Economia

13/08/2020 | domtotal.com

Ministério diz não ter sido notificado por China sobre covid em frango do Brasil

Segundo a nota, outras amostras do mesmo lote foram coletadas, analisadas e os resultados foram negativos

Linha de produção de frango em fábrica no Paraná, Brasil
Linha de produção de frango em fábrica no Paraná, Brasil (AFP)

O Ministério da Agricultura (Mapa) informou que "até o momento não foi notificado oficialmente pelas autoridades chinesas" sobre a suposta detecção de traços de coronavírus em lote de asas de frango brasileiro importado pelo país. Ao Broadcast Agro, disse que ainda na noite da quarta-feira (12), após notícia veiculada na imprensa da província chinesa, acionou o adido agrícola em Pequim, "que consultou a Administração Geral de Aduanas da China (GACC) buscando as informações oficiais que esclareçam as circunstâncias da suposta contaminação". O GACC é o órgão do governo chinês responsável pela habilitação de estabelecimentos exportadores e que também realiza o controle de mercadorias na aduana.

Na madrugada desta quinta-feira (13), o governo da cidade de Shenzhen, no sul da China, disse que teste feito em uma amostra de asa de frango congelada importada do Brasil apontou presença do coronavírus.

Segundo a administração local, a descoberta foi feita após uma pequena amostra da superfície ser retirada do lote e testada por centros locais de controle de doenças.

De acordo com o comunicado, por meio do número do lote identificou-se como sendo da Aurora Alimentos, de Santa Catarina.

No comunicado, o Ministério da Agricultura destacou que outras amostras do mesmo lote foram coletadas, analisadas e os resultados foram negativos, segundo informações do governo de Shenzhen, e que as pessoas que manusearam o material também testaram negativo para Covid-19.

"O Mapa ressalta que, segundo a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) e a Organização Mundial da Saúde (OMS), não há comprovação científica de transmissão do vírus da Covid-19 a partir de alimentos ou embalagens de alimentos congelados", afirmou o Ministério.

A pasta disse, ainda, que "reitera a inocuidade dos produtos produzidos nos estabelecimentos" sob o Serviço de Inspeção Federal (SIF) - sistema de controle e credenciamento de frigoríficos. "Visto que obedecem a protocolos rígidos para garantir a saúde pública", destaca a nota.

OMS

"Vamos continuar a monitorar descobertas como essa, mas não há evidência de que o alimento ou a cadeia de alimentos esteja participando na transmissão desse vírus", afirmou o diretor executivo da entidade, Michael Ryan.

Segundo Ryan, esse tipo de questão deve ser monitorada, mas "é importante que as pessoas mantenham sua vida comum sem medo, sem temor aos alimentos ou às embalagens de alimentos". Ele considerou que seria negativo criar a impressão de que existiria um problema com a comida ou com as cadeias de alimentos, "que já estão sob pressão" por causa da pandemia. As pessoas devem ser sentir "confortáveis e seguras" sobre isso, comentou. "Há muitas outras razões para que protejamos e devamos cozinhar nossa comida de modo adequado", lembrou. "Mas eu acho que não devemos colocar o covid como um risco nessa área."

Ryan disse que, em relação ao novo coronavírus, "nossa comida é segura", mas que há "muitas razões para mantê-la segura e há muitos trabalhando nisso pelo mundo".

Também presente na coletiva, a líder da resposta da OMS à pandemia, Maria Van Kerkhove, disse que a entidade está ciente sobre os relatos e comentou que a China testou milhares de embalagens, encontrando menos de dez delas com o vírus. Ela lembrou que a OMS já divulgou diretrizes para manter as pessoas seguras no trabalho na cadeia de alimentos. Além disso, afirmou: "Se o vírus estiver dentro da comida - e não temos exemplos do vírus sendo transmitido como alimento consumido - ele pode ser morto, como outros, se a comida for cozida".

De acordo com fontes ouvidas pelo Broadcast Agro, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, não vai se pronunciar sobre o assunto.

Até o fechamento deste texto, a reportagem não havia obtido um posicionamento da empresa citada.


Agência Estado/Dom Total



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