Religião

30/08/2020 | domtotal.com

Gastar a vida com Jesus não é perda, mas ganho

Aqueles que seguem Jesus têm com frequência a sensação de estar 'perdendo a vida' por uma utopia inatingível

Jesus estava disposto a tudo para tornar realidade o desejo de Deus, seu Pai: um mundo mais justo, digno e feliz para todos
Jesus estava disposto a tudo para tornar realidade o desejo de Deus, seu Pai: um mundo mais justo, digno e feliz para todos (Unsplash/Ravi Roshan)

José Antonio Pagola*
RD

Não é fácil olhar para o mundo interior de Jesus, mas no seu coração podemos intuir uma experiência dupla: sua identificação com os últimos e sua total confiança no Pai. Por um lado, sofre com a injustiça, as desgraças e as doenças que fazem sofrer a tantos. Por outro lado, confia totalmente nesse Deus Pai, que nada mais quer do que arrancar da vida o que é mau e faz sofrer seus filhos.

Jesus estava disposto a tudo para tornar realidade o desejo de Deus, seu Pai: um mundo mais justo, digno e feliz para todos. E, como é natural, queria encontrar entre seus seguidores a mesma atitude. Se seguiam seus passos, deviam partilhar sua paixão por Deus e sua total disponibilidade ao serviço de seu reino. Queria acender neles o fogo que levava dentro.

Há frases que dizem tudo. As fontes cristãs conservaram, com poucas diferenças, um ditado dirigido por Jesus aos seus discípulos: "Se alguém quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, mas quem a perder por mim, encontrá-la-á". Com essas palavras paradoxais, Jesus convida-os a viver como ele: agarrar-se cegamente à vida pode levar à sua perda; arriscar de forma generosa e valente leva a salvá-la.

O pensamento de Jesus é claro. Quem caminha atrás dele, mas continua apegado às seguranças, metas e expectativas que lhe oferece a sua vida, pode acabar por perder o maior bem de todos: a vida vivida segundo o projeto salvador de Deus. Pelo contrário, quem arrisca tudo para segui-lo encontrará vida, entrando com ele no reino do Pai.

Aqueles que seguem Jesus têm com frequência a sensação de estar "perdendo a vida" por uma utopia inatingível: estaremos desperdiçando nossos melhores anos sonhando com Jesus? Ou estamos gastando nossas melhores energias por uma causa inútil?

O que fazia Jesus quando se via perturbado por este tipo de pensamentos sombrios? Identificar-se ainda mais com aqueles que sofrem e continuar a confiar nesse Pai que pode oferecer-nos uma vida que não pode ser deduzida do que experimentamos aqui na terra.


Publicado originalmente por Religión Digital e traduzido pelo IHU

*José Antonio Pagola é padre e tem dedicado a sua vida aos estudos bíblicos, nomeadamente à investigação sobre o Jesus histórico. Nascido em 1937, é licenciado em Teologia pela Universidade Gregoriana de Roma (1962), licenciado em Sagradas Escrituras pelo Instituto Bíblico de Roma (1965), e diplomado em Ciências Bíblicas pela École Biblique de Jerusalém (1966). Professor no seminário de San Sebastián (Espanha) e na Faculdade de Teologia do Norte de Espanha (sede de Vitória), foi também reitor do seminário diocesano de San Sebastián e vigário-geral da diocese de San Sebastián.



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