Cultura

29/07/2020 | domtotal.com

Blocos e Escolas de Samba de BH querem adiamento do carnaval de 2021

Produtores culturais solicitaram à prefeitura da capital que o evento seja adiado para junho ou julho de 2021

Carnaval de BH cresceu muito nos últimos anos
Carnaval de BH cresceu muito nos últimos anos (Divulgação)

Larissa Troian

O folião que aproveitou o carnaval desse ano em Belo Horizonte jamais imaginou que o próximo poderia demorar mais que o esperado para acontecer novamente. É que, com a pandemia do coronavírus, vários eventos culturais na cidade foram cancelados, como as tradicionais festas juninas.

Com a curva de infectados e mortos subindo em Minas e em todo o país, autoridades se veem obrigadas a cancelar ou adiar os eventos para quando houver vacina, ou ao menos, para quando a doença estiver minimamente controlada.

Produtores dos blocos de rua e das escolas de samba solicitaram à prefeitura da capital que o evento seja adiado para junho ou julho de 2021. A festa estava prevista para fevereiro, mas o próprio prefeito Alexandre Kalil já admitiu que será difícil manter a realização.

Márcio Antunes, presidente da Liga das Escolas de Samba de Minas Gerais (Liemg), lembra que "carnaval é festa, é vida e felicidade, e não combina com essas perdas em razão do coronavírus".

As Escolas de Samba representam uma maioria periférica, público que mais vem sofrendo com a doença. Antunes conta que "tem gente da periferia em UPA, entubada, tem gente da periferia morta, e a gente quer festejar a vida no fim dessa pandemia". Para ele, somente os técnicos de saúde poderão afirmar quando será o carnaval, e apoia a ideia de ser realizado em julho de 2021. Atualmente, as Escolas de Samba vêm sendo utilizadas para dar orientações ao público sobre a Covid-19 e também para a confecção de máscaras.

Em 2020, o público do carnaval de BH foi estimado em 5 milhões de pessoas, número que vem crescendo ano a ano. A folia é boa não só para quem curte a festa frequentando os blocos, mas também para a rede hoteleira e para os vendedores ambulantes - mais de 15 mil cadastrados nesse ano -, que lucram com a movimentação diária dos milhões de foliões pelas ruas.

Geo Cardoso, presidente da Liga Belorizontina de Blocos Carnavalescos e dirigente do Baianas Ozadas concorda que não há possibilidade de o carnaval acontecer em fevereiro do ano que vem. Para ele, "dar apoio à todos e orientar as pessoas que fiquem em casa" é o mais importante a se fazer no momento. Ele ressalta que "o carnaval traz um forte impacto na economia da cidade e que, seu acontecimento pode gerar uma melhora para o setor" após a crise provocada pelo coronavírus.

Segundo a Belotur, o carnaval desse ano em Belo Horizonte foi integralmente custeado por patrocinadores, sendo R$ 6 milhões em verba repassada diretamente pela prefeitura e R$ 8,3 milhões captados por meio de edital de patrocínio e repassados na forma de estrutura e serviços, como banheiros químicos, grades e palcos.

De acordo com Marcio Antunes, uma reunião com a Belotur está prevista para o esta quinta-feira (30). Geo faz questão de ressaltar que a Liga Belorizontina de Blocos Carnavalescos "deseja participar ativamente dessa construção junto à prefeitura, independentemente da data em que o próximo carnaval for estabelecido".


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