Brasil Política

14/08/2020 | domtotal.com

Loja de chocolates de Flávio Bolsonaro fraudava notas fiscais, diz empresário

Ministério Público suspeita que chocolate era usado para lavar dinheiro da 'rachadinha'

Senador nega acusações
Senador nega acusações (Reprodução Instagram)

O empresário que vendeu ao senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) uma loja de chocolates da franquia Kopenhagen afirmou, em depoimento ao Ministério Público do Rio (MP-RJ), que sofreu ameaças ao tentar denunciar que a unidade do filho do presidente Jair Bolsonaro fraudava notas fiscais. A informação foi revelada nesta quinta-feira (13), pelo Jornal Nacional, que teve acesso ao documento.

De acordo com o depoimento de Cristiano Correia Souza e Silva, a unidade da franquia pertencente a Flávio, localizada em um shopping na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio, vendeu produtos por um valor menor do que o preço tabelado pela marca. Panetones por exemplo, que deveriam custar R$ 100, foram vendidos por R$ 80 no Natal de 2016.

Cristiano denunciou a prática à matriz, que, segundo ele, realizou um procedimento de fiscalização, no qual constatou que as notas fiscais eram emitidas com o preço cheio, mas o cliente pagava um valor menor do que o registrado.

Procurado pela reportagem, o grupo CRM, detentor da marca Kopenhagen, confirmou que a unidade sofreu advertência e multa pela infração contratual. "O Grupo CRM apurou o caso e, tendo constatado por meio da sua Diretora Comercial à época, que de fato a loja estava praticando uma promoção não autorizada, o franqueado foi imediatamente notificado, advertido e multado de acordo com as cláusulas previstas em contrato", disse o grupo.

Após denunciar o caso, Cristiano Correia Souza e Silva relatou que ele e sua mulher sofreram ameaças do sócio de Flávio Bolsonaro na unidade, Alexandre Santini, por meio de mensagens, segundo mostrou a reportagem do Jornal Nacional. Ele afirmou ao MP que registrou ocorrência policial, mas deixou o caso de lado por medo.

A loja de Flávio é alvo de investigação de lavagem de dinheiro. Uma das hipóteses em apuração pelo Ministério Público é de que a franquia no shopping tenha sido usada para lavar recursos públicos ilegalmente desviados no suposto esquema de "rachadinha" na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Documentos obtidos pelo MP também mostram que a loja recebia mais dinheiro vivo que a média das franqueadas.

A reportagem procurou Flávio Bolsonaro por meio de sua assessoria de imprensa. O senador não negou as acusações nem forneceu explicações sobre os motivos que teriam levado sua loja a fraudar as notas fiscais emitidas. Flávio falou em "alucinação de alguns promotores do Rio em persegui-lo", e disse que, "com isso, buscam atacar sua imagem pública, uma vez que, processualmente, não há nada mais que eles possam fazer."

O senador disse ainda esperar que o procurador-geral de Justiça do MP/RJ, Eduardo Gussem, "não prevarique e instaure, imediatamente, procedimento para apurar conduta criminosa desses poucos promotores de injustiça por violação de sigilo profissional, uma vez que o processo deveria correr em segredo de justiça, mas é insistentemente, trazido a público, inviabilizando a defesa do Senador dentro do devido processo legal e do contraditório".


Agência Estado



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