Mundo

30/07/2020 | domtotal.com

Estudantes são detidos em Hong Kong sob lei de segurança nacional

Oposição pró-democracia de Hong Kong teme que a lei resulte na perda de liberdades para os 7,5 milhões de habitantes da ex-colônia britânica

Quatro estudantes foram detidos nesta quarta-feira (29) sob a polêmica nova lei de segurança nacional imposta por Hong Kong
Quatro estudantes foram detidos nesta quarta-feira (29) sob a polêmica nova lei de segurança nacional imposta por Hong Kong (AFP)

Atualizado ás 15h30

Quatro estudantes de Hong Kong, envolvidos em um grupo pró-independência recentemente dissolvido, foram detidos pela polícia nesta quarta-feira (29) sob a nova lei de segurança nacional. Segundo a polícia, os três homens e a mulher, com idades entre 16 e 21 anos, são suspeitos de "organizar e incitar a secessão".

Essas são as primeiras prisões de figuras políticas públicas desde que entrou em vigor a polêmica lei, imposta pelo regime comunista de Pequim em seu território semiautônomo em 30 de junho. A norma penaliza "subversão, secessão, terrorismo e conluio com forças estrangeiras".

"Nossas fontes e nossa investigação mostram que o grupo anunciou recentemente nas redes sociais a criação de uma organização que defende a independência de Hong Kong", afirmou aos jornalistas Li Kwai-wah, agente da nova unidade de segurança nacional da polícia de Hong Kong.

O Student Localism, um grupo de defesa da independência que foi dissolvido em junho, disse que seu ex-líder Tony Chung, de 19 anos, é uma das pessoas presas. Dois outros ex-integrantes da organização foram identificados por autoridades políticas e a mídia local.

A oposição pró-democracia de Hong Kong teme que a lei resulte na perda de liberdades para os 7,5 milhões de habitantes da ex-colônia britânica, que foi reassumida pela China em 1997.

Candidaturas

Também nesta quinta-feira, 12 candidatos pró-democracia de Hong Kong, incluindo Joshua Wong, não foram autorizados a disputar as eleições legislativas de setembro, uma decisão denunciada pela oposição como um novo golpe às liberdades na região semiautônoma. Em um comunicado, o governo de Hong Kong anunciou que apoia a decisão de não autorizar as candidaturas.

Os cidadãos de Hong Kong devem comparecer às urnas em setembro para as eleições do Conselho Legislativo (LegCo, parlamento local), que serão cruciais nove meses depois do triunfo do movimento pró-democracia nas eleições locais.

A ex-colônia britânica registrou em 2019 sua pior crise política desde 1997, quando retornou à soberania chinesa. "Acabo de ser desqualificado para as eleições ao LegCo, depois de ter sido o grande vencedor das primárias", afirmou no Twitter Joshua Wong, um dos ativistas mais conhecidos de Hong Kong e que foi um dos líderes da chamada "Revolução dos Guarda-Chuvas" de 2014.

Wong considerou a medida "a maior repressão contra o movimento pró-democracia da cidade" e afirmou que as autoridades vetaram "quase todos os candidatos pró-democracia, de grupos de jovens progressistas até partidos moderados tradicionais". "Pequim demonstra um desprezo total pela vontade dos cidadãos de Hong Kong, pisa na autonomia da cidade e tenta manter a legislatura de Hong Kong sob seu firme controle", escreveu.


AFP



Comentários
Newsletter

Você quer receber notícias do domtotal em seu e-mail ou WhatsApp?

* Escolha qual editoria você deseja receber newsletter.

DomTotal é mantido pela EMGE - Escola de Engenharia e Dom Helder - Escola de Direito.

Engenharia Cívil, Ciência da Computação, Direito (Graduação, Mestrado e Doutorado).

Saiba mais!