Brasil

13/08/2020 | domtotal.com

'Mortes poderiam ter sido evitadas com cloroquina', diz Bolsonaro

Em evento em Belém, no Pará, presidente disse ser a 'prova viva' da eficácia do remédio, que não tem comprovação científica

Em evento em Belém, no Pará, presidente disse ser a 'prova viva' da eficácia do remédio, que não tem comprovação científica
Em evento em Belém, no Pará, presidente disse ser a 'prova viva' da eficácia do remédio, que não tem comprovação científica (Alan Santos/PR)

O presidente Jair Bolsonaro voltou a divulgar o uso da hidroxicloroquina como alternativa para o tratamento da Covid-19. Em evento em Belém (PA), nesta quinta-feira (13), o chefe do Executivo disse ser "a prova viva" da eficácia do remédio, que não tem comprovação científica.

"Sabemos que mais de 100 mil pessoa morreram no Brasil. Caso tivessem sido tratadas lá trás com esse medicamento, poderiam essas (perdas de) vidas terem sido evitadas; mais ainda aqueles que criticaram a hidroxicloroquina não apresentaram (outra) alternativa", declarou.

Dados coletados pelo consórcio de imprensa entre Estadão, G1, O Globo, Extra, Folha e UOL indicam que o total de óbitos no Brasil é de 104.263 e o de contaminações, 3.170.474. Em julho, o presidente entrou para as estatísticas da pandemia e foi diagnosticado com o novo coronavírus. Ele divulgou amplamente a cloroquina, afirmando ter utilizado o medicamento em seu tratamento.

Bolsonaro participou da inauguração da obra de revitalização do Porto Futuro na capital paraense. Em seu discurso, ele citou que o estado recebeu mais de R$ 2 bilhões em recursos para o combate a Covid-19 e 400 mil unidades de cloroquina.

"Destinamos também a esse estado maravilhoso, mesmo sem comprovação científica, mais de 400 mil unidades de cloroquina para o tratamento precoce da população. Eu sou a prova viva que (cloroquina) deu certo. Muito médicos defendem esse tratamento", disse.

O presidente voltou a repetir também que sempre alertou sobre a necessidade de combater o vírus e o desemprego causado pela pandemia da Covid-19. "Sabemos que a vida não tem preço, mas o desemprego leva à depressão e leva também à doença e à morte", declarou.

Hidroxicloroquina

O ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello, afirmou nesta quinta-feira (13), que o governo federal não conseguiu atender nem 50% das demandas por hidroxicloroquina. Segundo ele, a pasta já distribuiu 5,3 milhões de doses do remédio.

"Coloco de uma forma bem clara que nós atendemos demandas, nós não distribuímos sem demanda", disse durante participação em audiência pública na comissão que acompanha a situação fiscal da pandemia do novo coronavírus do Congresso. O ministro foi convidado para explicar a logística de medicamentos e de testes para diagnósticos da doença para todo o país.

Pazuello explicou que, no início da pandemia, o Ministério da Saúde precisou do auxílio de outras pastas para estruturar a compra de medicamentos para intubação de pessoas em estado grave. Segundo ele, o governo fez um esforço para localizar empresas que tinham os insumos e que, até o momento, foram repassados 3,4 milhões de kits de intubação para Estados e municípios.

"Fizemos também aquisições internacionais junto à Opas, junto ao Uruguai, já executada, e estamos também fazendo uma terceira etapa com a União Europeia. Esses medicamentos do Uruguai já foram recebidos, com apoio do Ministério da Defesa, e distribuídos para Estados do Sul. Os medicamentos da Opas estão para chegar esta semana, de uma licitação internacional. O acordo da União Europeia também, nos próximos 15 dias."

Testagem

Durante a audiência, o ministro e técnicos da pasta apresentaram projeções da ampliação da testagem para Covid-19, mas ressaltaram que cabe ao médico decidir como será feito o diagnóstico em casos suspeitos. Até o momento, as redes pública e privada de saúde realizaram 9,3 milhões de testes para diagnósticos da doença -sendo 3,8 milhões de testes RT-PCR e 5,5 milhões de testes sorológicos (rápidos).

"Temos o raciocínio de fazer 24,5 milhões de testes RT-PCR, somando com o que já foi feito, e 22 milhões de testes sorológicos", explicou o ministro. Para chegar a este número, segundo ele, o governo federal reforçou a compra de insumos para realização dos exames.


Agência Estado/Dom Total



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