Meio Ambiente

17/07/2020 | domtotal.com

Agronegócio e ambientalistas se unem pela proteção dos povos indígenas

Atividades ilegais, como o garimpo, ajudam a espalhar o novo coronavírus entre os índios

Levantamento da Apib mostra que 129 povos já foram atingidos pela pandemia
Levantamento da Apib mostra que 129 povos já foram atingidos pela pandemia (Edgar Kanaykõ Xakriabá)

A Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, grupo formado por mais de 200 representantes do agronegócio, da sociedade civil, setor financeiro e academia, enviou nesta sexta-feira (17) uma carta para o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), para o Conselho da Amazônia, coordenado pelo vice-presidente Hamilton Mourão, e para o Congresso defendendo que o país proteja os povos indígenas contra a pandemia de coronavírus e atividades ilegais, como garimpo.

A manifestação ocorre alguns dias após o presidente vetar 16 pontos em uma lei que prevê medidas para proteger indígenas da Covid-19. Ele derrubou o acesso a água potável, cestas básicas e fornecimento de itens de higiene para essas populações.

"É possível ser uma potência florestal, agrícola e da biodiversidade e, ao mesmo tempo, conservar e expandir o enorme patrimônio natural do país. Mas este modelo só tem sentido se garantir também a proteção aos povos originários da floresta", afirma a Coalizão.

"A contribuição dos territórios indígenas para a integridade do bioma amazônico já foi comprovada em diversos estudos. Além da proteção ao meio ambiente, que beneficia também a produção agrícola, essas populações representam uma enorme riqueza e diversidade sociocultural. Por isso, sempre que a defesa dos territórios ou modos de vida dos indígenas brasileiros e seus conhecimentos tradicionais são ameaçados, o Brasil também corre risco", continua.

O grupo que reúne entidades como a Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Abiec (de exportadores de carne), Amaggi, e ONGs como Imazon e Ipam, lembra que os povos indígenas são "historicamente vulneráveis a doenças e reféns de uma estrutura precária de serviços de saúde, especialmente na região Norte".

A carta afirma que "os mais de 800 mil indígenas do país enfrentam um cenário crítico em meio à pandemia da covid-19" e cita dados recentes de um estudo do Ipam que revelou que a taxa de mortalidade entre indígenas é mais que o dobro dos não indígenas. "Diante dessa ameaça, torna-se fundamental a redução da circulação entre cidades e aldeias", afirma.

"A Coalizão Brasil reforça a urgência de implementar o Plano Emergencial para Enfrentamento à Covid-19 nos Territórios Indígenas, como forma de assegurar o acesso às ações e aos serviços de prevenção necessários a essas comunidades. Além disso, o movimento vê com preocupação os vetos da Presidência a garantias básicas que o texto do plano trazia. Preocupam também as ações do governo para medicar essas populações com remédio cuja comprovação científica tem sido questionada pela classe médica e pela Organização Mundial de Saúde. Por isso, a participação efetiva dos povos indígenas na execução do plano é um princípio básico de respeito e eficácia", continua o grupo.

A Coalizão afirma que o impacto da pandemia sobre as comunidades indígenas é "agravada pela constante invasão de suas terras que, além de levar o crime a esses territórios, levam esse vírus a essas populações". E defende que o governo cumpra com urgência "a decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, que determinou a retirada imediata de todos os garimpeiros da Terra Indígena Yanomâmi - estimados em 20 mil invasores - e a presença de servidores da Funai, do Ibama e de militares durante a pandemia para conter a ilegalidade nessas áreas".

A carta encerra com o grupo defendendo que "garantir a proteção dos povos e comunidades indígenas durante e após a pandemia é garantir que o Brasil promova e respeite os direitos humanos, o meio ambiente e a agricultura, que depende dos serviços ambientais das florestas". Para o grupo, este "é um compromisso que traz benefícios para a imagem do país, para a posição dos produtos brasileiros nos mercados internacionais e para as pessoas que vivem e protegem a floresta" e que o "interesse na segurança e bem-estar dos povos originários é de todos os brasileiros e um dever do Estado".



Agência Estado



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