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31/07/2020 | domtotal.com

Justiça da Colômbia ordena garantia a 'segurança e vida' dos ex-guerrilheiros das FARC

Jurisdição Especial para a Paz afirma que, desde 2016, 222 ex-membros foram assassinados

Membros e apoiadores das FARC participam de uma vigília em homenagem aos ex-combatentes mortos, em Bogotá, em 25 de fevereiro de 2020
Membros e apoiadores das FARC participam de uma vigília em homenagem aos ex-combatentes mortos, em Bogotá, em 25 de fevereiro de 2020 (AFP)

O sistema de justiça encarregado de conhecer os crimes hediondos do conflito armado na Colômbia ordenou nesta quinta-feira (30) ao governo que garanta a "segurança e vida" dos ex-guerrilheiros das FARC. Desde a assinatura da paz em 2016, 222 deles foram assassinados.

Em comunicado, a Jurisdição Especial para a Paz (JEP) anunciou que havia emitido "medidas preventivas coletivas" a favor de ex-combatentes em meio a uma onda de ataques contra ex-rebeldes.

"Apesar do trabalho realizado por várias autoridades públicas, persiste uma grave situação de violação de seus direitos fundamentais", justificou o órgão criado a partir dos acordos que terminaram com um levante armado de quase seis décadas.

A JEP relatou "mais de 200" ex-guerrilheiros mortos desde seu desarmamento, de acordo com o que também foi denunciado pelas Nações Unidas, que monitora o cumprimento do que foi acordado em Havana.

Segundo a Força Revolucionária Alternativa Comum (FARC), partido de esquerda que emergiu dos compromissos de paz, 222 ex-membros da insurgência morreram nessa espiral de violência.

A JEP disse que "avaliou em duas audiências a séria condição de segurança" que cerca os ex-guerrilheiros, e se referiu ao caso recente de 93 de seus membros forçados a deixarem a área onde realizavam seu processo de reincorporação social e econômica.

As FARC denunciaram que foi um "deslocamento forçado" devido aos crimes e ameaças contra seus ex-combatentes.

Na opinião dos juízes de paz, a segurança dessas pessoas é "fundamental" para salvaguardar "os direitos das vítimas de saberem a verdade sobre o que aconteceu no conflito".

Os responsáveis da ex-guerrilha, como os militares acolhidos à JEP, poderão reivindicar penas de prisão alternativas se disserem a verdade, repararem as pessoas afetadas e se comprometerem a nunca mais exercer violência.

O acordo de paz permitiu a desmobilização de cerca de 13 mil homens e mulheres da guerrilha marxista e 7 mil combatentes largaram suas armas.

O conflito interno na Colômbia deixa mais de nove milhões de vítimas, a maioria deslocada, além de morta e desaparecida, segundo o registro oficial de vítimas.


AFP



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