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28/07/2020 | domtotal.com

A influência de Putin na política britânica

Russos intervieram em três eleições e nos referendos do Brexit e da independência da Escócia

Primeiro-ministro Boris Johnson leva seu cão Dilyn para passear nos terrenos de Damas, enquanto incentiva as pessoas a se exercitarem para uma saúde melhor, em 26 de julho
Primeiro-ministro Boris Johnson leva seu cão Dilyn para passear nos terrenos de Damas, enquanto incentiva as pessoas a se exercitarem para uma saúde melhor, em 26 de julho (Andrew Parsons / nº 10 Downing Street)

Lev Chaim*

Putin e a política britânica: uma investigação que durou dois anos e não levou a nada, a não ser o surgimento de mais dúvidas sobre a influência do ditador Putin na política e economia britânica. No relatório final, como uma batata quente, que é jogada de lá para cá entre os órgãos competentes do governo, a conclusão foi a seguinte: a influência russa é normal e não se tem provas, mais profundas, de que eles realmente chegaram a influenciar o processo democrático britânico.

Uma típica conclusão para inglês ver e não para falar a verdade, do que não foi dito nesses dois anos de pesquisa. Nem um órgão de espionagem britânico se deu ao trabalho de procurar evidências que levaram as pessoas a essas conclusões, de que Putin e seus amigos milionários intervieram no processo democrático britânico. Por quê? Desculpas e mais desculpas e a falta de interesse de ir mais fundo no processo de investigação para constatar a verdade: que os russos já intervieram em três eleições britânicas, no referendo para a independência da Escócia do Reino Unido e no referendo do Brexit a saída dos britânicos da União Europeia, o que se consolidou totalmente.

Os serviços britânicos de espionagem dizem que não existe a arma do crime e por isso não podem chegar a uma conclusão mais precisa sobre o assunto. Mas muitos peritos europeus sabem, por experiência própria, que os russos têm tentado e sido bem sucedidos em se imiscuir na política europeia no intuito de enfraquecer os laços entre os países membros da União Europeia. Quanto mais fraca a união, melhor para os russos. Portanto, após dois anos de pesquisa sobre o assunto, chegou-se à conclusão de que a imersão do governo Putin na política britânica é feita de forma "normal". Que normal é esse, eles não informaram.

No entanto, todos sabem que nos últimos anos, milionários russos tiveram a sua permanência no Reino Unido facilitada, porque vieram com grandes somas de dinheiro para investir no país. Não só investimento em imóveis, o que fez Londres se tornar um dos lugares mais caros do mundo, como também financiaram campanhas políticas e plebiscitos realizados em território britânico. Em 1994, o governo britânico facilitou as exigências de milionários russos para que se instalassem no país e conseguissem um visto permanente de moradia. Com isto, grande soma de dinheiro entrou no país e não se perguntou a origem daquela grana dos novos ricos russos. Londres tornou-se um instrumento de lavagem de dinheiro ilegal dos russos oligarcas, muitos deles com fortes ligações com o ditador-presidente Putin.

O próprio primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, antes dele assumir o cargo, tomou parte de um evento para angariar fundos, do qual participaram milionários do high society britânico e milionários russos, integrados na vida britânica. Entre os maiores doadores do evento, para arrecadar fundos para o Partido Conservador, estavam Ljoebov Tsjenoechin e a esposa de um ex-ministro de Putin. Naquela época, em um só evento, foram arrecadados cerca de 140 mil euros.

E hoje, Putin está nos jornais do mundo inteiro por ter prendido o independente governador da província leste do país, Sergej Foergal (50), por ele não ser obediente às ordens de Moscou. O povo daquela província, na cidade de Chabarovsk, já há vários dias vem aos milhares fazendo um grande protesto contra a prisão de seu governador. As ruas, com milhares de pessoas, fazem protesto contra as política ditatorial de Putin, que não admite opositores. 

"Acredite quem quiser que os russos não se metem na política alheia de outros países", como disse um porta-voz do presidente Putin, reagindo à última notícia dos dois anos de investigação na Grã-Bretanha, sobre o assunto. Mas há muitos outros, assim como eu, que não acreditam nessa fábula de Putin. Foi lamentável esse resultado das investigações britânicas. Eles não foram a fundo em suas buscas para chegar a uma conclusão real e verdadeira, da imersão do governo russo na política britânica. E você, caro leitor? Acredita ou não na influência de Moscou na política de outros países?

*Lev Chaim é jornalista, colunista, publicista da FalaBrasil e trabalhou mais de 20 anos para a Radio Internacional da Holanda, país onde mora até hoje. Ele escreve todas as terças-feiras, para o Domtotal.



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