Meio Ambiente

15/07/2020 | domtotal.com

Mourão promete que desmatamento vai reduzir a um 'mínimo aceitável'

Governo brasileiro foi criticado por investidores internacionais por queimadas na Amazônia

O vice-presidente, Hamilton Mourão
O vice-presidente, Hamilton Mourão (Brazilian Vice-Presidency/AFP)

O governo brasileiro se comprometeu nesta quarta-feira (15) a reduzir a um "mínimo aceitável" o desmatamento, e os incêndios na Amazônia, em resposta às críticas recebidas dentro e fora do país em relação a esse assunto desde a chegada de Jair Bolsonaro ao poder.

"Vamos buscar reduzir ao mínimo aceitável os índices de desmatamento e queimada, demostrando com isso à comunidade internacional e à sociedade brasileira esse nosso compromisso, e deixando claro que desmatamento zero e desenvolvimento econômico não são excludentes", declarou o vice-presidente, Hamilton Mourão, que dirige o Conselho Nacional da Amazônia.

“Infelizmente, grande parte do mundo olha para nosso país somente através de uma janela estreita e por vezes distorcida que se abre sobre o desmatamento ilegal e as queimadas na Amazônia. Não negamos nem escondemos informação sobre a gravidade da situação, mas também não aceitamos narrativas simplistas e enviesadas”, destacou Mourão.

O vice-presidente reconheceu a pressão cada vez maior que empresas e consumidores exercem sobre os produtores brasileiros, cobrados a preservar o meio ambiente. “As credenciais ambientais são exigidas por empresas e consumidores que confiam na qualidade dos produtos brasileiros”, disse o vice-presidente após participar.

Nesta quarta-feira, Mourão liderou uma nova reunião do Conselho Nacional da Amazônia, criado em janeiro por Bolsonaro. Na reunião, ele ressaltou "o compromisso firme do governo" com a "preservação e desenvolvimento" da maior floresta tropical do planeta.

Além de Mourão, que preside o conselho nacional, vários ministros participaram da reunião – entre eles, Tereza Cristina (Agricultura, Pecuária e Abastecimento), Bento Albuquerque (Minas e Energia) e Ricardo Salles (Meio Ambiente). O encontro ocorre em um momento em que investidores, grandes empresas, organizações ambientalistas e movimentos sociais do Brasil e de outros países cobram, do governo brasileiro, ações capazes de barrar o desmatamento e assegurar a preservação ambiental, sobretudo da Amazônia Legal (região que compreende nove estados: Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins).

2ª Reunião do Conselho Nacional da Amazônia Legal (CNAL) (Romério Cunha/VPR)2ª Reunião do Conselho Nacional da Amazônia Legal (CNAL) (Romério Cunha/VPR)

“A sustentabilidade tornou-se elemento essencial do pacto geracional no século 21”, afirmou o vice-presidente. “Precisamos atacar as causas do desmatamento ilegal de modo a permitir que a liberdade econômica possa prosperar em território amazônico no marco do Estado de Direito e em conformidade com a legislação ambiental brasileira”, disse Mourão.

“Precisamos apresentar ao mundo a complexidade ambiental e humana dessa região e trabalhar com todos que tenham genuíno interesse na preservação da floresta e em seu desenvolvimento sustentável”, destacou.

Após o fim da reunião, Mourão citou algumas iniciativas que o governo já vem implementando para tentar conter o desmatamento e as queimadas ilegais na Amazônia, entre elas, o emprego, até 6 de novembro, da presença de militares das Forças Armadas na Garantia da Lei e da Ordem (GLO).

“Estamos trabalhando no planejamento do fortalecimento dos órgãos [federais] de combate aos delitos ambientais. Estamos em contato com os embaixadores dos países doadores [Alemanha e Noruega] no sentido de que os recursos do Fundo Amazônia voltem a ser liberados. Estamos iniciando as ações de regularização fundiária. Mais um satélite para o monitoramento de ilícitos ambientais será lançado no início do ano que vem. Ontem, o Inpe [Instituto Nacional de Pesquisas Espciais] apresentou o sistema Deter Intenso, que vai permitir uma melhor cobertura da Amazônia. Todos estes assuntos foram debatidos hoje e são iniciativas estratégicas com as quais vamos avançar ao longo do segundo semestre”, finalizou Mourão, que, antes, ao abrir a reunião, já havia dito que os membros do Conselho Nacional da Amazônia Legal e o próprio governo serão avaliados “pela eficácia de nossas ações, não pela nobreza das nossas intenções”.

Garimpos

Questionado sobre denúncias a respeito do aumento do número de garimpeiros atuando ilegalmente na Amazônia, sobretudo no interior da Terra Indígena Yanomami, em Roraima, Mourão afirmou que este é um problema que persiste há décadas, e que é influenciado por razões econômicas. "Esta atividade vem sendo explorada e até já faz parte, vamos dizer, da vida econômica do estado. Ela aumenta e diminui de acordo com o preço do ouro. E, este ano, o preço subiu de forma vertical. Consequentemente, atraiu este tipo de atividade. Além disso, a situação da pandemia, o decréscimo da atividade econômica, o desemprego, leva muita gente a buscar uma forma de ganhar a vida. São condicionantes que levam grupos de garimpeiros a adentrarem a terra indígena", comentou o vice-presidente, que, na semana passada, recebeu representantes dos yanomamis para discutir a situação e colher sugestões. 

"Existe uma determinação da Justiça nos solicitando apresentarmos um planejamento para a retirada destes garimpeiros. Isto não é um processo simples. Não é a mesma coisa que retirar camelôs da Avenida Presidente Vargas, no Rio de Janeiro. É uma operação complexa que estamos estudando; aguardando as decisões finais", finalizou o vice-presidente.

Desmatamento

Segundo dados oficiais, entre janeiro e junho, o desmatamento na Amazônia brasileira registrou um recorde semestral de 3.070 quilômetros quadrados, um aumento de 25% em relação ao mesmo período do ano passado. É um novo recorde desde o início dessa série, em 2015.

Em junho, início da estação seca, houve também um aumento de quase 20% das queimadas em relação a junho do último ano, o pior número para esse mês em 13 anos. Trata-se de uma preocupação ambiental e de saúde, pois as nuvens de fumaça causam um aumento de doenças respiratórias, em meio da pandemia do novo coronavírus.

As críticas ao aumento do desmatamento apontam para as políticas de Bolsonaro, apoiador de atividades extrativistas e agrícolas em áreas indígenas e áreas protegidas.

O presidente atribui o ocorrido a ONGs "globalistas" e aos interesses dos países supostamente empenhados em impedir o desenvolvimento do Brasil. No entanto, nos últimos meses as questões ambientais ganharam espaço na cobertura de economia e negócios.

No final de junho, fundos de investimento na Europa, Ásia e América do Sul, que juntos administram cerca de US$ 4 trilhões (R$ 21,5 trilhões) em ativos, pediram ao governo Bolsonaro que interrompesse projetos que ameaçassem acelerar a destruição da Amazônia.

Depois de se reunir virtualmente com representantes de nove desses fundos na última quinta-feira, Mourão informou eles pediram "resultados" da luta contra o desmatamento antes de discutir sua eventual participação em projetos de proteção ambiental no país.

Grandes exportadores brasileiros, preocupados com a imagem do país, também demonstraram preocupação. Nesta quarta-feira foi a vez de 17 ex-ministros brasileiros da Economia e ex-presidentes do Banco Central pedirem ao governo uma mudança de rumo.


AFP



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