Economia

09/08/2020 | domtotal.com

Estados Unidos aumentam cerco às redes chinesas TikTok e WeChat

Para China, proibição das redes sociais é 'manipulação e repressão políticas' dos EUA

A proibição também afeta a plataforma WeChat, que pertence ao grupo Tencent
A proibição também afeta a plataforma WeChat, que pertence ao grupo Tencent (AFP)

O presidente Donald Trump anunciou amplas restrições nos Estados Unidos contra as redes sociais chinesas TikTok y WeChat, uma decisão que provocou nesta sexta-feira (7) uma resposta de Pequim e uma ameaça de ações legais por uma das empresas afetadas.

Por meio de um decreto, que entra em vigor em 45 dias, Trump proíbe qualquer transação nos Estados Unidos com as empresas proprietárias do aplicativo de vídeos TikTok e do app de mensagens WeChat.

Trump alegou questões de segurança nacional para justificar a decisão contra a ByTeDance (dona do TikTok) e a Tencent, uma das líderes da indústria de jogos eletrônicos e também uma das empresas mais ricas do planeta.

A medida aumenta a pressão sobre a ByteDance para que conclua as negociações de venda da plataforma de vídeos para a Microsoft, além de criar outra fonte de confronto entre a Casa Branca e Pequim.

Na segunda-feira, Trump aceitou a possibilidade de o TikTok ser comprado por um grupo americano, mas a transação terá de acontecer até 15 de setembro, sob risco de proibição da plataforma.

O decreto presidencial cita uma ameaça à "segurança nacional, à política externa e à economia dos Estados Unidos" para justificar a decisão. "O TikTok automaticamente captura vastas faixas de informações de seus usuários, incluindo informações como localização e históricos de visitas e buscas na Internet", afirma o texto.

A China reagiu nesta sexta-feira e denunciou o que considera "manipulação e repressão políticas" dos Estados Unidos pela proibição. O porta-voz do Ministério chinês das Relações Exteriores, Wang Wengbin, acusou Washington de "colocar interesses egoístas acima dos princípios de mercado e da norma internacional".

Os Estados Unidos "fazem uma manipulação e uma repressão política arbitrárias que só podem levar ao seu próprio declínio moral e prejudicar sua imagem", acrescentou.

Ações legais

O TikTok ameaçou iniciar ações legais nos tribunais dos Estados Unidos. "Nós vamos buscar todas as soluções disponíveis para assegurar que o estado de direito não seja descartado e que nossa empresa e nossos usuários sejam tratados de maneira justa - se não pelo governo, então pelos tribunais dos Estados Unidos", afirma o TikTok em um comunicado.

De acordo com o decreto de Trump, os dados do TikTok, que foi baixado 175 milhões de vezes nos Estados Unidos e mais de um bilhão de vezes no mundo, podem potencialmente ser usados pela China para detectar a localização de funcionários e terceirizados do governo americano, elaborar dossiês para chantagear pessoas e fazer espionagem corporativa.

Na quinta-feira, o Senado americano votou para proibir que o TikTok seja instalado nos smartphones dos funcionários federais. O projeto de lei aprovado pelo Senado, de maioria republicana, será enviado à Câmara de Representantes, dominada pela oposição democrata. 

Trump e outras fontes do governo afirmam que o TikTok pode ser usado por Pequim para espionar os usuários americanos, o que é negado pela plataforma, que opera fora da China.. "Como o TikTok, o WeChat captura automaticamente vastas faixas de informação dos usuários, ameaçando assim dar ao Partido Comunista Chinês acesso a informações pessoais dos americanos", afirma o decreto.

Grandes sucessos chineses

Ao proibir os aplicativos WeChat e TikTok nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump investe contra os dois gigantes chineses de Internet com ambições globais e abre uma nova frente na rivalidade tecnológica com Pequim.

O que é o WeChat?

É um aplicativo de mensagens instantâneas lançado em 2011 e que oferece funções semelhantes ao WhatsApp americano, como troca de textos, de fotos e de vídeos. O WeChat foi o primeiro a propor um recurso de mensagens de áudio que o tornou muito popular na China.

Desde então, o aplicativo adicionou uma ampla gama de serviços e se diversificou: pagamento por telefone (on-line, ou na loja, através de um sistema de código de barras), notícias, reservas de hotéis, ou de viagens, videogames, finanças on-line, entre outros.

Conhecido como Mandarin Weixin, o WeChat possui pelo menos 1,2 bilhão de usuários ativos. A maioria é chinesa, embora o aplicativo esteja disponível em cerca de 20 idiomas. É de propriedade da Tencent, uma das gigantes chinesas no setor digital e líder incontestável em videogames para smartphones. O grupo rivalizou com o Facebook por um tempo em termos de preços das ações.

Aplicativo sob vigilância

O WeChat foi criticado pelo Citizen Lab, um instituto especializado em controle de informações e vinculado à Universidade de Toronto, por ter censurado qualquer referência ao novo coronavírus, quando a pandemia começou na China.

Alguns termos excluídos se referiam a informações que depois foram divulgadas oficialmente, como o fato de o vírus se espalhar de humano para humano.

Em nome da estabilidade, é comum na China os gigantes da Internet suprimirem conteúdos considerados politicamente sensíveis e que costumam ser classificados como “rumores”. O WeChat filtra o conteúdo de todos os usuários registrados com um número de telefone chinês, disse o Citizen Lab em 2016.

A política de confidencialidade do WeChat aconselha que as informações do usuário possam ser compartilhadas “se necessário”, com o Estado, por exemplo, “para se submeter a uma obrigação legal, ou a procedimentos judiciais”.

TikTok, 2 bilhões de downloads

Passos de dança, ou música em playback, desafios filmados, cenas absurdas, ou engraçadas: o pequeno aplicativo de compartilhamento de vídeo conquistou adolescentes em todo mundo.

O TikTok superou dois bilhões de downloads no mundo, de acordo com a empresa que acompanha o mercado de aplicativos Sensor Tower, em um momento em que grande parte da humanidade estava confinada pelo novo coronavírus.

O TikTok é a versão internacional do aplicativo Douyin (seu nome em mandarim), destinado apenas ao mercado chinês. Os dois pertencem ao grupo privado ByteDance, fundado em 2012, em Pequim, pelo engenheiro de computação Zhang Yiming. Na casa dos 30, ele foi uma das 20 maiores fortunas da China no ano passado, avaliada em US$ 13,5 bilhões, segundo o ranking da Hurun.

Suspeitas e controvérsias

Washington suspeita de que o TikTok seja uma ferramenta para os serviços de Inteligência chineses, uma acusação que a empresa sempre negou. Os Estados Unidos representam para o TikTok o terceiro país em termos de downloads.

Na Índia, o aplicativo foi proibido no final de junho, também em nome da segurança nacional, após um confronto com a China que terminou em mortos por causa de litígios fronteiriços no Himalaia. Os indianos representam um terço dos usuários do TikTok em todo mundo, de acordo com a Sensor Tower.

No ano passado, o TikTok já havia sido proibido brevemente na Índia e em Bangladesh, onde as autoridades acusaram o app de transmitir vídeos pornográficos.

Em 2019, o TikTok foi questionado por contas que difundiam vídeos de propaganda da organização Estado Islâmico (IS). O aplicativo acabou excluindo esses perfis.


AFP



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