Meio Ambiente

06/08/2020 | domtotal.com

As vantagens da responsabilidade social empresarial nas relações de trabalho

A qualidade de vida no ambiente de trabalho é um elemento que potencializa a confiança do trabalhador na organização em que ele está inserido

A maioria das empresas públicas e privadas já aderiram a implantação da responsabilidade social trabalhista em suas atividades diárias
A maioria das empresas públicas e privadas já aderiram a implantação da responsabilidade social trabalhista em suas atividades diárias (Pexels)

Leonardo Augusto Lelis Fagundes*

Nos dias atuais, o papel da responsabilidade social dentro e fora das empresas públicas e privadas tem ganhando cada vez mais destaque, principalmente sob o foco das relações trabalhistas modernas. Historicamente, com a separação do Estado do clero, as relações comerciais se intensificaram ganhando contornos expressivos e acelerando o desenvolvimento das cidades, e na medida em que a sociedade se organizava, as complexidades e necessidades de desenvolvimento das corporações de ofício iam crescendo e os serviços prestados ficavam cada vez mais detalhados e especializados.

Os primeiros estudos e registros de aplicação da responsabilidade social no mundo datam do final do século XIX e início do século XX, principalmente em estudos e aplicações realizados pelo empresário norte americano A. Carnigie que convencionou a iniciativa da responsabilidade social com base na caridade e preceitos bíblicos, tudo ao processo de produção. (ALENCASTRO, 2012).  

Na expansão comercial da Europa, os institutos jurídicos especializados foram criados para garantir a segurança jurídica das negociações, expandindo o capitalismo e consequentemente a revolução industrial (COMPARATO, 2008, pg. 47 e 48).

Logo no século XIX, o pensamento socialista liderado na época por Karl Marx buscava o combate do pensamento liberalista que promovia a desigualdade das repartições dos lucros pelo capitalismo e a super exploração do trabalho conduzindo os trabalhadores a condições análogas a escravos. Ainda no século XIX que a reforma social trabalhista buscou a distribuição dos resultados da produção tendo como precursores deste pensamento o empreendedor inglês Robert Owen (ROSSETTI, 2009, p. 324).

A maioria das empresas públicas e privadas que possuem nítida interferência de mercado em suas áreas de atuação já aderiram a implantação da responsabilidade social trabalhista em suas atividades diárias como forma de reduzir impactos negativos na vida dos seus trabalhadores (em virtude da corrida em prol do lucro máximo). Aliás, tais empresas ainda conseguem obter melhores ganhos, do ponto da lucratividade, com a prática de condutas e padronizações laborais e estruturais corretas.

As políticas sociais da responsabilidade social trabalhista foram impulsionadas pelos pensamentos dos americanos Charlies Eliot (1906), Hakley (1907) e John Clark (1916), chegando a obter nas décadas de 60 e 70 a interferência da ONU (Organização das Nações Unidas) total apoio a expansão deste movimento social, contrariando as linhas tradicionais de produção como o Fordismo e o Taylorismo.

Em 1979 que Carrol propôs um modelo conceitual que abordava e explicava algumas “condutas de responsabilidade social das empresas perante a sociedade que ultrapassavam a mera visão de obtenção de lucro” (CARROL, 1999, p.6). No Brasil não poderia ser diferente.

Logo no início do século XX, principalmente com a crise de superprodução de 1929, conhecida como a “Grande Depressão”, onde gerou inúmeros desempregos, redução drástica dos índices econômicos, aumento inflacionário e por via de consequência, a miséria geral, surgiu um novo pensamento social: “A economia do Bem Estar” de Keynes que incentivava a nova intervenção do Estado para garantir a manutenção dos empregos ainda não perdidos e à abertura de novos postos de trabalho para compensar as inúmeras perdas já existentes.

Ressuscita-se a ideia da intervenção do Estado e a responsabilidade pública como início da responsabilidade social com características bem próximas às que temos nos dias de hoje. Na década de 90, o Instituto Ethos disseminou a prática da responsabilidade social, inclusive nas relações trabalhistas, entre as empresas privadas, trazendo padrões competitivos ao mercado.

Tais padrões constituídos pelo Instituto Ethos, em 2007, abordaram a qualidade de vida no trabalho; promoções à saúde e ergonomia; equidade de gêneros no ambiente de trabalho; relações com trabalhadores terceirizados; planos de quadros, salários e promoções; demissões e manutenção dos empregos, dentre outros, o que delimitou condutas e procedimentos padronizados para garantir o bem-estar dos trabalhadores. (INSTITUTO ETHOS, 2007, pg 33 a 38).

A qualidade de vida no ambiente de trabalho é um elemento que potencializa a confiança do trabalhador na organização em que ele está inserido (BORTOLOZO e SANTANA, 2011). Conclusivamente aos trabalhos de Lawer, o marketing social e investimentos em políticas internas de responsabilidade social empresarial sempre foi uma ótima estratégia para a promoção empresarial na sociedade com baixos custos e elevados retornos, com um viés principal de manutenção da qualidade de vida dos trabalhadores.

Advogado especialista em direito público, especialista em advocacia trabalhista, graduando em Ciências Contábeis, integrante do grupo de pesquisa Política, Segurança, Mineração e Responsabilidade Social Empresária da Escola Superior Dom Helder Câmara.



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