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21/08/2020 | domtotal.com

Joe Biden consegue unificar democratas e é oficializado candidato à Casa Branca

Em discurso, veterano promete tirar EUA da crise: 'Serei um aliado da luz e não das trevas'

Joe Biden e Kamala Harris comemoram encerramento da convenção, após discurso de nomeação
Joe Biden e Kamala Harris comemoram encerramento da convenção, após discurso de nomeação (Olivier Douliery/AFP)

Depois de quatro dias da convenção democrata, realizada virtualmente, Joe Biden se tornou oficialmente o candidato do partido à Casa Branca. Na última noite da convenção do partido, Biden aceitou a indicação e prometeu usar sua empatia pessoal e sua experiência profissional para tirar os EUA da crise.

"O atual presidente deixou os Estados Unidos na escuridão por muito tempo. Muita raiva, muito medo, muita divisão", disse Biden em um discurso mais curto do que em uma convenção normal, de apenas 25 minutos, em linha com o ritmo mais corrido de uma convenção inteiramente virtual. "Aqui e agora, eu prometo a vocês: se confiarem em mim e me derem a presidência, vou tirar o melhor de nós, não o pior. Serei um aliado da luz e não das trevas".

Desde o início das prévias do partido, ele se apresenta como o nome capaz de criar uma coalizão de forças ampla o bastante para vencer Donald Trump. O argumento de que ele era o pré-candidato melhor colocado nas pesquisas em estados-chave vinha sendo explorado por ele desde janeiro. De lá para cá, as crises econômica e sanitária aumentaram o grau de insatisfação com o governo Trump e fizeram o democrata ser confirmado com ares de favorito para ganhar a eleição.

Sua história de trabalho na vida pública, perdas pessoais e resiliência são apresentadas como fatores que o fazem capaz de "curar uma nação". As palavras que foram usadas durante os quatro dias da convenção democrata para descrever Joseph Robinette Biden Jr. são "empatia" e "decência" - ambas usadas pelos democratas como um contraste em relação a Trump.

Se eleito, Biden será o presidente mais velho a tomar posse nos EUA, aos 78 anos (que serão completados em novembro). Ele está na vida política há 47 anos e chegou a ensaiar candidaturas à Casa Branca outras duas vezes. Em 1973, foi eleito pelo Senado por Delaware, Estado onde vive desde a infância, e foi reeleito seis vezes. Nasceu em Scranton, uma região da Pensilvânia identificada pela classe branca operária.

A mensagem do candidato democrata agora é a de que ele é não só o unificador do partido e da sociedade, como também o nome a conseguir salvar o país de uma crise sem precedentes.

Aos 30 anos, Biden perdeu a mulher e a filha caçula em um acidente de carro. Os outros dois filhos, Beau e Hunter, de 3 e 2 anos, sobreviveram. Casou-se com Jill Tracy, hoje conhecida como Jill Biden, com quem teve outra filha, Ashley.

Em 2015, a família chorou a morte de Beau, vítima de um câncer. "Deve ser Beau quem está concorrendo", disse Biden em entrevista neste ano, ao lembrar dos apelos do filho, quando doente, para que o pai não desistisse da vida pública. As perdas o aproximam da dor de americanos que vivem o luto. O país contabiliza mais de 170 mil mortos pela Covid-19, o número mais alto no mundo.

Histórico

Biden foi um jovem ambicioso e autoconfiante. Lançou a primeira candidatura à presidência com 44 anos. A primeira campanha à Casa Branca foi desastrosa, em parte pelos atropelos do próprio democrata. Ele chegou a ser acusado de plágio em discursos de campanha, teve seu histórico acadêmico questionado e foi colocado contra a parede por ter inflado sua suposta participação em movimentos civis. Para tentar estancar o problema, Biden disse que havia feito coisas idiotas. "E eu vou fazer de novo", afirmou.

Ele age de improviso. Seu jeito o leva a gafes, mas acabou sendo um ativo como vice-presidente do governo de Barack Obama. Na época, ele ficou conhecido por dizer o que pensava, mesmo quando discordava de Obama. Agora, ele diz que espera o mesmo de Kamala Harris: lealdade e questionamento. Como vice-presidente, Biden ganhou poder pela ampla experiência em política externa no Senado e pela bagagem de visitas a Iraque e Afeganistão.

Ele impulsionou sua nomeação, em 2020, ao ser consagrado como o preferido do eleitorado negro e ganhar apoio do establishment partidário. Hoje, como um político da geração mais velha do partido e de centro, Biden enfrenta a resistência da ala progressista e da juventude democrata, que cobram mais diversidade. A resposta foi a promessa de ter uma mulher na vice-presidência, uma forma de abafar as acusações de uma ex-assessora de que ele teria cometido abuso sexual. Ele nega.

Unidade

Em contraste com as primárias fratricidas de 2016, ao final das quais Hillary Clinton e Bernie Sanders tiveram dificuldades para selar a paz, a união em torno de Joe Biden foi feita sem percalços públicos, de acordo com sua imagem de personagem moderado, unificador e afável.

"Bernie", o senador socialista, apareceu todo sorrisos para elogiar Biden na noite de quinta-feira durante uma discussão virtual entre sete ex-candidatos das primárias transmitida pela convenção, que contaram anedotas sobre a humanidade do ex-senador e vice-presidente. "Joe Biden é um ser humano compassivo, honesto e respeitável, o que é, neste momento particular da história americana, meu Deus, algo que este país absolutamente precisa", disse Sanders.

As circunstâncias extraordinárias da campanha eleitoral não parecem ser uma desvantagem, até agora, para Joe Biden, que segue o protocolo de saúde estrito e não faz campanha no terreno, mantendo, apesar disso, uma clara liderança nas pesquisas. "Está indo melhor do que eu pensava", disse Hillary Clinton, a candidata malsucedida de 2016, à rede MSNBC nesta sexta-feira. "A equipe de Biden fez um trabalho incrível na produção da convenção, superando vários obstáculos técnicos", ponderou.

O partido uniu-se para derrotar Trump, mais do que para apoiar Biden, mas ele fez movimentos para conseguir ampliar suas alianças. Se eleito, segundo ele mesmo prometeu, será um candidato de transição, abrindo as portas para uma nova geração em 2024.

O presidente Donald Trump será formalmente reinvestido por seu partido na próxima semana em uma convenção que ele desejava normal, mas que a pandemia forçou a tornar praticamente virtual, mesmo que ainda não se saiba seu programa exato. Sabe-se apenas que Donald Trump fará seu discurso em casa: na Casa Branca.

Durante toda a semana, ele deu o tom da resposta, tentando fazer da associação "Sleepy Joe" com Barack Obama uma desvantagem e retratá-lo, por sua vez, como um símbolo do establishment, um fantoche da extrema esquerda e um lacaio da China. "Em 47 anos, Joe não fez nada do que fala hoje. Ele nunca vai mudar, são só palavras!", tuitou.


Agência Estado/AFP/Dom Total



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