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02/08/2020 | domtotal.com

Há 30 anos, o Exército do Iraque invadia o Kuwait, iniciando a Guerra do Golfo

O conflito entre os dois países envolvia disputas por delimitação de fronteiras e mercado petroleiro

Soldado egípcio se abriga com sua baioneta para se proteger da artilharia iraquiana em 25 de fevereiro de 1991, enquanto tropas aliadas lançam uma ofensiva terrestre para libertar o Kuwait da invasão do Iraque
Soldado egípcio se abriga com sua baioneta para se proteger da artilharia iraquiana em 25 de fevereiro de 1991, enquanto tropas aliadas lançam uma ofensiva terrestre para libertar o Kuwait da invasão do Iraque (AFP)

Em 2 de agosto de 1990, o Exército iraquiano de Saddam Hussein invadiu o emirado do Kuwait e anexou este pequeno território rico em petróleo. Sete meses depois, no entanto, foi expulso dali por uma coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos.

O Iraque foi submetido a 12 anos de embargo e foi obrigado a pagar ao Kuwait, através da ONU, importantes indenizações de guerra.

Acusações de roubo

Em 18 de julho de 1990, Bagdá acusou o vizinho de "arranhar" seu território e "roubar" seu petróleo, ao bombear parte do campo petrolífero de Rumaila, aumentando as tensões. O Iraque pediu o reembolso de US$ 2,4 bilhões (R$ 12,4 bilhões na cotação atual). Mas o Kuwait repudiou as acusações e respondeu que era o Iraque que tentava perfurar poços petrolíferos em seu território.

Várias disputas envolveram os dois países, inclusive a delimitação de fronteiras, um tema espinhoso que estava em suspenso desde a independência do Kuwait, em 1961. Além disso, o Iraque acusava o emirado de "inundar deliberadamente" o mercado petroleiro, provocando uma redução nos preços.

O Iraque reivindicou que o emirado anulasse a dívida que contraída durante sua guerra contra o Irã (1980-1988) por considerar que, ao travar este conflito, havia defendido o Kuwait e o restante dos países do Golfo.

Em 20 de julho, a Liga Árabe e a Arábia Saudita iniciaram mediações para resolver a crise, mas estas fracassaram e os diálogos entre o Iraque e o Kuwait foram suspensos em 1º de agosto.

Invasão

Em 2 de agosto aconteceu a invasão: "As tropas começaram às 2h (locais, 20h de Brasília) a violar nossas fronteiras norte, a penetrar no território kuwaitiano e ocupar posições no interior" do país, anunciou a Rádio Kuwait. Mais tarde, a emissora exortou os kuwaitianos a "defender sua terra, sua areia e suas dunas".

As unidades kuwaitianas e o exército iraquiano se enfrentaram com armas pesadas no centro da Cidade do Kuwait. Mas, frente aos 100 mil soldados iraquianos e seus 300 tanques, o Exército kuwaitiano, com 16 mil militares, se viu superado. A capital foi ocupada na madrugada e o emir, Khaber al Ahmed al Sabah, fugiu para a Arábia Saudita. Seu irmão, Fahd, foi morto durante a ocupação do palácio.

Em Bagdá foi anunciado o fim do "regime traidor", "cúmplice" de um "complô americano-sionista", que tentava impedir a recuperação da economia iraquiana. À noite, o exército iraquiano dirigiu-se aos portos petroleiros de Al Shuyaba e de Al Ahmadi (ao norte e ao sul da capital, respectivamente).

EUA envia tropas

A comunidade internacional condenou firmemente a invasão, enquanto os preços do petróleo dispararam. O Conselho de Segurança da ONU se reuniu em caráter de urgência e exigiu "a retirada imediata e incondicional das forças iraquianas".

Washington congelou todos os bens do Iraque nos Estados Unidos e nas filiais no exterior, assim como os bens kuwaitianos para evitar que fossem retomados por kuwaitianos a serviço de Bagdá. A então União Soviética, fornecedora de 80% do armamento iraquiano, interrompeu as remessas de armas.

Em 6 de agosto, o Conselho de Segurança impôs um embargo comercial, financeiro e militar ao Iraque. No dia 8, o então presidente americano, George Bush, anunciou o envio de tropas à Arábia Saudita, e os primeiros soldados da operação "Escudo do Deserto" chegaram no dia seguinte.

O Iraque fechou suas fronteiras aos estrangeiros. Milhares de civis ocidentais, árabes e asiáticos foram retidos contra sua vontade no Iraque ou no Kuwait. Durante mais de quatro meses, cerca de 500 foram usados como "escudos humanos" em locais estratégicos.

Anexação

Em 8 de agosto, o Iraque proclamou sua fusão "total e irreversível" com o Kuwait. No fim do mês, anunciou uma nova divisão administrativa no Kuwait, fazendo da capital e seus arredores a 19ª província iraquiana e incorporando o restante do emirado à província de Basra (sul do Iraque).

"O Kuwait faz parte do Iraque", afirmou Saddam Hussein.

"Tempestade do Deserto"

Em 29 de novembro, o Conselho de Segurança da ONU autorizou "os Estados-membros [...] a usar todos os meios necessários" para obrigar o Iraque a deixar o Kuwait se não o fizesse antes de 15 de janeiro de 1991.

No dia 17, após múltiplas iniciativas diplomáticas infrutíferas, começou a operação "Tempestade do Deserto", com uma intensa campanha aérea. Em 24 de fevereiro começou a campanha terrestre e, em questão de dias, as tropas aliadas conseguiram libertar o emirado. No dia 27, George Bush anunciou que o "Kuwait foi libertado [e] o Exército iraquiano, derrotado". Um dia depois, Bagdá aceitou todas as resoluções da ONU.

Os iraquianos deixaram para trás um país devastado, saqueado e mais de 750 poços petroleiros em chamas. A crise dividiu os árabes. Os exércitos egípcio e sírio participaram da coalizão, denunciada pelos outros países árabes. Em março de 2003, o Kuwait serviu de ponte para a invasão americana do Iraque, dirigida por George W. Bush e que levou à derrocada de Saddam Hussein.


AFP



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