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08/09/2020 | domtotal.com

O agronegócio, o Brasil potência e o mundo

A verdade, em algum momento, haverá de prevalecer

A verdade, em algum momento, haverá de prevalecer
A verdade, em algum momento, haverá de prevalecer (Antonio Costa)

*Jose Antonio de Sousa Neto

O agronegócio absorve praticamente um de cada três trabalhadores brasileiros. Em 2019 foram U$ 100 bilhões de exportações e a expectativa é de que, neste ano de 2020, em torno de 45% de todas exportações brasileiras sejam de produtos do agronegócio. 

O efeito multiplicador, dentre outros, no contexto da logística e no setor de infraestrutura é muito grande e não está computado nestes números. É também muito importante lembrar que o maior cliente do agronegócio brasileiro não está na exportação, mas no consumo interno, na nossa agroindústria, nos supermercados e nas feiras brasileiras. 

Ainda para este ano de 2020 a expectativa chegará, na soma de bens e serviços gerados no setor, a um valor em torno de R$ 1,7 trilhão de reais ou aproximadamente 23% do PIB do país. Dentre os segmentos, o ramo agrícola corresponde a aproximadamente dois terços desse valor e a pecuária corresponde a um terço.

No estado de Minas Gerais os números são igualmente relevantes como podemos constatar nos dados abaixo sumarizados:

Quando ainda criança, nas viagens até Uberaba no triângulo mineiro, onde fui batizado e ainda mora uma parte importante de minha família e amigos preciosos, acompanhando a paisagem ao longo da estrada, muitas vezes escutei as pessoas comentando que as terras eram baratas por serem improdutivas. Hoje, sem nenhum exagero, algumas áreas parecem fotografias icônicas de belíssimos campos verdes de países europeus.

Há cinquenta anos, o Brasil era um país importador de alimentos e com grande dificuldade de acertar suas contas externas que durante tantas outras décadas dependia quase que exclusivamente da cultura e exportação do café. Muitos foram os que contribuíram para esta revolução ao longo destas últimas décadas, mas no seu nascedouro temos de prestar homenagem a um mineiro e certamente um dos maiores brasileiros deste último meio século, o engenheiro agrônomo Alysson Paulinelli. Dentre inúmeras contribuições ao Brasil, Paulinelli teve um papel absolutamente fundamental na Empresa Brasileira de Pesquisa Agrícola (Embrapa) como seu fundador e modernizador. Em 2006 ganhou o prêmio World Food Prize, um equivalente ao Nobel da alimentação.

Esta revolução veio através da pesquisa, ciência e tecnologia. A agricultura tropical possui características muito diferentes da agricultura temperada do hemisfério norte. Esta última, praticamente já tendo esgotado todos os seus limites em termos de produtividade, limitada a uma única janela de colheita a cada ano, já tendo ocupado grandes espaços com sacrifícios enormes ao meio ambiente e se utilizando muitas vezes de recursos nocivos à natureza, é frequentemente e erroneamente utilizada como referência para avaliar o agronegócio do Brasil. Isto acontece muitas vezes por ignorância, muitas vezes por má fé e, como seria óbvio de se esperar, por fortíssimos interesses geopolíticos.

Com as tecnologias desenvolvidas no país, fundadas em todos os seus pilares principais na sustentabilidade e na ciência, privilegiadas pelo seu posicionamento no contexto planetário e totalmente adaptada à realidade tropical e aos diversos biomas do Brasil estão nos transformando e irão nos consolidar como o maior produtor de alimentos do mundo. 

A inteligência artificial e a ciência de dados já estão entrando pela porta da frente desta empreitada. As três safras anuais e o ainda enorme potencial de aumento de produtividade sem a necessidade de comprometer qualquer metro quadrado adicional de florestas ou qualquer outro bioma que requeira sua inegociável preservação já permitem ao país produzir, como já comentei aqui em textos anteriores, 48% dos alimentos necessários hoje no mundo. De forma absolutamente sustentável. Para cada 20% de aumento na renda global, há um aumento de 60% na demanda por alimentos no mundo. Isto deve acontecer nos próximos 30 anos e somente o Brasil terá capacidade de fornecer dois terços desta demanda adicional. E se por um lado isto é uma benção para o mundo inteiro também é imensa a cobiça sobre o país.

Para entender isso vale entender o porquê da existência de um movimento para promover o nome de Paulinelli ao prêmio Nobel da Paz o que, em minha opinião, seria extremamente justo. Estamos falando de segurança alimentar e é importante que nos relembremos todos que este sempre foi ao longo de toda a história, um fator determinante subjacente a todas as guerras. Se não fosse o Brasil, com o esgotamento das possibilidades de expansão na produção de alimentos no hemisfério norte, o mundo já estaria em situação de alto risco.

Evidentemente que existem muitas coisas de extrema importância que o Brasil precisa continuar priorizando com relação ao meio ambiente e ao desenvolvimento sustentável. Isso passa não só pelo agronegócio, mas por várias outras indústrias. 

A engenharia e a ciência têm e terão sempre um papel determinante nesta construção. A conscientização da nação é fundamental e isso é de absoluto interesse do próprio agronegócio, que não tem medido esforços nem investimentos nesta direção. 

Tragicamente, no entanto, pelas razões e intenções que mencionei acima, algumas justas e outras totalmente equivocadas ou intencionalmente falsas, diversas forças internas e externas têm agido de forma destrutiva causando grande mal ao país. 

Tenho acompanhado pelas redes sociais (já desisti há tempos da grande mídia), por exemplo, as negociações do acordo Brasil - União Europeia. Tem muita gente prejudicando centenas de milhões de pessoas. A longo prazo não passarão, pois a verdade, em algum momento, haverá de prevalecer. Será bom para o Brasil e uma benção para o resto do mundo para o qual, nós como nação, poderemos dar uma inestimável contribuição.

*Professor da EMGE (Escola de Engenharia e Ciência da Computação)



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