Religião

04/08/2020 | domtotal.com

Crise de coronavírus ameaça sociedades bíblicas em todo o mundo

Até 88 entidades nacionais podem fechar devido ao impacto econômico da pandemia

Com mais de 200 anos de história, a Sociedade Bíblica luta agora por continuar a sua atividade, apesar de fortemente afetada pela crise
Com mais de 200 anos de história, a Sociedade Bíblica luta agora por continuar a sua atividade, apesar de fortemente afetada pela crise (Unsplash/Julio Reynaldo)

A Sociedade Bíblica, organização cristã interconfessional sem fins lucrativos que se dedica à edição e divulgação da Bíblia, arrisca-se a ter de encerrar a sua atividade em quase metade dos 200 países em que está presente.

O risco de fechamento atinge até 88 das 150 entidades desse tipo que trabalham em todo o mundo, o que equivale a um público de 245 milhões de pessoas. Entre os países nos quais as Sociedades Bíblicas estão ameaçadas, encontram-se países como Jordânia, Burkina Faso, Egito e até mesmo Portugal. Em terras lusitanas a crise provocada pela Covid-19 levou a uma quebra de 64% na distribuição de Bíblias logo no mês de março, e obrigou ao cancelamento dos principais projetos previstos para este ano, revela o diretor executivo da Sociedade Bíblica de Portugal (SBP), Miguel Jerónimo.

"A subsistência da Sociedade Bíblica de Portugal (SBP) esteve de fato em sério risco… Risco esse que ainda existe", lamenta o responsável da instituição em Portugal. Miguel Jerónimo explica que a instituição tem conseguido manter-se em funcionamento graças a "doadores individuais" que apoiaram a instituição neste momento delicado, e às Sociedades Bíblicas Unidas, que criaram um Fundo de Solidariedade, do qual a SBP tem sido uma das Sociedades Bíblicas beneficiárias, a par de países como a Costa Rica, o Sri Lanka ou Gâmbia.

Depois da queda de 64% na distribuição de Bíblias, em março, uma vez iniciado o estado de emergência, entre março e junho a diminuição foi de 56%. As visitas às igrejas, que eram uma importante fonte de receitas, "ficaram suspensas a partir do momento em que estas se viram obrigadas a cessar as celebrações públicas, e ainda não foi possível reiniciá-las devido às limitações que continuam a existir", sublinha Miguel Jerónimo.

A situação é semelhante um pouco por todo o mundo, e afeta particularmente países em que estas entidades são as únicas distribuidoras de bíblias. "Se essas sociedades bíblicas fecharem, enfrentaremos uma situação em que a Bíblia não será distribuída em determinados países e haverá um grande risco de as comunidades cristãs não terem acesso a ela", alerta Oldi Morava, diretor da Missão Internacional para a Sociedade Bíblica na Inglaterra. 

Em Portugal, os principais projetos para este ano foram adiados; entre eles estão o Bíblia Moov (concurso de filmes bíblicos feitos por jovens e realizado em parceria com as disciplinas de Educação Moral e Religiosa), o Congresso Internacional da Bíblia (que seria realizado em setembro e foi adiado para julho do próximo ano), e a revisão da tradução de João Ferreira de Almeida, que será reiniciada no fim deste ano.

Mas a Sociedade Bíblica de Portugal não ficou parada e apostou nas plataformas digitais. Exemplo disso são as sessões de "Salmos musicados", com os músicos Rúben e Rute Alves e a atriz Adelaide de Sousa, e a disponibilização de novos artigos, comentários e informação histórica e arqueológica no site Bíblia.pt.

Com mais de 200 anos de história, a Sociedade Bíblica orgulha-se de já ter ultrapassado "duas guerras mundiais e a pandemia da gripe de 1918", assinala Oldi Morava. "Sempre fomos capazes de continuar. Seria terrível que algumas sociedades do resto mundo tivessem de fechar agora por causa da pandemia de coronavírus".

Em Portugal, além de ser a editora e distribuidora da tradução de João Ferreira de Almeida (a primeira versão completa e a mais vendida da Bíblia em português, com pelo menos três a quatro milhões de exemplares, anualmente, só no Brasil, e a mais vendida de sempre, com mais de 1700 edições e mais de 200 milhões de exemplares), a SBP foi a responsável pela iniciativa A Bíblia manuscrita que, em 2004, mobilizou cerca de 100 mil pessoas que, em todo o país, copiaram o texto completo da Bíblia à mão. O projeto deu origem a três exemplares integrais da Bíblia, um dos quais, com dez volumes e 12.500 páginas, foi doado à Biblioteca Nacional, de Portugal.

Em 2009, a SBP apresentou a nova edição da tradução interconfessional, um projeto que vinha do início da década de 1970, com o título Bíblia para todos. Ao mesmo tempo, uma instalação no Museu das Comunicações, em Lisboa, mostrava um robô a copiar integralmente, letra a letra, o texto bíblico.


Sete Margens/ Evangelico Digital/ Dom Total



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