Meio Ambiente

26/08/2020 | domtotal.com

Comunidades de Conceição do Mato Dentro lutam contra mineração: 'Danos ambientais e sociais'

Mineração mudou drasticamente a vida de várias pessoas da cidade do interior de Minas

Anglo American tem barragem de mineração em Conceição do Mato Dentro
Anglo American tem barragem de mineração em Conceição do Mato Dentro (Lúcio Guerra/divulgação)

Rômulo Ávila

Cercada por cachoeiras de águas límpidas e cristalinas, a cidade de Conceição do Mato Dentro, na região Central de Minas, convive com atividade minerária de grande impacto da Anglo desde 2014. Moradores dizem que muita coisa mudou desde então. A cidade ficou mais próspera, o custo de vida aumentou assustadoramente e, o pior, comunidades perderam o sucesso típico de uma cidade do interior de Minas.

"Ao longo do licenciamento ambiental das atividades de mineração da sociedade empresária Anglo American S/A (número 472/20071) diversos danos ambientais e sociais foram e estão sendo causados às comunidades do entorno do empreendimento, sendo que as comunidades vêm sofrendo há vários anos sem a devida, prévia e justa compensação e mitigação", diz introdução da Pauta Coletiva das Comunidades SBCTT.pdf nessa terça-feira (25) pelas comunidades do Sapo, Beco, Turco e Cabeceira do Turco, Água Quente, Córregos, Gondó, Itapanhoacanga, Passa Sete, São José do Jassem, São José do Arruda, São José da Ilha e Taporoco.

Desde 2014, a Anglo American opera uma mina de minério de ferro com uma barragem na cidade, distante cerca de 170 km da capital Belo Horizonte.  Na manhã dessa terça-feira (25), moradores dessas comunidades atingidas fecharam a BR-010, em protesto contra a mineradora Anglo e a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (SEMAD).

Eles querem que os direitos das famílias atingidas sejam garantidos e reivindicam a renovação do contrato da assessoria técnica.

"A SEMAD e a Anglo American não querem renovar o contrato da assessoria técnica para as comunidades do Sapo, Beco, Turco e Cabeceira do Turco, e não querem contratar a assessoria para as comunidades de Água Quente, Córregos, Gondó, Itapanhoacanga, Passa Sete, São José do Jassem, São José do Arruda, São José da Ilha e Taporoco", diz o comunicado.

Uma das condicionantes impostas, a assessoria técnica é responsável por elaborar um projeto de realocação das pessoas que moram na comunidade.

Em nota, a Anglo American diz ser a favor da instituição de assessorias técnicas independentes para assessorar as comunidades, com o objetivo de garantir a participação informada dessas comunidades nos planos, programas e ações da empresa.

Ainda segundo o comunicado, "a renovação do contrato em andamento depende única e exclusivamente de critérios técnicos e está em discussão nas instâncias competentes. A companhia reforça sua disposição ao diálogo com as comunidades e vem cumprindo todas suas obrigações e executando regularmente todos os seus programas e condicionantes, conforme previsto no processo de licenciamento, além de promover investimentos sociais voluntários".

Os moradores também pedem que o Ministério Público adote "imediatas providências" contra o descumprimento de condicionante, com a responsabilização criminal da SEMAD.

A reportagem procurou a pasta durante toda terça-feira (25), mas não teve resposta.

Após o bloqueio da BR-010, os atingidos foram até a sede da prefeitura da cidade e exigiram a presença de um promotor de Justiça, o que ocorreu. No entanto, nenhum representante da mineradora compareceu, como mostra a certidão abaixo.



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