Religião

18/07/2020 | domtotal.com

Igrejas no México cortam salários e fazem empréstimos para lidar crise

Fechadas há 4 meses, igrejas se preparam para reabertura com número reduzido de fiéis

Peregrinos usando máscaras rezam no átrio da Basílica de Guadalupe, na Cidade do México, em 10 de julho de 2020, em meio à pandemia de coronavírus.
Peregrinos usando máscaras rezam no átrio da Basílica de Guadalupe, na Cidade do México, em 10 de julho de 2020, em meio à pandemia de coronavírus. (AFP)

Salários reduzidos, empréstimos e novos nichos de negócios. As igrejas no México tiveram que se reinventar para sobreviver e ainda não está claro quando serão reabertas em todo o país.

O padre Horacio Palacios precisou apertar o cinto após o fechamento das igrejas católicas devido à pandemia, que há quatro meses deixou sua paróquia na Cidade do México sem renda. "Conseguimos sobreviver ao primeiro mês após um acordo com os funcionários para cortar salários", disse Palacios, de 45 anos, em sua paróquia no bairro central de Juárez.

Apesar da redução nos salários da secretária, da cozinheira, do sacristão e do administrador, os problemas se agravaram em abril, quando o padre precisou pedir um empréstimo de 24 mil pesos (cerca de R$ 5.725) ao governo local.

A falta de dinheiro também obrigou o padre Jesús Mendoza a solicitar um empréstimo à sua família para completar a folha de pagamento do templo nos arredores de Acapulco (estado de Guerrero, no sul).

"O que fiz foi diminuir a carga horária dos funcionários. Eles vinham duas ou três vezes por semana e com metade do salário para não demiti-los", diz Mendoza, 67 anos, por telefone. Além disso, "nesses meses, decidi não receber salário para que pudéssemos pagar pelo essencial. No geral, aqui tenho casa e comida".

Devolução de dinheiro

As paróquias geralmente são financiadas com doações, mas também com casamentos, batismos, sorteios ou bazares. No entanto, o fechamento pela Covid-19 obrigou a devolução de pagamentos por serviços que não puderam ser prestados.

"Quando fechamos os templos e cancelamos as cerimônias, tivemos que devolver o dinheiro, e isso foi uma das coisas que mais nos afetou", diz Palacios, que recebe apenas 5% da renda que tinha antes da emergência.

Para enfrentar a crise, várias igrejas realizam cerimônias via Facebook ou videoconferência e buscam contribuições eletrônicas. "As pessoas se conectam, elas nos veem e (...) dizemos que elas podem contribuir com alguma coisa (...), passamos um número de conta", diz Palacios.

A renda da Basílica de Guadalupe, um dos santuários mais visitados do mundo, também caiu e as doações são incentivadas em seu site.

O México é o segundo país com mais católicos batizados, depois do Brasil, com 111 milhões em 2015, segundo o Vaticano.

Preparativos para a reabertura

As autoridades eclesiásticas buscam alternativas para que os templos não dependam de contribuições dos fiéis. "Temos que procurar outros meios. Algumas paróquias já possuíam livrarias onde também vendem velas, óleos e imagens. Precisamos nos aventurar nessa linha para sobreviver", disse o Monsenhor Alfonso Miranda, secretário geral da Conferência Episcopal Mexicana.

Após a reabertura de cidades como Guadalajara há um mês, as igrejas da capital e de outras regiões se preparam para o retorno dos fiéis com o uso de máscaras, tapetes antibacterianos e desinfetantes.

Na Cidade do México, o público não pode exceder 25% da capacidade dos templos.

Na Basílica de Guadalupe – que atrai milhões de visitantes todo dia 12 de dezembro, quando a Virgem é homenageada – câmeras medem a temperatura dos fiéis na entrada e o uso de máscara é obrigatório. Quando as missas forem autorizadas, o acesso será permitido a 500 pessoas, bem abaixo dos 10 mil que pode acomodar.

Santiago Tirado, 32 anos, que orava com sua família nos arredores do santuário, é cético em relação às medidas, mas reconhece: "Se é para nosso cuidado, não podemos contrariar".

Os preparativos para receber os fiéis vão pesar no bolso de igrejas como a do padre Palacios. "Estamos pulverizando o templo graças a uma doação para que possamos reabrir", disse ele. De qualquer forma, "não esperamos que a autorização para o público lote as igrejas da mesma forma que os shoppings".


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AFP



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