Religião

13/08/2020 | domtotal.com

Padre Geovane: 32 anos de vida sacerdotal

"Seduziste-me, Senhor, e eu me deixei seduzir" (Jr 20, 7)

Dom Aloísio Lorscheider impondo às mãos durante ritual de ordenação presbiteral do então diácono Geovane Saraiva
Dom Aloísio Lorscheider impondo às mãos durante ritual de ordenação presbiteral do então diácono Geovane Saraiva (Arquivo pessoal/ Geovane Saraiva)

Geovane Saraiva*

Dom Pedro Casaldáliga partiu aos 92 anos para o seio do Pai, em 8 de agosto de 2020. Neste mundo, Deus lhe deu a graça de confiar no seu inesgotável amor, mesmo em meio a situações contrárias e adversas ao seu sonho solidário e fraterno, sentindo-se seguro na experiência da compaixão e da ternura divina. 

Ele foi grande e forte, com sua vida e seu anúncio profético a ecoar pelo mundo, mas tudo porque carregou consigo as angústias e as dores dos fracos, dos empobrecidos e dos injustiçados, com eles se solidarizando. Numa luta, evidentemente, desigual do nosso mundo, com suas exigências e desafios, estava convicto de que Deus o chamava a contribuir com sua obra libertadora, instaurada por Jesus de Nazaré.

Aproveito a circunstância vivida pela Igreja, por ocasião do mês vocacional, também em solidariedade para com os brasileiros que perderam seus amores para a Covid-19, já passando de 100 mil pessoas, para agradecer ao bom Deus pelos meus 32 anos de ministério sacerdotal (14 de agosto de 1988), no que já disse alhures, com um lema que escolhi, embora longe de vivenciá-lo na sua plenitude: "Seduziste-me, Senhor, e eu me deixei seduzir" (Jr 20, 7). 

Nunca perdi de vista o que nos fala o profeta Jeremias, de que a luta continua desigual. Na certeza da esperança, a partir da fome e sede de vida que há no interior do coração humano, vantagens e honras são incompatíveis e estão distantes do projeto de Deus, supremo bem. Ao encontrá-lo pelo ministério sacerdotal, nada sou, a não ser na misericordiosa justiça de Deus, na fé no mesmo Senhor e Deus.

Homenageio dom Aloísio Lorscheider, instrumento de Deus, que me ordenou sacerdote, sendo ele modelo de sacerdote e anunciador da esperança cristã, homem certo, na hora certa, na estreita coerência evangélica, sinal vivo de Deus. Era um filho de São Francisco, de um coração naturalmente bom, terno e afável, configurado com Jesus de Nazaré, nos incontáveis modos de testemunhar sua fé. Se bem que São Francisco nos ajuda, na compreensão do profeta Jeremias, embora tivesse como seu referencial maior o poverello de Assis, na opção voltada aos empobrecidos, no consistente duelo por uma sociedade mais inclusiva, solidária e justa.

Dai-nos, ó Deus, a graça de compreender que só com a vida de fé, tendo como arquétipos incontáveis irmãos que nos precederam, na certeza de que vosso benevolente desígnio de amor está sempre mais a nos revelar a busca do verdadeiro caminho, mas com as marcas da solidária justiça divina. Assim nos atentamos melhor às razões, pelas quais buscamos os apelos da própria vida segundo a vontade de Deus, com pouco a nos queixar, mas com muito a render graças. Assim seja!

*Geovane Saraiva é pároco de Santo Afonso, blogueiro, escritor e integra a Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza (AMLEF)



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