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07/08/2020 | domtotal.com

Fundação Clóvis Salgado disponibiliza online 13 clássicos do Expressionismo Alemão

Cinema do entreguerras revelou nomes com Fritz Lang, F.W. Murnau e G. Whilhelm Pabst

'O gabinete do Dr. Caligari' reflete a delirante situação social da época
'O gabinete do Dr. Caligari' reflete a delirante situação social da época (FCS/Divulgação)

Larissa Troian

Integrando o projeto Palácio em sua companhia, a Fundação Clóvis Salgado, por meio do Cine Humberto Mauro, estreia a primeira parte da Mostra Expressionismo alemão, que reúne 13 longas-metragens de um dos movimentos cinematográficos mais influentes da história das artes. 

No evento, totalmente online, serão disponibilizados filmes dos diretores alemães Robert Wiene (1873-1938), Friedrich W. Murnau (1888-1931), Paul Leni (1885-1929), e dos austríacos Fritz Lang (1890-1976) e Georg Whilhelm Pabst (1885-1967). Além de disseminar a arte expressionista alemã, um dos objetivos do projeto é continuar garantindo ao público o repertório do Cine Humberto Mauro durante o período de isolamento social, de forma acessível e gratuita, afim de manter seu público sempre perto das obras e eventos. A mostra tem correalização da Appa - Arte e Cultura.

O movimento expressionista alemão emergiu entre a Primeira e a Segunda Guerra Mundial, no período de 1919 até 1933. Após o conflito da Primeira Guerra, e pelas restrições impostas pelo Tratado de Versalhes, a sociedade alemã convivia com um forte sentimento de desesperança e intensa crise econômica. Despontado pela poesia e pela pintura no início do século 1920, o Expressionismo também teve forte representação no teatro, na arquitetura e no cinema mudo.

Nesse contexto, cineastas criaram novas formas narrativas para captar e traduzir a angústia e o pessimismo da época. Segundo Mariah Soares, uma das curadoras do evento, "os filmes expressionistas são compostos por cenários distorcidos, enigmáticos, e pelo uso de luzes e sombras muito contrastadas na fotografia, gerando um aspecto fantasioso. Todos os elementos estéticos contribuíam para narrativas mais sombrias, que representavam a visão de mundo não só dos cineastas, mas de uma população que havia passado por um período traumático de desgaste social e econômico".

Ainda segundo Soares, "os filmes expressionistas se opunham, em sua grande maioria, ao mundo burguês e ao trabalho mecânico, sendo uma forma de expressão que tratava fortemente de questões sociais, emocionais e psicológicas". De grande influência na história do cinema, as produções alemãs do início do século 20 estabeleceram bases para dois grandes gêneros do cinema moderno: o filme de terror e o filme noir.

Para Bruno Hilário, também um dos curadores, existem vários níveis de importância de reviver e relembrar essas obras. Segundo ele, a primeira delas "é o deleite estético, pois são obras muito ricas, que trouxeram um grande impacto e foram fundamentais para o desenvolvimento da linguagem cinematográfica e da autonomia dela diante de outras linguagens artísticas que condensam uma experiência cinematográfica".

Bruno ressalta que "o cinema expressionista está abraçado de alguma forma pela arte pictórica expressionista, num momento em que determinados artistas e pintores passaram a buscar elementos simbólicos de uma situação interna que esses próprios artistas viviam".

Além de Mariah Soares e Bruno Hilário, a mostra conta com a curadoria de Vitor Miranda, Matheus Pereira e Júlio Cruz. Na primeira parte, serão exibidos filmes mudos que consagraram o estilo, como O gabinete do dr. Caligari (1920), Nosferatu (1922) e Metrópolis (1927). Na segunda parte da mostra, que entra no ar em 21 de agosto, serão adicionados mais 12 longas que aprofundam a discussão em relação ao movimento a partir de obras menos difundidas. O conjunto de 25 filmes estará disponível até 8 de setembro.

As tradicionais sessões do Cine Humberto Mauro continuam em versão online, disponibilizadas no canal da Fundação Clóvis Salgado no YouTube. Estão previstas também sessões especiais das tradicionais mostras História Permanente do Cinema e Cinema e Psicanálise, que contarão com a exibição online ao vivo, pelo canal da Fundação Clóvis Salgado no Youtube, de um longa seguido de comentários de especialistas.

Programação:

O gabinete do Dr. Caligari, de Robert Wiene (Das kabinett des Doktor Caligari, ALE, 1920)

Num pequeno vilarejo da fronteira holandesa, um misterioso hipnotizador, Dr. Caligari (Krauss), chega acompanhado do sonâmbulo Cesare (Veidit) que, supostamente, estaria adormecido por 23 anos. À noite, Cesare perambula pela cidade, concretizando as previsões funestas do seu mestre, o Dr. Caligari.

A morte cansada, de Fritz Lang (Der müde tod, ALE, 1921)

Num vilarejo europeu do século 19, a Morte leva um jovem quando ele estava prestes a se casar. Sua noiva, aos prantos, suplica que devolva a vida do seu amor. A Morte decide dar uma chance à jovem desesperada, prometendo devolver a vida do noivo se ela conseguir evitar a morte de uma das três vidas prestes a perecer. Lang mostra, então, a história das três luzes; na exótica Pérsia, na Veneza Renascentista, e na China Imperial. Três tentativas de esperança. Três conflitos entre o amor e a morte.

