso, milhares de pessoas protestaram à tarde em Paris, convocadas por várias organizações sindicais, para exigir mais recursos para hospitais, apesar do fato de ter sido assinado ontem um plano que prevê 8 bilhões de euros (R$ 48,6 bilhões) para o setor de saúde.

Outro assunto delicado é a reforma previdenciária, que o presidente Macron quer reiniciar, apesar da oposição dos sindicatos e empregadores.

A noite também promete ser inédita, uma vez que a maioria das cidades francesas suprimiu os eventos públicos e fogos de artifício, que em Paris não podem nem mesmo ser admirados pelo público.


AFP



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