Coronavírus

08/09/2020 | domtotal.com

Desenvolvedores de vacinas dos EUA e Europa prometem rigor científico em testes

Farmacêuticas dizem seguir os 'altos padrões éticos e princípios científicos rigorosos'

Seringas cheias de uma vacina não identificada em uma fábrica do grupo farmacêutico Sanofi, no Val-de-Reuil, na França
Seringas cheias de uma vacina não identificada em uma fábrica do grupo farmacêutico Sanofi, no Val-de-Reuil, na França (Joel SagetAFP)

Nove diretores de empresas que desenvolvem vacinas contra a Covid-19 assinaram, na segunda-feira (7), um compromisso de respeitar o mais alto rigor científico, uma resposta implícita às preocupações surgidas nos Estados Unidos diante da pressão do presidente Donald Trump para que se autorize uma vacina antes da eleição presidencial de 3 de novembro próximo.

"Nós, as empresas biofarmacêuticas abaixo-assinadas, desejamos reiterar nosso compromisso contínuo de desenvolver e testar potenciais vacinas contra a Covid-19, de acordo com altos padrões éticos e princípios científicos rigorosos", afirmaram em uma declaração conjunta os CEOs da AstraZeneca BioNTech, GlaxoSmithKline, Johnson & Johnson, Merck Sharp & Dohme, Moderna, Novavax, Pfizer e Sanofi.

No comunicado, as empresas se comprometem a "apresentar apenas um pedido de autorização, ou autorização de emergência, após ter demonstrado a segurança e a eficácia da vacina no contexto de um ensaio clínico de fase 3, concebido e realizado com o objetivo de cumprir as condições estabelecidas pelas autoridades regulatórias, como a FDA [a agência americana que regula o setor de remédios e alimentos nos Estados Unidos]".

É justamente na FDA que se concentram as preocupações de vários especialistas e ex-autoridades de saúde dos Estados Unidos, depois de a entidade ter autorizado dois tratamentos contra a Covid-19 para uso emergencial, apesar da falta de evidências rigorosas: a hidroxicloroquina (uma autorização que foi posteriormente revogada) e o plasma sanguíneo de pacientes recuperados. Ambos foram elogiados por Trump.

Nos últimos dias, o candidato democrata na disputa pela Casa Branca, o ex-vice-presidente Joe Biden, acusou Trump de "minar a confiança popular", ao falar repetidas vezes sobre a possibilidade de se ter uma vacina antes das eleições de 3 de novembro.

O diretor da FDA garantiu um processo puramente científico para julgar a eficácia de uma vacina. 

Os comitês de especialistas americanos independentes supervisionam os testes clínicos das vacinas Moderna e Pfizer. A agência depende desses comitês independentes e dos fabricantes de vacinas, que devem apresentar um pedido de autorização.

De acordo com o diretor do Instituto Nacional de Doenças Infecciosas, Anthony Fauci, não se espera que os resultados desses testes sejam conhecidos até os últimos dois meses do ano. "É extremamente improvável, mas não impossível" que haja resultados antes das eleições, disse o cientista-chefe da equipe da Casa Branca para a produção de vacinas, Moncef Slaoui, em entrevista à rádio americana NPR.

A medida incomum de prometer obedecer regras bem estabelecidas sublinha um debate altamente politizado sobre qual ação é necessária para refrear com rapidez a disseminação da doença mortal e reativar os negócios e o comércio mundiais.

No mês passado, o chefe da Agência de Alimentos e Remédios norte-americana (FDA) disse que o processo de aprovação normal pode ser contornado para uma vacina contra Covid-19, contanto que as autoridades se convençam de que os benefícios superam os riscos, levando a Organização Mundial da Saúde (OMS) a pedir cautela.

Desenvolvedores de todo o mundo ainda têm que produzir dados de testes de larga escala que de fato provem infecções em participantes, mas a Rússia concedeu aprovação a uma vacina contra Covid-19 no mês passado, levando alguns especialistas ocidentais a criticarem a falta de testes.

O chefe da chinesa Sinovac Biotech disse que a maioria de seus funcionários e seus familiares já tomou a vacina experimental da empresa, desenvolvida graças ao programa de uso exclusivamente emergencial do país.

"Queremos que se saiba que, também na situação atual, não estamos dispostos a comprometer a segurança e a eficiência", disse o cossignatário Ugur Sahin, executivo-chefe da BioNTech BNTX.O, parceira alemã da Pfizer. "Tirando a pressão e a esperança de uma vacina estar disponível o mais rápido possível, também existe muita dúvida entre as pessoas de que algumas etapas de desenvolvimento possam ser omitidas aqui", acrescentou.

Entre outros obstáculos, a aprovação precisa se basear em testes clínicos amplos e diversificados com grupos comparativos que não recebem a vacina em questão. Os participantes e aqueles que trabalham no teste não podem saber a qual grupo pertencem, segundo o compromisso.


AFP/Agência Brasil/Dom Total



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