Ciência e Tecnologia

09/08/2020 | domtotal.com

Gigaleak, um vazamento de dados da Nintendo, gera controvérsias nas redes sociais

Material rico para historiadores de games seria fruto de ataque hacker

O Gigaleak traz a confirmação visual de muitos detalhes até então apenas mencionados em entrevistas e matérias antigas
O Gigaleak traz a confirmação visual de muitos detalhes até então apenas mencionados em entrevistas e matérias antigas (Behrouz Mehri/AFP/Getty Images)

Guilherme Neto
Agência Brasil

Nas últimas semanas, um grande volume de informações e curiosidades sobre jogos antigos da Nintendo vazou na internet. Entre os dados mais preciosos do Gigaleak, como foi apelidado pelos fãs da empresa, estão o código fonte e assets (modelos 3D, ícones, sprites, arquivos sonoros, entre outros) de vários jogos da companhia, muitos deles memoráveis. Não se sabe exatamente como ou quando esse material foi adquirido. Suspeita-se que o vazamento esteja relacionado ao ataque hacker de servidores ligados à iQue, uma joint-venture co-fundada pela casa do Mario em 2002 que atua no mercado chinês. O que definitivamente sabemos é que se trata de material confidencial subtraído de forma ilegal.

Embora não revele nenhuma novidade impressionante, ou algum segredo surpreendente guardado a sete chaves, o Gigaleak traz a confirmação visual de muitos detalhes até então apenas mencionados em entrevistas e matérias antigas. Não é difícil imaginar o que aconteceria se algumas ideias descartadas durante o processo de desenvolvimento dos jogos fossem utilizadas na versão final dos jogos.

Uma das descobertas mais mencionadas nesses dias é a presença de Luigi em Super Mario 64. Durante muito tempo, especulou-se a presença do famoso irmão do Mario no game, no qual nem sequer é mencionado. O próprio Shigeru Miyamoto, criador dos personagens, já havia confirmado em entrevistas antigas que tentou implementar um modo cooperativo para dois jogadores: um jogador controlaria o Mario e outro o Luigi. A ideia, infelizmente, não foi levada adiante. Nos quase 25 anos desde o lançamento, muitos fãs dissecaram os arquivos do jogo em busca de resquícios do personagem. Mas só neste vazamento ele foi encontrado: um modelo 3D sem cores do que seria ou, melhor dizendo, poderia ser o Luigi na versão final. Os fãs logo trataram de colorir o personagem e, por meio de mods – modificações não oficiais feitas por fãs – incluí-lo na versão final do jogo.

Claro que não é a primeira vez que uma mod coloca Luigi em Super Mario 64. Aliás, o próprio remake oficial Super Mario 64 DS para o Nintendo DS tornou o herói do macacão verde jogável, assim como Wario e Yoshi. É a primeira vez, porém, que vemos como o Luigi havia sido inicialmente concebido pela Nintendo na época.

Outras descobertas notórias no Gigaleak incluem um protótipo bem diferente de Yoshi's Island (SNES) estrelado não por Yoshi e bebê Mario, mas sim por um narigudo com chapéu e óculos de aviador. Tem ainda uma pista não utilizada em Mario Kart 64, designs beta de Yoshi em Super Mario World e de pokémons em Diamond & Pearl. Tem até um RPG sobre hóquei nunca lançado. Todo esse material possui uma relevância histórica importante, aos nos possibilitar entender o contexto e como funcionou o processo de desenvolvimento de jogos em uma companhia tão cheia de segredos como a Nintendo.

Apesar disso, muitos historiadores têm se dividido sobre a melhor forma de lidar com todo esse conteúdo. Afinal, o Gigaleak é formado por material provavelmente roubado que, inclusive, conta com informações pessoais que não deveriam vir a público, como conversas privadas entre desenvolvedores. O arquivista MrTalida (como ele se identifica nas redes sociais), aficionado por jogos eletrônicos, disse em entrevista ao portal americano The Verge que o material preenche muitas das fantasias mais ousadas dos entusiastas da história dos games. Já o designer de jogos Mike Mika acredita que o vazamento possa fazer com que a Nintendo reforce ainda mais as medidas de proteção de suas propriedades intelectuais, tornando mais difícil o acesso a dados históricos como esses.

A cada dia, porém, novas informações são discutidas pelos fãs nas redes sociais e na imprensa. O Gigaleak começou a vazar em maio, mas de forma confusa. Mesmo sem exigir nenhum conhecimento muito profundo, um leigo como eu se perderia em meio a tantas pastas desorganizadas e códigos de programação ultrapassados. Ainda bem que há quem se disponha a mexer nesse palheiro e "traduzir" o material por meio de prints, vídeos, fotos e mods, e ROMs (formato adotado por jogos antigos).  Assim, viram assunto nas redes sociais, matérias na imprensa e, claro, memes.

Publicado originalmente por Agência Brasil.


Agência Brasil



Comentários
Newsletter

Você quer receber notícias do domtotal em seu e-mail ou WhatsApp?

* Escolha qual editoria você deseja receber newsletter.

DomTotal é mantido pela EMGE - Escola de Engenharia e Dom Helder - Escola de Direito.

Engenharia Cívil, Ciência da Computação, Direito (Graduação, Mestrado e Doutorado).

Saiba mais!