Cultura

20/07/2020 | domtotal.com

Hoje é dia de rock

Chegava em casa do trabalho e punha no toca-discos o som de um ou dos dois LPs

Coisas boas nos fazem esquecer dos tempos truculentos
Coisas boas nos fazem esquecer dos tempos truculentos (Unsplash/ Jack Hamilton)

Afonso Barroso*

Coisas que aconteciam no final dos anos 60 e em todos os 70, no Brasil e no mundo, eram tão boas e marcantes que faziam a gente até esquecer a truculência e as maldades da ditadura então vigentes por aqui. No caso do Brasil, acho até que aqueles anos de repressão e censura acabaram estimulando e enriquecendo a criatividade em diversos setores. Um exemplo era a publicidade que, diferentemente de hoje, era modelo mundial em criação.

Mas não é de propaganda que vou falar. Também não vou falar do tricampeonato conquistado por uma geração de craques que encantou o mundo, no auge do ocaso de Pelé. Não vou falar do monoquíni ou top less nas praias do Rio de Janeiro, nem de Elvis Presley, nem dos Beatles, nem dos Rolling Stones, nem do incrível clip dos walking dead dancers do Thriller de Michael Jackson, nem da Bossa Nova, nem da Banda ou do Pedro Pedreiro de Chico Buarque, nem do ponteio de Edu Lobo, nem da Tropicália de Gil, Tom Zé e Caetano, nem dos Mutantes, nem do cupido de Cely Campello, nem dos bons grupos vocais como o MPB-4, nem da Jovem Guarda, nem de Jorge Bem, nem da guitarra de Jimmy Hendrix, nem das vozes de Juan Baez ou Jennis Joplin, nem do Clube da Esquina de Milton, Brant e os Borges de Santa Tereza. Não vou falar nem mesmo da interpretação impressionante de With a little help from my friends por Joe Cocker no festival de Woodstock.

Mas vou falar de música, sim. Só que de um rock bem diferente dos que as emissoras de rádio não tocavam. Eram dois LPs, e acho que eu não precisava de outros para saborear o melhor do jazzrock, tanto nas melodias quanto nas letras e especialmente na harmonia. Nunca me deitava sem ouvir ao menos duas músicas de dois grupos excepcionais. Um era o The Guess Who, banda canadense que em pouco tempo conquistou os Estados Unidos e boa parte do mundo. Eu não me cansava de ouvir canções como American woman ou No sugar tonight ou Humpty’s blues, este uma escala acima dos blues de New Orleans, na voz aguda e agressiva do vocalista e com magníficos solos de gaita e guitarra.

O outro LP que comprei, não sei como nem onde nem por quê, era da banda Blood Sweat e Tears, um grupo musical de altíssimo nível, que mais parece uma orquestra, e também com grandes vocalistas. É impressionante a combinação de sons dessa banda, como se pode ouvir em You've made me so very happy ou Spinning wheel, entre outras canções. Houve um tempo, durante anos, em que eu chegava em casa após o trabalho, e a primeira coisa que fazia era pegar um dos LPs e botar pra tocar enquanto jantava ou fazia um lanche ou niente.

Se você por acaso não conhece ou ainda não ouviu um desses dois grupos musicais fantásticos, aconselho que os procure no Youtube. Eles estão lá, à sua espera. Depois me conte.



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