Mundo

01/08/2020 | domtotal.com

Inativo há quase 18 meses, consulado venezuelano em Bogotá está em ruínas

Governo de Maduro diz que roubos e deterioração do local são 'agressões inaceitáveis'

Nicolás Maduro, durante discurso no palácio presidencial de Miraflores, em Caracas
Nicolás Maduro, durante discurso no palácio presidencial de Miraflores, em Caracas (Presidencia de Venezuela/Arquivos/AFP)

O consulado da Venezuela em Bogotá, desativado desde fevereiro do último ano, está em ruínas depois de ser roubado por meses. Situada no norte da capital colombiana, a embaixada inativa não possui vigilância policial, e dentro dela podem ser vistos inúmeros objetos destruídos. 

Lá estão móveis danificados, vidros quebrados e estruturas machadas por fogo, além das fotos emolduradas, de Hugo Chávez e Nicolás Maduro, caídas no chão.

Em resposta, o governo Nicolás Maduro chegou a ameaçar com "ações diplomáticas recíprocas" diante dessa "agressão inaceitável". 

Na última segunda-feira (27), o ministro das Relações Exteriores venezuelano, Jorge Arreaza, divulgou um vídeo com imagens do local, sem especificar quando foram tiradas. "Denunciamos que a sede do consulado venezuelano em Bogotá foi completamente vandalizada e saqueada. As autoridades colombianas a deixaram sem proteção, violando as convenções de Viena sobre as relações diplomáticas e consulares", escreveu o ministro nas redes sociais.

Desde que o presidente Iván Duque chegou ao poder, em agosto de 2018, a Colômbia não reconhece o governo do presidente Nicolás Maduro, com quem formalmente o país rompeu relações em fevereiro de 2019.

Duque acompanha a ofensiva dos Estados Unidos, que pretende que Maduro deixe a presidência, a quem eles acusam ter sido reeleito de forma fraudulenta, ao mesmo tempo em que milhões de venezuelanos atingidos por uma grave crise econômica deixaram o país.

Em um comunicado, o governo Maduro disse que "reserva ações diplomáticas recíprocas se houver espaço para compensar esse ataque inaceitável às instalações da missão venezuelana".

Embora Arreaza tenha alertado sobre o assunto recentemente, os moradores do consulado disseram que os roubos começaram há muito tempo, mas que a deterioração do local se tornou mais evidente a partir de março, com a chegada da pandemia.

"Vimos as barras, caixilhos das janelas e portas sendo retiradas. Eles praticamente têm a roubado aos poucos ao longo deste ano", explicou Marta Segura, uma engenheira de sistemas, de 50 anos, com 30 na vizinhança onde está localizada a sede da Venezuela.

No momento, o Ministério das Relações Exteriores da Colômbia se recusou a comentar o que Arreaza disse, mas observou que "a polícia não reportou atos recentes de vandalismo no consulado", disse uma fonte à reportagem.

A Colômbia estima que pouco menos de 1,8 milhão de venezuelanos estejam em seu território. Após a crise desencadeada pela pandemia, cerca de 81 mil deles retornaram ao seu país.


AFP



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