Cultura TV

30/07/2020 | domtotal.com

O que vejo na TV

A televisão oferece alguns programas que parecem produzidos especialmente para confinamento

A tevê é boa companheira e não transmite coronavírus
A tevê é boa companheira e não transmite coronavírus (Unsplash/ Glenn Carstens-Peters)

Afonso Barroso*

Estou aprendendo a ver televisão, pelo que agradeço ao forçado confinamento. Aprendi que a tevê serve esplendidamente à causa dos confinados, bastando saber escolher o que vale a pena ver. Atualmente, estou assistindo na Netflix a uma série muito interessante chamada Breacking Bad. É a história de um professor de química que, diagnosticado com câncer no pulmão e em dificuldade financeira, resolve aplicar seus conhecimentos na produção de metanfetamina pra fazer dinheiro e pagar o tratamento caríssimo. Metanfetamina, como se sabe, é conhecida no meio do consumo de drogas como cristal. Trata-se de uma cocaína sofisticada, uma substância altamente alucinógena e causadora de dependência irrecuperável. O professor acaba se envolvendo com os grandes cartéis do tráfico e se corrompe inevitavelmente. A série tem atores muito bons e uma história bem contada.

Também vi, no confinamento, uma outra série da Netlix chamada Anne com E, história de uma órfã adotada por um casal de irmãos já mais ou menos idosos, que são tomados de amor pela menina. Ela é meio feinha, mas extremamente inteligente e loquaz. A trama tem bons momentos, embora às vezes um tanto cansativa. Mas valeu a pena ver.

De tanto ver televisão, aprendi a selecionar programas merecedores de atenção. Vejo diariamente, no canal Viva, as reprises da Escolinha do professor Raimundo, criação do genial Chico Anysio. Personagens como Rolando Lero, Sandoval Quaresma, Dona Catifunda e Aldemar Vigário são de matar de rir. Sem falar da Tati, a garota de vocabulário mais engraçado do dialeto carioca. São muito engraçados também Seu Peru, o Baltazar da Rocha, a portuguesa Manoela d’Além Mar, Seu Aranha, Nerso da Capetinga, Joselino Barbacena, o Patropi, o Bicalho e o notável Zé Vasconcelos, que interpreta um gago hilariante ao extremo... Enfim, um monte de comediantes da melhor qualidade que Chico reuniu na sua impagável escolinha. Assisto porque me fazem rir, e rir faz bem, em espacial para confinados.

Programa que não perco de jeito nenhum é o Sr. Brasil, do Rolando Boldrin, atualmente apresentado em reprises, já que é de auditório, coisa inviável durante a pandemia em vigor. Nas manhãs de domingo, minha tevê não se desliga na hora do Boldrin.

Para notícias, vejo a GloboNews e a CNN, que rivalizam em qualidade informativa e opinativa, além do Jornal Nacional, que é obrigatório. Novelas não mais me atraem, porque não há mais histórias como as de Dias Gomes ou Janete Claire e atores como Lima Duarte, Paulo Gracindo e José Wilker, por exemplo.

Filmes, só quando sei que são bons. Vi Parasita e gostei. Vejo filmes antigos que me agradaram e continuam agradando, como os faroestes espaguete com músicas de Ennio Morricone. Vi recentemente o ótimo Gran Torino, de e com Clint Eastwood, e Os pássaros, obra prima de Hitchciock. Também gosto de filmes de fantasia infantis, como os da criada Nanny McPhee. Vi recentemente o Grande gigante amigo, com direção de Spielperg.

Assisto, quando o assunto me interessa, a documentários nacionais do Canal Brasil e programas do Arte1 e do Film&Arts, alguns muito bons. Vejo até óperas, como Hippolyte et Aricie, do francês Jean-Philippe Rameau, na qual se pode admirar a montagem e figurinos espetaculares, somados a belas vozes. Dias atrás assisti, no Film&Arts, a um show do cantor Max Raabe com a Palast Orchester. É um alemão de voz incrivelmente limpa e melodiosa. A orquestra tem apenas uma mulher, violinista, que toca sorrindo o tempo todo. Vi também um concerto da fabulosa orquestra sinfônica de Xangai, com coro, em Carmina Burana. Essas coisas fazem bem a um confinado de bom gosto, e isso eu me considero, imodestamente.

Vejo canais de esportes, como ESPN, Fox e TNT. Gosto de futebol e vôlei. Recentemente, os canais Sportv reprisaram jogos das seleções de vôlei masculino e feminino nas conquistas olímpicas e em torneios internacionais. Valeu a pena ver de novo as meninas do Bernardinho e do Zé Guimarães e os craques do Renan, que foi grande jogador e se revelou também um bom técnico.

Esta crônica não tem a pretensão de ser nenhuma espécie de "guia de TV dos confinados". É apenas uma singela exposição sobre o que me ponho a ver na televisão enquanto sou obrigado a permanecer em casa para me proteger da Covid-19. A tevê é boa companheira e não transmite coronavírus. A não ser em forma de notícias, algumas hilárias, como a do presidente oferecendo cloroquina à ema do Alvorada, e outras até boas, como a da proximidade da vacina.

Mas a televisão é só um detalhe. O que faço mais e com mais empenho durante o confinamento é ler – que diverte e instrui – e escrever – que instrui e diverte.

*Afonso Barroso é jornalista, redator publicitário e editor



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