Cultura

10/08/2020 | domtotal.com

Por que me ufano de ser católico

Em verdade vos digo que o catolicismo é mais evangélico do que as igrejas ditas evangélicas

A Igreja Católica tem nos Evangelhos a fonte da sua pregação diária
A Igreja Católica tem nos Evangelhos a fonte da sua pregação diária (Unsplash/Brandon Morgan)

Afonso Barroso*

Religião não se discute, o que é mesmo indiscutível. Por isso, não vou discutir. Quero apenas dizer por que sou católico e expor as razões que me fazem afirmar ser esta a religião mais lógica que existe no universo das organizações religiosas.

Pra começo de conversa, só a religião católica tem a certeza de que a Virgem Maria foi uma mulher escolhida por Deus para dar à luz um menino que mudaria a história do mundo. Sim, meus caros amigos e minhas amantíssimas amigas, é mais do que lógico que essa foi uma escolha divina, donde se deduz a divindade da virgem à qual foi destinado não um parto qualquer, mas a missão de ser a mãe de Jesus Cristo. Daí os católicos a considerarem bendita entre as mulheres, enquanto para as outras religiões ela não passa de uma mulher como as outras. O que, para mim, é um sacrilégio.

Conversei sobre isso certa vez com um pastor evangélico, para quem Maria não foi mais do que a mãe de um homem, não de Deus. Também negou que Maria seja intercessora junto a Deus dos nossos pedidos em momentos de aflição. Argumentei que sim e disse a ele, já que é evangélico, que está nos Evangelhos a prova dessa intercessão: basta lembrar as famosas bodas de Caná. Por acaso não foi a ela que recorreram os anfitriões da festa quando faltou vinho para os convidados? Não foi ela que levou o problema ao filho? E não foi ela atendida com a transformação de água em vinho, primeiro milagre da vida de Jesus? Encerrei a discussão com uma frase que deixou meu amigo pastor meio confuso. Disse a ele que o catolicismo é, por essas e outras razões, mais evangélico do que as religiões ditas evangélicas. Estas, em verdade, são mais bíblicas do que evangélicas. Enquanto cuidam mais do Velho Testamento, a Igreja Católica tem nos Evangelhos a fonte da sua pregação diária. É o que acontece na celebração da missa, na qual sempre se lê e se comenta um capítulo da vida e dos ensinamentos do Cristo.

Há coisas mais, além da Virgem Maria, que me fazem católico por convicção, embora não praticante como deveria. Os santos, por exemplo. Enquanto as outras religiões não admitem a santidade de certas pessoas especiais, o catolicismo dedica a elas uma veneração verdadeiramente digna e justa.

Basta conhecer a história dos santos para ver como eles realmente merecem ser assim chamados. Dou apenas um exemplo, baseado na crença da minha mãe, que me batizou Afonso por ter nascido no dia 1º de agosto, dia da morte do bispo Afonso Maria de Ligório, Santo Afonso, fundador da congregação Redentorista. Ele foi uma dessas figuras além da mesmice dos homens. Logo que se tornou padre, dedicou os primeiros anos de sacerdócio a cuidar de mendigos em Nápoles, onde se ordenara. E continuou assim até à morte. Criou núcleos de oração e atividades comunitárias para ajudar essas pessoas a cultivar a religião e ter uma vida mais digna. Tornou-se, por suas ações e obras, um dos santos do catolicismo.

Inúmeros outros religiosos e religiosas santificados pela Igreja levaram a vida inteira assistindo pessoas carentes e exercendo atividades de amor ao próximo. No Brasil, temos o melhor exemplo na figura de Irmã Maria Rita de Sousa Brito Lopes Pontes, canonizada como Santa Dulce dos Pobres. Só a religião católica valoriza a ação dessas pessoas especiais, ao ponto de santificá-las na liturgia da Santa Sé e na transcendência da santa fé.

Longe de mim censurar ou condenar outras crenças. Mas me orgulho de ser católico, no sentido não pecaminoso do orgulho.

*Afonso Barroso é jornalista, redator publicitário e editor



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