Coronavírus

31/07/2020 | domtotal.com

'É dedicar-se o tempo todo', diz enfermeira intensivista sobre combate à Covid-19

Enfermeira que coordena CTI do hospital Semper, em BH, conta como é lidar com a pandemia

Treinamento de sequência de intubação no hospital Semper
Treinamento de sequência de intubação no hospital Semper (Ana Carolina dos Santos Silva/Arquivo pessoal)

Rômulo Ávila

Mais de 850 profissionais de saúde foram infectados pelo novo coronavírus em Belo Horizonte, conforme dados da Secretaria Municipal de Saúde. Na linha de frente do combate à pandemia, os enfermeiros estão entre os mais infectados. Apesar do risco, a enfermeira intensivista Ana Carolina dos Santos Silva, de 36 anos, diz ser preciso aprender a lidar com a situação e não temer a Covid-19. Carolina é coordenadora do CTI do Hospital Semper, em Belo Horizonte. Em entrevista ao Dom Total, ela revelou como é enfrentar a Covid-19: "É dedicar-se o tempo todo."

Em 13 anos de profissão dedicados a cuidar das pessoas, Ana Carolina diz que o maior desafio da carreira demanda uma rotina intensa, de muito comprometimento, treinamento, aprendizado e trabalho. A enfermeira conta que, em razão da pandemia, teve que organizar e planejar um novo CTI com 18 leitos (exclusivos para pacientes com Covid-19), participar da contratação da equipe e treiná-la.  

Em cinco meses de pandemia, mais de 170 pacientes com Covid-19 foram internados no Hospital Semper. A maioria conseguiu vencer a doença, mas 34 óbitos foram registrados.

“O que mais me marca é identificar evoluções rápidas e desfavoráveis de alguns pacientes, jovens ou não, com ou sem comorbidades, que faleceram conosco, apesar de tudo que fizemos, de toda assistência e tratamento adequado. Cada paciente e cada família que acompanhamos, a dor e a perda nos marcam de forma permanente”,  diz.

A profissional ressalta que a transmissividade do novo coronavírus é alta. Por isso, mesmo com todos os cuidados, treinamento e uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), alguns profissionais foram infectados. "Com colegas e colaboradores trabalhando em várias instituições, além dos riscos pessoais a que cada um está exposto, com certeza temos conhecidos e colegas que contraíram a doença."

A pandemia elevou muito a demanda mundial por medicamentos usados em casos graves, como sedativos e anestésicos necessários para intubação. "Todas as instituições ficaram suscetíveis. Foi necessário alterarmos os fluxos, termos controle mais rigoroso dos estoques, priorizar as cirurgias de urgência e o abastecimento para os CTIs", diz, lembrando que a organização e logística ainda "são necessárias diariamente para que não tenhamos prejuízos à nossa assistência".

Estrutura

A intensivista diz que foi criado um comitê de enfrentamento de crise no hospital. Além disso, o pronto-socorro foi reestruturado e criado um fluxo específico para atender aos pacientes com quadros respiratórios e suspeitos de Covid-19.

"Organizamos um novo CTI com 18 leitos. Todos equipados com respiradores, monitores e demais equipamentos necessários para uma terapia intensiva. Também contratamos e treinamos uma equipe multidisciplinar específica para o atendimento desses pacientes. Além desse novo CTI, o nosso CTI geral recebeu uma reforma para que tivéssemos mais leitos de isolamento e estrutura específica para atender os pacientes suspeitos ou confirmados de Covid", diz.



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