Brasil

28/07/2020 | domtotal.com

Greve do metrô em São Paulo é cancelada após acordo com MPT

Proposta aceita em assembleia emergencial na madrugada, suspende o corte de salários dos metroviários

Paralização começaria nessa terça (28) e sem data para retorno
Paralização começaria nessa terça (28) e sem data para retorno (Rovena Rosa/ ABr)

A greve do metrô em São Paulo, anunciada para hoje (28), foi cancelada durante a madrugada, pois a categoria aceitou, em assembleia emergencial, a proposta de última hora feita pelo Ministério Público do Trabalho. Ontem (27) à noite, os metroviários paulistas chegaram a decidir pela paralisação por tempo indeterminado, em protesto contra o corte de salários e de direitos. Apesar da suspensão da greve, muitas estações do metrô amanheceram fechadas no início do dia de hoje (28), causando aglomeração de passageiros.

Segundo a proposta, aceita posteriormente pelo governo do estado, além da suspensão no corte de salários, foram garantidas a renovação de todas as cláusulas do acordo coletivo, como pagamento do adicional noturno, da gratificação por tempo de serviço, adicional normativo de férias e adicional de horas extras.

Metrô diz que linhas já operam normalmente

A estação Sé, ponto de interligação de várias linhas da Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô) e a mais movimentada da capital, só foi reaberta às 6h30, quase duas horas depois do previsto. Na estação Tatuapé, na zona leste, muitos passageiros encontraram as portas fechadas.

As operações foram retomadas gradativamente. De acordo com o site do Metrô, as linhas 1-Azul, 2-Verde, 3-Vermelha permaneciam paralisadas às 6h30. Neste horário, o sistema de som informava que a linha 1 funcionava apenas entre as estações Ana Rosa e Luz. Já a linha 3, Vermelha, que concentra passageiros da zona leste, operava de Itaquera até Santa Cecília. A CPTM segue funcionando normalmente. Em nota, a ViaMobilidade, que administra as linhas 4-Amarela e 5-Lilás, diz que a operação é normal.

A chegada constante de passageiros causou aglomeração na entrada principal, localizada na praça da Sé, no centro da cidade. Grande concentração de pessoas é situação a ser evitada de acordo com a opinião de especialistas em meio à pandemia da covid-19. Na estação Tatuapé, do lado de fora, passageiros se aglomeraram em ônibus, na tentativa de chegar ao trabalho. O distanciamento social é uma das medidas indicadas para evitar a disseminação do novo coronavírus.

Outro problema causado pelo atraso na abertura das estações foi o transtorno à população. Boa parte dos passageiros perdeu o horário de seus compromissos. O operário da construção civil Juscelino Santos, de 23 anos, chegou à Sé por volta das 5h, pois deveria chegar ao trabalho na Rua da Consolação às 6h. Teve de avisar que atrasaria. "É muito difícil ficar sem saber o que vai acontecer", reclamou.

Suspensão da paralisação

O Sindicato dos Metroviários de São Paulo decidiu suspender a greve, que começou à meia-noite e deveria durar 24 horas. Em assembleia virtual realizada no início da madrugada, quase 80% da categoria optou pela suspensão da paralisação. De acordo a entidade, o governo do estado apresentou uma nova proposta no final da noite de segunda. O resultado da assembleia foi postado em rede social no início desta madrugada.

A votação da assembleia foi convocada após o secretário de Transportes Metropolitanos, Alexandre Baldy, comunicar ao sindicato na noite da segunda que o governo renovará o acordo coletivo vencido em 30 de abril e vai acatar a proposta do Ministério Público do Trabalho sobre a manutenção do adicional noturno de 50%, (com pagamento de 25% pelo período de seis meses e a diferença sendo paga integralmente nos seis meses subsequentes) e do adicional de horas extras de 100% (com pagamento de 50% por seis meses e a diferença também paga integralmente nos seis meses seguintes).

Os trabalhadores vinham planejando uma paralisação desde o dia 1.º de julho como forma de protestar contra diminuição e corte de "vários direitos dos metroviários nos salários de junho". Na tarde desta segunda, a Justiça determinou que o Metrô deveria manter o funcionamento de 95% dos serviços no horário de pico (das 6h às 9h e das 16h30 às 19h30) e 65% nos demais horários nesta Terça-feira. "Os porcentuais estabelecidos dizem respeito à prestação do serviço e não à mão de obra devidamente colocada para tanto", disse o órgão. A Justiça estabeleceu multa diária de R$ 150 mil e R$ 500 mil, respectivamente, em caso de desrespeito à liminar.

Rodízio suspenso

A prefeitura de São Paulo anunciou que o Rodízio Municipal de Veículos continua suspenso nesta terça-feira (28), assim como a Zona Azul (estacionamento rotativo pago), durante todo o dia. 

A São Paulo Transporte (SPTrans) informou que linhas municipais foram reforçadas em todas as ligações do metrô. Será reforçada a Linha 4310 Itaquera - Terminal Parque Dom Pedro II, que faz a conexão no eixo da Linha 3-Vermelha ao sistema metroviário.


Agência Brasil



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