Coronavírus

05/08/2020 | domtotal.com

Voltar às aulas em países onde a Covid-19 não está controlada piora o problema, diz OMS

Segundo a Unesco, 1 bilhão de alunos no mundo ainda estão sem aulas

Michael J. Ryan, diretor de emergências da Organização Mundial da Saúde (OMS)
Michael J. Ryan, diretor de emergências da Organização Mundial da Saúde (OMS) (AFP)

O diretor de emergências da Organização Mundial da Saúde (OMS), Michael Ryan, disse nesta quarta-feira (5) que realizar a volta às aulas em países que não controlaram a transmissão de Covid-19 piora o problema.

"Nós todos queremos nossas crianças de volta às escolas", afirmou durante live para responder dúvidas do público. "Mas abrir as instituições em meio à transmissão comunitária provavelmente vai piorar o problema".

A líder técnica da resposta ao coronavírus da OMS, Maria Van Kerkhove, declarou que, nesta discussão, é necessário sempre lembrar que escolas não são ambientes separados de seu entorno. "Se houver transmissão na comunidade, essa transmissão vai acontecer no ambiente escolar".

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Ryan apontou que reconhece o preço que os menores estão pagando por essa falta de acesso à educação. "Muitos países usam as escolas como um ambiente seguro para crianças, para garantir acesso à alimentação e prevenir exploração e abusos a elas", disse.

Porém, acrescentou que retomar o ensino presencial nos países em que o vírus está descontrolado vai gerar uma situação de "abre e fecha". "[Para reabrir], também são necessárias medidas para reduzir a transmissão no ambiente escolar e protocolos para reagir caso existam casos no local".

O diretor também avaliou que a reabertura envolve não somente mudanças, mas investimentos para aplicar essa modificações, o que pressupõe gastos.

Os dois afirmaram que as instituições de ensino variam muito entre si, então não é possível oferecer uma receita para reabertura que abranja todas. "Escolas são diferentes pelo mundo. E aquelas para crianças pequenas são diferentes de outras pro Ensino Médio, que também se diferem de universidades e faculdades", afirmou Maria.

Pouco mais de dez países já abriram suas escolas, entre eles França, Alemanha e Austrália, mas 1 bilhão de alunos no mundo (60% do total) ainda estão sem aulas, segundo a Unesco.

Reabertura de escolas no Brasil

Na segunda-feira (3) Ryan declarou que a pandemia no país continua a ser preocupante e avaliou que o primeiro passo para controle é suprimir a transmissão intensa do vírus.

Segundo a OMS, o Brasil tem contabilizado cerca de 60 mil novos casos diariamente. No total, são 2,8 milhões de infecções e mais de 96 mil mortes registradas, o que o coloca o país em segundo lugar no ranking de países com mais infectados pela Covid-19, de acordo com a Universidade Johns Hopkins.

A decisão pela volta às aulas é dos estados. Em São Paulo, caso seja mantida a fase amarela do plano de reabertura por 28 dias, a expectativa é retornar ao ensino presencial no dia 8 de setembro. Porém, mesmo com o sinal verde, cidades como a capital paulista e os sete municípios que compõem o ABC paulista não pretendem seguir o calendário.

A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), braço da OMS na América Latina, declarou na terça-feira (4) que a situação do Brasil é crítica e ressaltou São Paulo e Bahia como Estados que enfrentam alto número de novos casos e mortes.


Agência Estado



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