Nosferatu, de F. W. Murnau (Nosferatu, eine Symphonie des Grauens, ALE, 1922)

Hutter, agente imobiliário, viaja até os Montes Cárpatos para vender um castelo no Mar Báltico, cujo proprietário é o excêntrico conde Graf Orlock, na verdade, um milenar vampiro que, buscando poder, se muda para Bremen, Alemanha, espalhando o terror na região. Curiosamente, quem pode reverter esta situação é Ellen, a esposa de Hutter, pois Orlock, está atraído por ela.

Fantasma, de F. W. Murnau (Phantom, ALE, 1922)

Lorenz Lubota, um pobre rapaz que trabalha como escrivão, é atropelado por uma carruagem no meio da rua. Lá dentro estava Veronika, uma mulher misteriosa e sensual, por quem ele desenvolve grande obsessão amorosa. Mas, durante sua busca para reencontrá-la, ele acaba conhecendo Melitta, uma sósia de sua amada, que trabalha em um bordel, que irá transformar sua vida para sempre.

A última gargalhada, de F.W. Murnau (Der letzte mann, ALE, 1924)

O elegante hotel Atlantis, de Berlim, possui um porteiro já idoso que sente muito orgulho do seu trabalho, agindo sempre com dedicação e se comportando como um general, em seu resplandecente uniforme, sendo sempre tratado com respeito pelos amigos e vizinhos. Entretanto, o novo gerente do hotel se mostra insensível quando vê o velho porteiro se recompor, parando para descansar, após carregar uma pesada bagagem. O gerente decide que o porteiro é velho demais para o cargo e o rebaixa para criado do banheiro masculino. Isto provoca um efeito desastroso na auto-estima e no prestígio do porteiro.

O gabinete das figuras de cera, de Paul Leni, Leo Birinsky (Das wachsfigurenkabinett, ALE, 1924)

Um jovem poeta é contratado por um museu de cera para escrever as biografias de três grandes criminosos, que tiveram suas imagens transformadas em estátuas para ficarem expostas no local. A partir de então, o filme narra três episódios sobre os personagens (o califa de Bagdá Harun al Raschid; Ivan, O Terrível e Jack, O Estripador), apresentando visões independentes da maldade humana.

Tartufo, de F. W. Murnau (Herr tartüff, ALE, 1922)

Um jovem decide mostrar ao seu avô milionário algo que certamente o fará ter outra visão sobre o contexto social que vivem e seu governo: um filme baseado no Tartuffo de Molière. A intenção é fazê-lo enxergar a hipocrisia dos governantes.

Fausto, de F.W. Murnau (Faust - Eine Deutsche volkssage, ALE, 1926)

Baseado na famosa peça de Goethe, temos Fausto, um velho alquimista que vê sua cidade ser assolada pela peste negra. Vendo tanta morte, começa a pensar sobre sua própria finitude. Ele então evoca Mefistófeles e lhe pede de volta sua juventude eterna. O demônio a garante, em troca da alma de Fausto. Tudo parecia perfeito, até Fausto se apaixonar por uma jovem italiana.

Metrópolis, de Fritz Lang (ALE, 1927)

O ano é 2026, a população mundial se divide em duas classes: a elite dominante e a classe operária; esta é condenada desde a infância a habitar os subsolos, escravos das monstruosas máquinas que controlam a Metrópolis. Quando o filho do criador de Metrópolis se apaixona por Maria, a líder dos operários, tem início a mais simbólica luta de classe já registrada pelo cinema.

Aurora, de F.W. Murnau (Sunrise: a song of two humans, EUA, 1927)

Um homem pondera matar sua inocente esposa, mas é acometido pela culpa, e a mulher reage com terror quando suas intenções ficam claras. Enquanto isso, o marido tenta levar adiante o plano, mas é atormentado por uma sedutora mulher da cidade, que chega a assombrar os pensamentos do homem. O casal, que é do interior, acaba tendo suas vidas destruídas pela mulher que veio de fora.

O homem que ri, de Paul Leni (The man who laughs, EUA, 1928)

Herdeiro de um ducado, Gwynplaine é seqüestrado quando garoto e, por ordem do rei, fica com o rosto esculpido num perpétuo sorriso macabro. Quando cresce, acaba virando atração de circo como palhaço. Esse é o início da saga do herói de aparência assustadora, mas de uma humanidade comovente. Baseado na obra do escritor francês Victor Hugo.

A caixa de Pandora, de Georg Wilhelm Pabst (Die büchse der Pandora, ALE, 1929)

A beleza e o charme da jovem Lulu (Louise Brooks) costuma deixar os homens atordoados. Em um dos seus jogos de sedução, ela conquista o amor de Peter Schön (Fritz Kortner), diretor de um importante jornal. Embalados pelo romance, os dois se casam rapidamente. Mas existe um entrave para a harmonia do relacionamento: Peter Schön tem ciúmes de seu próprio filho, Alwa (Francis Lederer). Durante uma violenta discussão sobre essa situação, Lulu acaba matando o marido para se defender. Agora, ela precisa fugir, e decide fazer isso na companhia de seu enteado.

M, o vampiro de Dusseldorf, de Fritz Lang (M, ALE, 1931)

Um misterioso infanticida leva o terror a Dusseldorf. A polícia local não consegue capturar o serial killer, então, um grupo de foras-da-lei se une para encontrar o assassino. Capturado pelos marginais, ele é julgado por um tribunal de criminosos e é acusado de ter quebrado a ética do submundo.

MOSTRA EXPRESSIONISMO ALEMÃO
Disponível de 7 de agosto a 8 de setembro
Canal da Fundação Clóvis Salgado no YouTube


Fundação Clóvis Salgado/Dom Total



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