Coronavírus

04/09/2020 | domtotal.com

Vacina russa parece ter boa resposta imunológica, segundo estudo

Renato Kfouri, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), disse que agora a Sputnik V já pode ser categorizada como candidata

Em 11 de agosto, a Rússia anunciou o registro da primeira vacina contra o coronavírus do mundo, batizada de Sputnik V, para ser produzida industrialmente
Em 11 de agosto, a Rússia anunciou o registro da primeira vacina contra o coronavírus do mundo, batizada de Sputnik V, para ser produzida industrialmente (Vladimir Pesnya / Sputnik / Sputnik via AFP)

Atualizada às 10h26

Publicação da revista The Lancet revelou nesta sexta-feira (4) que um grupo de pacientes que participou de um estudo preliminar com a vacina russa contra o coronavírus desenvolveu uma resposta imunológica sem efeitos colaterais graves.

"A vacina é altamente imunogênica e induziu fortes respostas em 100% dos voluntários adultos saudáveis, com títulos de anticorpos em participantes vacinados mais elevados do que no plasma convalescente", ressalta a revista. Entende-se por plasma convalescente o sangue de indivíduos infectados pelo vírus que produziram anticorpos para a doença.

A Lancet ainda informa que não foram registrados efeitos colaterais graves em participantes do estudo. "As reações mais comuns foram dor no local da injeção, hipertermia, dor de cabeça astenia e dores musculares e articulares, típicas em vacinas baseadas em vetores virais recombinantes. Nenhum evento adverso sério foi relatado durante o estudo", ressalta a publicação.

Esses resultados não provam, contudo, que a vacina, batizada de Sputnik V, protege efetivamente contra a infecção por Covid-19, já que outros estudos de maior envergadura são necessários, disseram vários especialistas.

Em 11 de agosto, as autoridades russas anunciaram que sua vacina entrava na terceira e última fase dos ensaios clínicos. Moscou disse, porém, que não esperaria os resultados deste estudo, do qual "milhares de pessoas participam", porque sua intenção era homologá-la em setembro.

O anúncio foi recebido com ceticismo por muitos pesquisadores e por alguns países, como a Alemanha, que duvidaram de sua eficácia e segurança, principalmente pela falta de dados públicos sobre os testes realizados até o momento.

O presidente Vladimir Putin também afirmou que a vacina garantiu "imunidade de longa duração" contra o novo coronavírus. A Sputnik V consiste em dois componentes diferentes, administrados em duas injeções com intervalo de três semanas, relata o estudo publicado na revista médica The Lancet. É uma vacina de "vetor viral": usa dois adenovírus humanos (uma família muito comum de vírus) transformados e adaptados para combater a Covid-19.

A publicação se baseia em dois pequenos estudos, conduzidos com duas formulações diferentes da Sputnik V, entre 76 voluntários adultos saudáveis. Ambos concluíram que nenhum dos dois componentes da vacina causou "efeitos indesejáveis graves" e que sua administração sucessiva "gera a produção de anticorpos". Eles foram realizados entre 18 de junho e 3 de agosto por pesquisadores dos Ministérios russos da Saúde e da Defesa e financiados pelo primeiro.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), existem 176 projetos de vacinas em andamento no mundo, com 34 em fase de ensaio clínico. Isso significa que já começaram a ser testados em humanos. Destes, oito estão na fase três, os mais avançados.

Candidata

O diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Renato Kfouri, avaliou nesta sexta-feira que a potencial vacina russa já pode ser categorizada como candidata. "A vacina russa agora pode ser categorizada como candidata, é a 8ª vacina entrando em fase 3", disse em entrevista à GloboNews, citando as possíveis vacinas produzidas pela Universidade de Oxford e pelas empresas chinesas Sinovac e CanSino como outros exemplos que estão na terceira fase de estudos clínicos.

Kfouri explicou que o estudo, que reuniu as fases 1 e 2 concluído na Rússia, credencia agora a Sputnik V para testes mais avançados, de fase 3, que vão medir a eficácia do potencial imunizante.

Sobre o tempo de imunização que a Sputnik V pode oferecer, Kfouri afirmou que é improvável que os cientistas russos conseguirão essa informação em tempo hábil para a eventual aprovação da vacina. "Vamos licenciar vacinas nesse cenário de pandemia sem todas as informações completas, uma delas é essa período de imunização. Para preencher todos as informações que precisamos, esperaríamos 4, 5 anos", acrescentou.

Kfouri ainda disse que a vacina russa apresenta uma diferença em relação às outras candidatas contra o novo coronavírus que utilizam o método de vetor - nesta técnica, é injetado no corpo humano uma pequena quantidade de um vírus para que o sistema imunológico crie anticorpos contra o organismo intruso. Segundo o especialista, a Sputnik V usa dois vírus diferentes como vetores, um em cada dose. A estratégia é diferente, por exemplo, da adotada por Oxford, que usa um único vírus como vetor nas duas doses da vacina.


AFP/Dom Total



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