Economia

16/07/2020 | domtotal.com

França vai investir cerca de R$366 bilhões em indústrias e tecnologias verdes

Governo quer recuperar economia, mas com o desenvolvimento de métodos mais ecológicos

Primeiro-ministro francês, Jean Castex, em sua declaração de política geral na Assembleia Nacional
Primeiro-ministro francês, Jean Castex, em sua declaração de política geral na Assembleia Nacional (AFP)

A França vai investir 40 bilhões de euros (R$ 244, 4 bilhões) na reativação da indústria e 20 bilhões (R$ 122,2 bilhões) paras a renovação térmica de edifícios e tecnologias verdes, anunciou nesta quarta-feira o primeiro-ministro Jean Castex.

"Nossa indústria está enfraquecida. (...) Somos muito dependentes de parceiros externos e estamos insuficientemente presentes em alguns setores estratégicos. No âmbito da reativação, dedicaremos 40 bilhões de euros para que isso mude", disse ele na Assembleia Nacional.

O plano de reativação de pelo menos 100 bilhões de euros (R$ 611 bilhões) anunciado no dia anterior pelo presidente francês, Emmanuel Macron, também conterá uma quantia de 20 bilhões de euros (R$ 122,2 bilhões) para a renovação térmica de edifícios e o desenvolvimento de métodos de produção mais ecológicos nos transportes, energia e alimentação, observou o chefe do governo.

Em seu discurso, 12 dias após assumir o cargo, Castex afirmou que sua "primeira ambição" será "reconciliar essas Franças tão diferentes".Em um contexto econômico muito deteriorado, o primeiro-ministro assegurou que "a luta contra o desemprego e a preservação do emprego" será "a prioridade absoluta para os próximos 18 meses".

O conteúdo preciso desse plano, no qual o governo está trabalhando sob a supervisão do ministro da Economia, Bruno Le Maire, será "arranjado, nas próximas semanas, com os setores sociais e comunidades territoriais", destacou Jean Castex.

Ele será lançado "a partir do início de setembro", acrescentou, tendo como pano de fundo uma contração de 11% no Produto Interno Bruto (PIB) este ano, segundo previsões do governo.

 "Moderação na partilha de dividendos"

O primeiro-ministro também prometeu fazer um balanço "a cada dois meses" no Parlamento dos "resultados" do plano.

A reativação industrial passará principalmente por uma redução nos impostos sobre a produção, e as medidas de transição ecológica incluirão uma estratégia "muito ambiciosa" para promover o uso da bicicleta.

O plano também integrará um capítulo de solidariedade aos mais pobres, melhorando, por exemplo, a ajuda para reiniciar o ano letivo deste ano ou a possibilidade de os bolsistas comerem por um euro em restaurantes universitários.

Da mesma forma, as empresas que receberem auxílio sob esse plano "serão convidadas a uma moderação rigorosa na distribuição de dividendos, como ocorreu durante a crise da saúde", alertou.

Cerca de 6 bilhões de euros serão destinados ao sistema de saúde, acrescentou Castex, que na segunda-feira assinou um acordo para reavaliar os salários do pessoal paramédico.

Em relação à reforma previdenciária, um tema explosivo na França que recentemente causou uma série sem precedentes de greves, o primeiro-ministro disse que ela ainda é "necessária", mas que "medidas financeiras" precisarão ser diferenciadas.

Outra questão que Castex abordou em seu discurso de política geral é a luta contra o islamismo radical, uma "preocupação muito importante" para o governo. Em setembro, deve ser apresentada uma lei de "luta contra os separatismos".


AFP



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